Onde você vai achar emprego em 2008?

A grande maioria dos profissionais vai encontrar espaço de trabalho e maiores chances de emprego no setor de s

Redação
Publicado em 21/11/2007, às 09h32

* Gilberto Guimarães

A grande maioria dos profissionais vai encontrar espaço de trabalho e maiores chances de emprego no setor de serviços, que hoje representa cerca de 65% do total das ofertas. Dentro desse setor, as áreas que mais oferecem oportunidades em 2008 são as ligadas, de alguma forma, ao desenvolvimento de softwares, às telecomunicações e telemarketing, à segurança e às atividades associadas aos três segmentos que mais crescem nestes tempos de grandes mudanças: lazer, educação e saúde.

Não é difícil entender o porquê do crescimento das atividades relacionadas com a área de segurança: basta assistir aos telejornais, aqui, medo de seqüestro e assaltos ou no mundo, medo de terrorismo ou paranóia. Nem é complicado entender a evolução do setor de telecomunicações e telemarketing. Existe uma monumental infra-estrutura a ser instalada para atender um dos poucos mercados não esgotados. As empresas de telemarketing crescem como cogumelos ao sol depois da chuvarada. Já os segmentos de lazer, educação e saúde cresceram a reboque das mudanças no mundo do trabalho.

No final do século XIX, começo do XX, a média de horas trabalhadas por ano era de 3.200. Hoje, não chega a 1.800 horas/ano, mesmo em países como o Japão, com tradição de muito trabalho e disciplina. É um reflexo da evolução social conquistada desde aquele fatídico primeiro de maio de 1.886, em Chicago e do aumento da produtividade. O trabalhador acaba gastando este tempo disponível cuidando de si próprio, de sua saúde, de sua educação e aproveitando o lazer.

Desses novos mercados de trabalho aquele que exige mais competência e formação técnica é o da informática, nas chamadas fábricas de software. É nelas que trabalha o mais clássico dos trabalhadores modernos, o trabalhador do conhecimento. Nesta chamada Sociedade do Conhecimento, os profissionais têm algumas características próprias; faz seus horários e controla a produção, não precisa estar subordinado a alguém que fiscalize seu trabalho; cuida do autodesenvolvimento, estabelece prioridades para a carreira definindo os pontos que precisam ser fortalecidos; é dono das ferramentas e do produto do seu trabalho. Mas precisa ser e permanecer competente e preparado.

Desenvolvimento de software é hoje um mercado de US$ 1, 3 trilhões, US$ 700 bilhões realizados por empresas terceirizadas e a maior parte, fora dos países desenvolvidos, os maiores consumidores. Representa de US$ 35 a US$ 45 bilhões nas exportações da Índia, que de alguma forma é fluente em inglês, a língua da informática.

Vejam o caso específico das fábricas de software no Brasil. Desde as grandes multinacionais, como IBM, EDS, como locais como Politec, TIVIT etc, todas juntas acabam tendo sob contrato, hoje, mais de 800.000 profissionais. Isto já é equivalente à quantidade de bancários. A diferença é que a quantidade de bancários reduz-se ano a ano e de informáticos não pára de crescer. Para os próximos três anos há a necessidade de mais de 100.000 profissionais que saibam programar e que falem ou compreendam bem o inglês. Grande calcanhar de Aquiles brasileiro. Não temos como atendera esta demanda.

No Brasil, até mesmo recém-formados das melhores escolas não recebem formação adequada em língua inglesa. Poucos são fluentes e os que o são, são por mérito e esforço próprio, com estudos e viagens feitas adicionalmente ao currículo escolar básico. Nossas academias estão muito defasadas, formando profissionais inadequados para responder às demandas de mercado. O mercado de software se ressente, no Brasil, da falta desses profissionais e também do alto custo dos encargos trabalhistas que acabam inviabilizando vendas em exportação. Acrescente-se a isso o câmbio atual, defasado e inadequado, que provocou um aumento de mais de 52% no custo da mão-de-obra em dólar. Se o governo brasileiro não correr para resolver estes problemas de base e criar marcos que regularize, vamos mais uma vez perder o bonde da história.

* Gilberto Guimarães é diretor da multinacional francesa BPI no Brasil, empresa que atua na área de reestruturação de empresas e gestão de carreira, especializada em outplacement - com mais de 200 escritórios pelo mundo. Atua também como professor e consultor da Fundação Getúlio Vargas, da GV Consult e do Ibmec São Paulo. É engenheiro pela Escola Politécnica da USP, com MBA pela FGV e cursos de especialização no IMS – Alemanha.

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