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    A vida em parágrafos

    Missão: controlar a diabetes

    Sexta-feira, 16 de abril de 2010

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      O médico Augusto Pimazoni Netto, 69 anos, está na profissão desde meados dos anos 60 e atualmente é coordenador do Grupo de Educação e Controle do Diabetes do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp. Numa posição em que muitos já sonham com a aposentadoria, Pimazoni empreende uma jornada para que a diabetes seja uma doença melhor controlada no Brasil e no mundo. 

       

      O doutor Pimazoni se formou na Faculdade de Medicina de Marília em 1965 e fez especialização em pediatria, com três anos em residência no Brasil e outros dois em Nova York. “Tive uma formação de alto nível, mais voltada para pesquisa, quando voltei para o Brasil em 1970 e fui trabalhar em consultório não me identifiquei com aquela rotina”, contou o médico.

       

      O interesse pela diabetes surgiu quase por acaso, quando Pimazoni foi contratado para atuar no setor de marketing da empresa responsável por implantar no Brasil os monitores de glicemia – aparelhos que medem o nível de açúcar no sangue. Ele conta que a empresa lhe proporcionou treinamento intensivo sobre a doença e foi assim que aos poucos acabou por adotar a nova área.

      Há três anos Pimazoni começou a atuar de forma voluntária junto ao Hospital do Rim. “Há muitos anos me dedico à educação em diabetes, e o hospital me abriu as portas e me ofereceu todas as condições necessárias para desenvolver meu projeto de um tratamento de educação e controle à diabetes”, declarou à reportagem.

       

      Pimazoni elaborou um método para combater o elevado grau de descontrole da doença, que tem atingido proporções epidêmicas no mundo todo. “Um estudo recente mostrou que, no Brasil, apenas 10% dos portadores de diabetes tipo 1 - mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens – e apenas 26% dos portadores de diabetes tipo 2 – diabetes do adulto – apresentaram controle adequado dos níveis de açúcar no sangue”, observou.

       

      Controlar a doença era uma missão considerada “quase impossível” no meio médico, principalmente, na rede pública. Pimazoni montou uma equipe multidisciplinar com 30 profissionais, entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e educadores físicos, todos voluntários, para enfrentar o desafio por meio de um tratamento no qual o paciente tem tanto apoio motivacional quanto educacional.

       

       “No primeiro ano, testamos nosso método ainda de forma não estruturada. Depois disso, elaboramos um protocolo de pesquisa aprovado pelo Comitê de Ética da Unifesp, que durou cerca de um ano”, lembra  o médico.

       

      O novo tratamento se destaca pela simplicidade. O paciente recebe um monitor de glicemia e tiras reagentes para realizar cerca de seis testes por dia em casa, durante três dias ao longo de quatro semanas. Os resultados serão analisados por um programa de computador que analisa o perfil glicêmico, a glicemia média semanal e a variabilidade glicêmica. Esses dados são fundamentais no método de Pimazoni porque “a glicemia varia de minuto a minuto, não adianta fazer um teste por dia, sem saber os outros horários”, explicou ele.

       

      Com isso em mãos, é possível estabelecer um tratamento quase personalizado para que cada paciente atinja a meta de controle da doença, resultado alcançado, em média, em quatro semanas por 70% dos pacientes.

       

      Pimazoni está animado com o resultado de sua pesquisa, já apresentada no Congresso Brasileiro de Diabetes, realizado em novembro de 2009. “Não tenho dúvidas que o método será adotado pela rede pública. Basta apenas vontade política e um programa de treinamento e qualificação dos profissionais da área de educação e controle do diabetes. A eficácia e a segurança do método já estão comprovadas. Milhões de pessoas poderiam ser beneficiadas com a implantação desta nova abordagem de controle do diabetes”.

       

      Os próximos passos já estão sendo dados: O Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba, criou uma extensão da pesquisa, na qual será analisada sua aplicação em casos de pacientes portadores de diabetes gestacional; e em junho, o doutor Pimazoni apresentará os resultados no Congresso da Associação Americana de Diabetes.

       

      Aline Viana

       

       

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