Área jurídica: salário compensa concorrência

Os aprovados terão boa remuneração, estabilidade, e diversos benefícios

Redação
Publicado em 03/12/2008, às 15h26

O Brasil possui um número excessivo de bacharéis em Direito, o que torna os salários baixos para boa parte dos Advogados que trabalham na iniciativa privada. Dessa forma, muitos almejam uma vaga no serviço público – e, assim, a concorrência torna-se a cada dia mais acirrada.

Segundo o professor de Direito Civil da faculdade Damásio de Jesus, Vitor Kumpel, a disputa por uma vaga nos concursos públicos tem sido cada vez maior e a tendência é aumentar. “No período de turbulência em que estamos vivendo, passa a ser um sonho do cidadão não ficar ao sabor de um mercado tão turbulento. O grau de concorrência tem sofrido notória majoração em todos os âmbitos, quer nos concursos que exigem apenas o primeiro grau até os que exigem curso superior. Mas, pelos altos salários e benefícios oferecidos, vale a pena se esforçar para conseguir uma vaga”, afirma Kumpel.

Hoje em dia, os concursandos da área jurídica fazem parte de um público heterogêneo, que vai desde um recém-formado até pessoas com 45 anos de idade. A maioria cansou de sua outra atividade jurídica e deseja alcançar uma estabilidade maior na carreira.

Cargos mais disputados

Os concursos na área com maior número de candidatos são os de Analista Judiciário e Procurador Federal. Há também muitas vagas para a Advocacia Geral da União (AGU), que necessita de advogados para defenderem os interesses da União, judicial e extrajudicialmente. Os cargos de Juiz Substituto de Direito, federais e trabalhistas, membros do Ministério Público e serventuário da justiça também são muito almejados.

“O cargo mais requisitado é o de Analista Judiciário, pois muitos recém-formados começam a carreira como Analistas de Tribunais para futuramente pleitearem um cargo com que se identifiquem mais”, relata a professora de Direito Constitucional e Processual Penal do Obcursos, Denise Vargas.

Há casos de trezentos candidatos por vaga. Entretanto, muitos são os candidatos e poucos são os realmente preparados. Para Denise, muitos concursandos acreditam que a prática forense resolverá a sua aprovação no concurso ou que um cursinho será a solução. Mas, segundo ela, apenas cerca de 5% têm efetiva condição de aprovação nos concursos.

Longa estrada

O Dr. Fabio Franco de Camargo, que foi aprovado no último concurso de ingresso à Magistratura de São Paulo, incentiva os candidatos a persistirem no seu objetivo. Atualmente ele exerce a função de 3º Juiz Substituto da Circuncisão de São Bernardo do Campo. Para ingressar na área pública estudou exatamente três anos e três meses, totalizando aproximadamente seis mil horas de estudos. “De segunda a sábado estudava seis horas por dia mais três horas aos domingos, sem contar as aulas do cursinho. O lazer foi postergado. Quase não me divertia. No entanto, como sempre gostei de estudar, havia enorme satisfação durante todo esse período de preparação”, relata. O juiz acredita que a preparação em um cursinho, o contato com professores experientes e com colegas concurseiros torna-se fundamental neste período.

Seja qual for o cargo desejado, o candidato tem que se programar para alcançar o seu alvo. Para a professora Denise Vargas, o primeiro passo é conscientizar-se que a estrada é longa. Em média demoram-se três anos para atingir a aprovação nos cargos mais concorridos. “Para se dar bem nos concursos os candidatos precisam traçar uma meta, escolhendo os cargos que desejam; estudar com profundidade o último edital; escolher uma boa bibliografia, com dois livros no máximo de cada disciplina. Além disso, recomendo ler diariamente a legislação e resolver provas anteriores”, afirma Denise.

O professor Kumpel acrescenta que é necessário controlar a ansiedade e estudar todo o conteúdo até compreendê-lo e ter segurança do tema estudado. “É fundamental aprender a gostar de estudar, a ponto de não ter pressa para passar no concurso. Se o candidato for obstinado, tiver disciplina, organização e método não há chances de não alcançar uma vaga na área pública”, conclui.

Samantha Cerquetani

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