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    A vida em parágrafos

    Acontece nas melhores famílias

    Quinta-feira, 1 de abril de 2010

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      Numa casa na Vila Prudente em São Paulo, Tatiane Barbosa montou seu ateliê. Formada em criação de moda, a jovem de 24 anos, que parece ter menos idade, começou a relatar o início de sua carreira como empresária. Olho ao redor e vejo um berço, dezenas de sapatinhos de todas as cores, quadros infantis, sachês, kits de higiene e lembrancinhas de maternidade personalizadas. Tudo criação dela.

       

      A empresária sempre fez trabalhos manuais em casa, mas nunca imaginou que viveria disso. Na hora de escolher a faculdade, ficou em dúvida em várias áreas. Por essa razão, concomitantemente com a faculdade de moda, fazia um curso técnico de nutrição. Porém, desistiu em pouco tempo, após confirmar a sua vocação. Com o apelido de Lisa Simpson, personagem de um sedenho animado, por tirar as maiores notas na faculdade, a empreendedora, logo que se formou, tentou com uma colega de faculdade criar coleções de roupas e vender para empresas. Não deu certo. Entretanto, Tatiane não desistiu.

      Filho de empreendedor, empreendedor é? Ela acredita que sim. “A minha família é de empreendedores. Meu pai é um ex-bancário que possui uma filial de uma escola de inglês, minha mãe é dona de uma papelaria e meu irmão também é empresário. Está na minha essência”, diz.

       

      A mãe lhe cedeu um pequeno espaço na papelaria para começar a produzir suas peças. Empenhada, decidiu que ela mesma faria um site e colocaria as peças para vender. “Comprei um livro e montei um site. Era precário, mas vendia”, afirma aos risos. Vendeu tanto que em poucos meses a produção triplicou e ela precisou de ajuda. A jovem passou a trabalhar o dia todo, parava somente para almoçar, cerca de uns 15 minutos, e dormia só três horas por noite. Decidiu assim contratar três funcionárias. “O espaço era muito pequeno e eu tive que alugar esta casa. E agora tenho meu próprio site profissional”, afirma. Os produtos são enviados pelos Correios para todo o país e já teve encomendas até mesmo para Madrid, na Espanha.

       

      A casa contém dois quartos, os quais viraram espaços para a produção das peças e a sala é a recepção. Tatiane conta atualmente com cinco funcionárias e o lucro, segundo ela, aumentou 400% e aumenta mais mensalmente. No primeiro mês, a design atendia cerca de cinco grávidas e recebeu cerca de R$ 1.000. Agora, dependendo da época, ela atende até 100 futuras mamães. Meticulosa e exigente, ela treina todas as funcionárias para que a produção saia exatamente igual.

       

      Mas nem tudo são flores. Ela trabalha aproximadamente 12h por dia, já teve problemas com funcionárias e com clientes. “O começo é muito difícil, tudo é novo e se relacionar com as pessoas nem sempre é fácil”, relata. Muitas vezes, ela dorme no ateliê, toma banho e faz as refeições no local. Para fazer companhia nos momentos de solidão, comprou até uma chinchila, que fica ao lado de sua mesa de criação.

       

      Além disso, no ano passado, aos 23 anos e com um novo negócio, Tatiane descobriu que estava com um mioma tão grande no útero que quase foi preciso retirá-lo. Assustada, percebeu pela primeira vez que, por ironia do destino, poderia não ter as lembrancinhas de seu próprio bebê. “Chorei muito, fiquei com medo e foi nesse momento que percebi a minha vontade de ser mãe. Mas não agora, só depois dos 30”, completa. E felizmente deu certo. Tatiane passou por uma cirurgia e se afastou do trabalho por um mês para poder se recuperar.

       

      A nova empreendedora atribui o seu sucesso a deusa Ártemis, também conhecida como Diviana em Roma, e que levou o nome do seu ateliê: Diviana Bebê. “Queria um nome marcante e descobri que a deusa Diviana também protegia as grávidas. Agora pretendo colocar uma estátua em sua homenagem no ateliê”. Apesar disso, Tatiane diz que força de vontade e empenho não faltam para que a empresa dê certo. A criação não para, assim como o crescimento da empresa que está investindo na divulgação do trabalho.

       

      Os planos da jovem também não param de crescer. Entre as suas ambições está abrir uma loja, franquia em algum shopping e até exportar. Além disso, pretende morar sozinha e investir na vida afetiva. “Amo empreender e amo criar. O retorno financeiro foi muito mais do que eu esperava. Não só para mim, como também para quem acompanhou a trajetória”.

       

      Samantha Cerquetani

       

       

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