Bullying no trabalho

O professor Edison Andrades escreveu um artigo sobre bullying no cotidiano das empresas.

Redação
Publicado em 03/06/2011, às 11h44

Agora, o termo da moda é “Bullying” (atos violentos praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo, ou grupo de indivíduos, incapaz(es) de se defender). Tal massacre não ocorre somente em ambientes acadêmicos, embora geralmente inicia-se lá. Vejo o mesmo ocorrer, talvez com outro formato, em ambientes corporativos.

Quando um trabalhador recém-contratado ingressa em uma organização, ele é, por vezes, tratado como um corpo estranho naquele meio. Muitos “veteranos” acham-se no direito de submeter o novato a humilhações corporativas. Tudo é feito em nome do tal “seja bem-vindo!”.

A coisa se agrava e perdura principalmente quando o cargo do recém-chegado é o de estagiário. Alguns jovens trabalhadores ficam traumatizados com a mecânica do mundo corporativo e passam a repudiar o trabalho. Mulheres também fazem parte do grupo de vítimas e recebem apelidos maldosos baseados em sua idade, aparência e peso. A raça e preferência sexual das pessoas também são alvo e engrossam a cartilha dos especialistas na “arte” de praticar o bullying.

Alguns sistemas corporativos praticam bullying através de suas metas impossíveis, pressão desenfreada, prazos ridículos e humilhações em público. O mais interessante é que as vítimas são quase sempre as mesmas que já sofreram chacota no período escolar. Ao pensar que seu período de temor e tremor já havia passado, deparam-se novamente com essa situação. Porém, agora, seus “coleguinhas” são “profissionais” e adultos!

Ter um ótimo ambiente de trabalho, onde a descontração, amizade e bom humor reinem, seria o ideal. Mas isso se torna impossível quando se usa o próximo como apoio, transformando-o em alvo de ataques. Empresas perdem bons colaboradores, pois estes não suportam um ambiente de chacotas. Enquanto isso os “atiradores” justificam dizendo: “... só estávamos brincando...”. Que tal respeitar antes de “brincar”?

Tenho percebido, em consultorias e palestras sobre esse assunto, que a maioria das pessoas que se satisfazem importunando a vida dos outros, quase sempre, são intolerantes a esses incômodos quando assumem o papel de vítima!  Como pode?

Infelizmente, parte do problema encontra-se no corpo de liderança das empresas. Muitos líderes não dão atenção a essas ocorrências. Agem exatamente como alguns professores e coordenadores de escolas, que preferem isentar-se desse problema.

O reflexo, no ambiente corporativo, é a perda da produção e prejuízo aos negócios. Alguém nessa situação dificilmente produzirá proporcionalmente às suas competências.

Talvez os praticantes de bullying. No trabalho não saiam atirando e matando seus companheiros, mas, embora silenciosos, seus disparos são extremamente destrutivos; geram baixo desempenho e contribuem para que a empresa se torne uma péssima referência no mercado.

Como sugestão, as empresas poderiam criar ouvidorias internas e buscar aproximar-se de seus colaboradores. Contudo não seria prudente delegar essa tarefa aos líderes da organização, para que o assédio moral (outro tipo de terrorismo organizacional) não venha ferir duplamente a vítima de bullying.

           

Prof. Edison Andrades é escritor e palestrante.

Seu site: www.edisonandrades.com.br

Twiter: @edison_andrades

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