A voz dos concurseiros e concursandos

Com uma bagagem de sete concursos prestados para a área jurídica e a manutenção diária do Blog dos Concursandos e Concurseiros, Catia Pipoca tornou-se uma referência no setor das carreiras públicas.

Redação
Publicado em 14/01/2011, às 14h58

Com uma bagagem de sete concursos prestados para a área jurídica e a manutenção diária do Blog dos Concursandos e Concurseiros (http://catia-pipoca.blogspot.com), Catia Pipoca tornou-se uma referência no setor das carreiras públicas.

O apelido foi dado por uma amiga que identificou nela a agitação característica das filhas pequenas.

“Tentei fugir, mas não deu. O pessoal me olha e já começa com pipoca aqui e ali. Falam que eu sou um polvo”.

De alma leve e sorriso fácil, a concurseira aprendeu desde cedo a levar tudo no bom humor e com muita coragem, herdada principalmente do pai de criação e da avó.

Ainda criança começou a trabalhar com os outros sete irmãos para ajudar em casa. Era a forma encontrada de variar o cardápio de muitos dias: água, sal e farinha.

Também enfrentou trocas de cidade e país, devido às necessidades do pai chinês.

“Era horrível demais! Em apenas um ano chegávamos a mudar duas vezes. No entanto, apesar das poucas boas lembranças, posso dizer que soube aproveitar a minha inocência”, aponta, com os olhos avivados e distantes.

A paz que Catia tanto procurava só foi localizada em São Paulo. O encontro ocorreu em 2008, quando decidiu deixar Sorocaba e o emprego como gerente comercial de uma empresa moveleira, onde tinha uma penca de homens sob seu comando. E como ela gosta de mostrar a superioridade feminina!

Foi o pontapé inicial para tentar agarrar com unhas e dentes a estabilidade e o acolhimento da carreira pública, não importasse os obstáculos, mesmo porque sempre os teve como companheiros de jornada. E como não podia deixar de ser, foram eles os anfitriões na chegada à capital paulista.

“Quando eu entrei no mundo dos concursos me senti meio um peixe fora d’água. Não sabia quem era William Douglas, que cursos procurar, que livro comprar. Só para você ter uma ideia, entrei em um curso que faliu”.

Como uma autêntica virginiana, Catia buscou a ordem em toda a confusão e viu uma luz brilhar.

“A gente morre aprendendo, mas subindo um pouco o grau de conhecimento e apanhando bastante, as pessoas começaram a fazer perguntas. Foi aí que uma amiga sugeriu criar o blog para dividir experiências, responder dúvidas e disponibilizar material. Serei sempre grata a todos os amigos virtuais que conquistei e às pessoas que me acompanham de perto”.

Refazendo pela memória os primeiros passos na trilha dos concursos, Catia recorda a primeira vez prestou uma prova.

“Uma boba, com sintomas de diarréia e muita tremedeira. Se bem que dependendo de alguns certames ainda sinto isso”, se diverte. E continua: “a diferença é que hoje aprendi a ter mais paciência e saber esperar o meu momento. Hoje sei o quanto a persistência faz parte do meu caráter”.

Essa perseverança ela teve de mostrar a si mesma em dois momentos. O primeiro foi quando se deparou, adolescente, com a geração de um ser no ventre.

“Vim de uma família evangélica em que o fato de ver televisão já era pecado. Fui mãe muito jovem por ter sido criada para namorar pouco tempo e casar logo. Fiz uma péssima escolha e o que ficou de bom foi o meu lindo filho, que agradeço a Deus”, resume com sorriso nos lábios ao lembrar do menino, hoje com 17 anos.

A fé permanente e, para ela, a grande responsável pela motivação teve papel fundamental quando a vida colocou a persistência à prova pela segunda vez.

“Fiquei pouco mais de um ano deitada em cima de uma cama, desacreditada pelos médicos. Tinha perdido até mesmo o meu filho, porque não tinha condições de me cuidar, quem dirá de um menor! A dor física e espiritual que senti não desejo a ninguém. O desejo enorme de estar com meu filho me fez lutar o quanto pude. Como uma fênix renasci das cinzas, deixei mais de 12 compridos diários e entreguei minha fé totalmente a Deus”.

Nessa época a concurseira contou também com o apoio do antigo noivo, na época servidor da Receita Federal. “Foi um anjo na minha vida. Serei sempre grata por tudo que fez de bom”.

O nome da doença Catia não revela para não abrir feridas fragilmente cicatrizadas. Mas se ficaram marcas, também restaram ensinamentos.

“As dores me fizeram crescer e superá-las foi o marco para construir a coragem. Não tenho medo da vida.”

Certeza de como será a caminhada daqui para frente Catia Pipoca não tem. E nem poderia, com tantas surpresas. Mas está certa de que continuará batalhando os tribunais, depois de ter alcançado altas pontuações (na casa dos 85%) em concursos como o do TJ.

Também manterá a rotina de estudo, que já chegou a 12 horas diárias e hoje é equilibrada com os cuidados dispensados à saúde mental e física, à casa e à família.

Tudo isso para chegar a duas metas, que almeja concluir, respectivamente, em até cinco e dez anos: terminar o estágio probatório como servidora pública federal e adotar uma criança.

Por Pâmela Lee Hamer


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