Empresário com orgulho

Aos 19 anos, Gabriel de Carvalho embarcou em uma viagem de férias com um amigo do curso de publicidade e propaganda da PUC-Rio e foi ali que surgiu a ideia de montar o próprio negócio.

Redação
Publicado em 03/12/2010, às 15h12

Nada mais normal que a época da faculdade inspirar nos jovens ideias e projetos que, aos olhos dos já “adultos” e “responsáveis”, podem parecer sonhos impossíveis de se realizar. Foi exatamente nesta fase da vida que o carioca Gabriel França de Carvalho começou a plantar as sementes do que é hoje. Aos 19 anos, Gabriel embarcou em uma viagem de férias com um amigo do curso de publicidade e propaganda da PUC-Rio e foi ali que surgiu a ideia de montar o próprio negócio, uma agência de publicidade. O time, entretanto, ainda não estava completo. Gabriel e o amigo Leonardo Martins chamaram, então, o terceiro componente, também colega da PUC, André Stumm. “Ainda éramos muito novos e tínhamos tempo de voltar atrás caso algo desse errado. Era a chance de fazermos do nosso jeito”, conta.

Nascia, assim, a agência Scama, tendo como primeira sede uma salinha no bairro da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Até hoje, dezesseis anos depois, o publicitário lembra dos detalhes sobre aqueles primeiros tempos: o aquário na recepção, a mesa para a recepcionista que nem havia sido contratada, a mesa de vidro para as reuniões... “No começo, nós saíamos da faculdade, íamos para a agência e ficávamos batendo papo o dia todo. Como não tínhamos clientes, a graça era ir para a mesa de reunião e tirar fotos fingindo que estávamos tomando café em pleno debate”, diz Gabriel.

Do primeiro degrau, que significava a ausência total de clientes, os jovens publicitários, logo, começaram a dar os primeiros passos. Com menos de um ano de existência, a agência conseguiu a conta de um conhecido colégio no Rio, instituição que até hoje é cliente de Gabriel. O projeto estava seguindo em frente, mas isto não se convertia automaticamente em dinheiro para o bolso dos empresários. Segundo o publicitário, eles sempre fizeram questão de pagar religiosamente todas as contas da empresa. O que podia ser dividido entre os três era, nas palavras de Gabriel,  um troquinho que significava mais uma retirada simbólica. “Era chato ser empresário e ter que continuar morando na casa dos pais. Lucro mesmo só tivemos depois do terceiro ano”, rememora.

Alguns anos de trabalho e sonho compartilhados depois, eis que chegou o momento de os sócios se separarem. Primeiro, Leonardo e, em seguida, André. Mesmo entendendo os motivos de cada um, Gabriel sentiu o baque. “Nós sempre fomos muito unidos. Mais que sócios, eu estava perdendo a companhia diária de dois grandes amigos”, afirma. Os companheiros seguiram seus novos rumos, a amizade continuou e o jovem empresário se viu diante de mais um desafio: reorganizar-se, montar e cuidar da equipe sozinho. Assim ele fez e logo a irmã, Carolina, também entraria para o time. Os dois criaram uma empresa de design, a Scama Dois.

Hoje, Gabriel conta com nove colaboradores e preza para que eles se sintam sempre realizados com o trabalho desenvolvido. Ele considera a agência o seu projeto de vida e, por isso, faz questão que o ambiente seja “incrível, leve, criativo e alegre”. O empresário também investiu em seu aprimoramento profissional. Depois da faculdade de publicidade, outros cursos vieram: design gráfico, marketing, cinema e planejamento estratégico. A ideia, neste caso, foi mesclar especializações ora voltadas ao mundo dos negócios ora à criação.

Os resultados chegaram de várias maneiras, através dos muitos prêmios que a agência já conquistou – no Brasil e no exterior – e também pelo simples reconhecimento do mercado. “É um orgulho ver que a empresa que montei em 1994 é respeitada pela qualidade do trabalho, mas também pela nossa conduta”.

Agora, Gabriel acredita que chegou a hora de expandir os negócios, atingir mercados fora do Rio de Janeiro e qualificar ainda mais seus colaboradores. Tudo isso ele pretende fazer seguindo a rotina de dedicação e trabalho duro, mas, claro, também perseguindo a tão falada qualidade de vida. “De que adianta trabalhar como um maluco para conquistar clientes e dinheiro e não ter tempo e saúde para aproveitar tudo isso?”, questiona.  

Por Talita Fusco

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