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    A vida em parágrafos

    Entre trabalho e realizações, a maternidade

    Sexta-feira, 14 de maio de 2010

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      Leda Regina Blagevitch, 45, tem uma rotina super agitada, tanto que esta entrevista demandou muito jogo de cintura para ser encaixada na sua concorrida agenda. Responsável pela área de novos negócios de uma multinacional de tecnologia da informação, ela também é mãe de uma adolescente com necessidades especiais e de um menino de 10 anos. No segundo casamento, confessa, com um franco sorriso na voz, que chegou lá: “Realizei todos os meus sonhos, tudo que estava ao meu alcance eu consegui fazer”.

      O primeiro casamento foi aos 24 anos. Quase dois anos depois, Leda trocou o trabalho na área comercial do hotel Maksoud Plaza, na capital paulista, por uma oportunidade no setor de treinamento da empresa na qual está até hoje. Como boa notícia atrai boa notícia, dez dias depois de ingressar no novo emprego, soube que estava grávida de Nathália.


      Na correria típica de quem começa em uma nova empresa, com muitos desafios a vencer, Leda teve uma gravidez agitada. O bebê estava previsto para dezembro, porém, no final do mês de novembro, a mãe parou de sentir os movimentos da criança. “Fui investigar e o bebê estava em sofrimento. Foi pisada na bola do médico. No último mês de gravidez eu deixei de engordar, o que já era um indício de que havia algo errado”, lembra.


      Nathália ficou hospitalizada por 20 dias por ter nascido prematura com 1,7 kg. Aos quatro meses de vida, Leda e o marido notaram que havia algo errado e buscaram a ajuda de especialistas. O bebê tinha uma lesão cerebral que poderia resultar em comprometimento motor ou, além disso, também em comprometimento intelectual e da fala.  Nathália se encaixava no primeiro caso. “Ficamos atordoados. Eu ainda era muito inexperiente, não entendia direito se aquilo seria para sempre, se era algo que pudesse passar se ela tomasse um remédio”, diz.


      Leda voltou a trabalhar logo após o fim da licença maternidade, porém, em meio período para conciliar a rotina de tratamento de Nathália com a carreira. A criança passou a ter uma rotina que incluía fisioterapia, hidroterapia e equoterapia (método terapêutico que utiliza cavalos no tratamento de pessoas com necessidades especiais).  Naqueles primeiros tempos ela pensava que quanto mais e mais rápido fizesse, antes a cura se daria. “Percebi que a cura não existe, o que é possível é melhorar a qualidade de vida”, analisa.


      Quando a criança contava com sete meses, Leda pediu uma licença não remunerada para se dedicar apenas à filha. Logo concluiu que aquele não seria seu caminho.  “Sem o trabalho, se eu fosse viver só por conta das necessidades especiais dela, iria sufocá-la. Acho, até, que tive um pouco de excesso de zelo, houve coisas que poderiam ter passado batido, mas não deixei”, observa.


      De volta à empresa, seis meses depois, ela aproveitou a rotina flexível proporcionada pela área comercial para cuidar da filha, encaixando consultas médicas no meio do dia e estendendo o expediente até mais tarde: “No começo colocava a Nathália para dormir às 10h da noite e seguia trabalhando. Com a maturidade aprendi a conciliar a maternidade com a vida pessoal. Aprender fazer esse jogo de horários foi fundamental”.


      Uma das principais preocupações de Leda era que a filha pudesse ter uma vida plena. “O meu diferencial foi não adotar uma postura de vítima”, que ela afirma ser comum a crianças portadoras de necessidades especiais. Nathália não frequentou escolas especiais e hoje é aluna do segundo ano de direito em uma renomada faculdade. “Sempre quis que ela fosse mais protagonista de sua história. Aqui no escritório, brincamos que a gente tem que morrer atirando e acho que ela aprendeu muito isso. E ela tem escrito a própria história muito bem”, diz.


      A criação de Nathália afetou diretamente o desempenho da mãe no trabalho. “O empenho que tive para tudo dar certo com minha filha, apliquei também para a empresa crescer”, conta sem disfarçar o orgulho em ser a única mulher em reuniões com doze, treze colegas homens, por vezes, até de outros países. Ao longo dos anos provou com resultados que poderia dar conta de mais responsabilidades, ganhando a cada vitória, mais gás para subir. “Minha ascensão foi conquistada pelo mérito em grandes negociações. É muito bom ver o retorno do próprio trabalho. Tenho paixão pelo que faço”, concluiu.


      Aline Viana


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