Fazendo e acontecendo

Victoria Ceridono, paulistana, 23 anos de idade, jornalista formada e apaixonada por maquiagem.

Redação
Publicado em 08/01/2010, às 15h10

“Isso não é profissão”; “Você tem que fazer algo que dê dinheiro”; “Quer ganhar para ficar se maquiando?”; “Faça disso um hobby”; “Você nunca será levada a sério”; “Não tem como se realizar profissionalmente fazendo isso”. Victoria Ceridono, paulistana, 23 anos de idade, jornalista formada e apaixonada por maquiagem, não confirma nem desmente ter ouvido frases como essas. Mas é possível imaginar que elas pautaram sua busca pela realização pessoal que por força do destino, e também da determinação hercúlea de Victoria, se abrigou na vida profissional almejada e conquistada. 

“Minha mãe só achava que eu era meio perua”, ri Victoria, como quem retoma uma memória alheia e totalmente fora de conjuntura. “Fiz jornalismo na PUC e aí sim, senti um pouco mais na pele esse preconceito com as áreas de moda e beleza. Simplesmente porque era como se elas não existissem na profissão. O que me deixava pasma, mas sempre achei que o problema era com eles e não comigo”. 

“Trabalhar com isso foi um processo natural para mim”, lembra a jornalista. Também natural foi a forma como o jornalismo se impôs para a jovem que já havia se decidido sobre quais rumos tomar, algo que assombra a maioria dos jovens em tempos de superinformação e crises econômicas.

“Cheguei a cogitar dermatologia, mas acabaria achando muito monótono passar os dias em um consultório. Como sempre gostei de ler e escrever, e de revistas femininas, resolvi fazer jornalismo”. Mas se entrincheirar no jornalismo, profissão que abriga sonhadores, poetas, escritores, escritores frustrados e mais um sem número de pessoas dispostas a mudar o mundo particular ao qual pertencem, não era o ponto final, o cume do Everest que Victória havia decidido escalar. Havia a premência de honrar seus anseios, sua ambição.   

“Achava a faculdade meio estranha e restrita. No primeiro ano pensava que teria que passar por um caderno de cidades de um jornal para chegar no meio onde eu queria. Mas por sorte, e porque as coisas não precisam ser como a faculdade faz parecer, arranjei um estágio no site da Glória Kalil, onde fiquei por três anos como repórter de beleza e moda”. Nesse período, Victoria teve um aprendizado mais intenso do que na faculdade e adquiriu a confiança para dar passos mais largos rumo a seus objetivos. 

Em 2007 em pleno calor do vulcão que é arrematar um trabalho de conclusão de curso, tocando um estágio e ainda dando inicio a um trabalho paralelo em uma revista feminina, Victoria impôs-se mais um desafio. Permitiu-se um afago. Desenvolveu mais um projeto. Nascia, da necessidade de ter um lugar para “mandar”, o blog Dia de Beauté, destinado a auxiliar mulheres em busca de dicas de maquiagem para as mais banais, e também para as mais emergenciais, situações cotidianas.

“O que eu senti desde o começo é que as brasileiras sentem falta de informações sobre beleza; e a vantagem do blog é que as informações parecem mais confiáveis, já que são frutos de uma visão pessoal”.  

23 anos de idade, trabalhando em duas das principais revistas de moda e beleza do país, Vogue e RG Vogue, com um blog que supera expectativas de audiência a cada dia e o gosto pelo que faz. Uma combinação que parecia improvável para toda uma faculdade, cujo respaldo é quase nulo.

“Meus professores não me desencorajavam. Simplesmente deixavam de considerar que esse meio existia no jornalismo. Era como se só existisse política, cotidiano e um pouco de cultura”.

Sobre o fato de estar, exatamente onde queria estar tão logo na emergente carreira, a jornalista teoriza: “Penso que o difícil mesmo não é conseguir trabalhar com o que gosta e sim saber do que gosta. Isso eu tive a sorte de saber desde cedo. Com certeza ainda tenho muita coisa para fazer”. 

Entre seus planos, está se dedicar mais ao blog, inegavelmente uma fonte de prazer. “Mesmo depois de dois anos ainda tem assuntos que eu não abordei, acredita?” Victoria não faz questão de esconder a alegria de ser ela mesma, do jeito que sonhou, do jeito que se desenhou; e emenda: “a gente aprende a ir atrás do que quer, né?” É. 

Reinaldo Matheus Glioche/SP

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