Aprovação depende de estudo e comprometimento

Agente revela os principais segredos de sua preparação, que lhe rendeu uma vaga no último concurso da PF.

Redação
Publicado em 07/08/2009, às 14h59

Após um longo período de espera, saiu, enfim, o edital de abertura de um dos processos seletivos mais aguardados para esse ano: o concurso da Polícia Federal. Ao todo, a seleção oferece 600 oportunidades de trabalho, sendo 200 para agente e 400 para escrivão.

Os aprovados atuarão nas regiões de Mato Grosso do Sul e da Amazônia Legal, zona que compreende dez Estados brasileiros. Porém, o salário de R$ 7.514,33 deve atrair participantes de outras localidades.

A boa notícia é que a quantidade de vagas abertas até o momento representa somente 30% dos 2 mil empregos criados pelo Congresso e sancionados pelo presidente Lula. Isso significa que ainda falta sair a autorização para 500 vagas de delegado, 300 de perito criminal, 550 de agente e 50 de papiloscopista.

Diante de tanta expectativa envolvendo o concurso, o JC&E conversou com o agente da Polícia Federal Luiz Roberto Moreira, aprovado em primeiro lugar na última seleção para Foz do Iguaçu (PR), sobre a rotina de trabalho e detalhes de sua preparação para a conquista da vaga.

Preparação - Moreira conta que, devido aos seus 46 anos de idade, já não conseguia mais colocação no mercado de trabalho. Por esse motivo, resolveu dedicar-se ao concurso de agente da PF de 2004, alternando cerca de 8 horas por dia de estudos em casa, além de mais 4 horas de cursinho na Academia do Concurso Público (RJ).

Porém, todo esse esforço, segundo o agente, só foi possível por causa da ajuda de um amigo que o ofereceu um emprego que lhe permitia tempo para estudar.

Além da dificuldade financeira para manter o sustento da família, Moreira afirma que o maior obstáculo enfrentado durante a preparação para os concursos sempre foi a cobrança que ele mesmo criava sobre si. “Acabei me tornando o meu pior inimigo. Olhava para minha esposa e três filhos e pensava o quanto era importante ter condições de dar a eles uma vida digna e confortável.”

Carreira - No caso de Moreira, o dia-a-dia da profissão inclui o trabalho com a imigração, repressão ao contrabando e descaminho e repressão ao tráfico internacional.

Na carreira de agente de Polícia Federal, inicia-se como agente 3ª classe chegando, após 15 anos, a agente especial. No entanto, ele faz um alerta: “as funções são exercidas por quem tem capacidade e não por tempo de serviço”.

Com formação superior em Ciências Contábeis, ele explica que o Departamento de Polícia Federal possui diversas atribuições, necessitando de pessoas com as mais variadas formações e características. Portanto, na sua opinião, os elementos mais importantes que o candidato deve ter para almejar uma vaga são caráter e boa índole.

Satisfeito com a atuação na função que exerce dentro da PF, Moreira completa: “Não me lembro em minha vida de um esforço tão bem recompensado como o de passar nesse concurso. Hoje, consigo dar à minha família uma vida melhor e viver ao lado deles momentos de alegria que antes não ousava pensar por falta de tempo e dinheiro.”

Em busca da vaga - Uma oportunidade de trabalho na Polícia Federal é sempre alvo de muita concorrência. Para se ter uma ideia, no último concurso foram mais de 180,7 mil inscritos disputando 2.515 chances no total. O cargo de agente, por exemplo, contou com 56,13 candidatos por vaga e o de escrivão, 40,25.

Ana Claudia Neves é uma das participantes que tentará pela segunda vez o tão sonhado posto de agente. Ela conta que o principal motivo de sua reprovação na outra oportunidade foi não ter se preparado corretamente. “Hoje vejo que para conseguir a vaga é necessário fazer um curso, possuir um material adequado e, principalmente, iniciar os estudos com antecedência.”

Professor dá dicas de estudo para candidatos

A seleção dos concorrentes às vagas de agente e escrivão costuma ser muito longa e com alto grau de dificuldade. Para tranquilizar os participantes, o professor João Luiz Lasmar afirma que a melhor forma de preparação é priorizar o estudo através de questões de provas anteriores, mesmo que sejam de outros cargos ou nível. “Este método ajuda a acelerar o processo de aprendizado e se acostumar com as características de prova do organizador do concurso, no caso o Cespe/UnB.”

Lasmar sugere que os candidatos enfatizem o estudo em matérias que são a espinha dorsal da maioria dos processos seletivos, ou seja: português, informática, direito administrativo, direito constitucional, direito penal, direito processual penal e redação.

Vale ressaltar que as avaliações objetivas e discursivas estão marcadas para o próximo dia 13 de setembro.



Raoni La Scala/SP

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Polícia Federal: Abertas as inscrições para 600 vagas de agente e escrivão

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