Nem é preciso ter nível superior!

Cada vez mais profissionais optam pela segurança do emprego público e não rejeitam sequer vagas que, teoricamente, estariam aquém de sua capacidade

Redação
Publicado em 17/01/2012, às 15h43

Cláudia Jones

A possibilidade de ganhos de R$ 6 mil iniciais, mais benefícios, aliada à estabilidade de emprego e aposentadoria com qualidade de vida, vem empurrando uma multidão de candidatos para as salas de aula em busca de concursos públicos que exigem apenas nível médio. Os vencimentos, muito acima da média paga na iniciativa privada, transformaram a seleção em um processo altamente concorrido, inclusive por candidatos com nível superior.

Os maiores salários são a preferência desse tipo de concurseiro, que normalmente entra uma vez só na luta pela vaga. O concurso com exigência de nível médio também pode ser uma “saída paliativa” para quem quer se colocar no mercado de trabalho, ganhar algum dinheiro, pagar os estudos e continuar tentando concursos mais promissores, às vezes de nível superior.

Há concursos com salários de R$ 1,5 mil e de R$ 3 mil  que costumam atrair uma gama enorme de candidatos que busca uma saída rápida para sua crise pessoal. Vale lembrar, no entanto, que os salários podem dobrar se somados os benefícios.

Muitos estudantes começam com um concurso “mais simples”, de remuneração mais “baixa”, e vão buscando outros com salários mais altos, de R$10 mil, por exemplo. Com a insatisfação provocada pelos baixos salários na iniciativa privada e a falta de estabilidade, cada vez mais profissionais, muitas vezes altamente qualificados, optam pela segurança do emprego público e não rejeitam sequer vagas que, teoricamente, estariam aquém de sua capacidade devido à formação escolar. No entanto, o que vale para eles é o contracheque no fim do mês e um projeto devida a longo prazo.

Engana-se quem acha que esses concursos se limitam mesmo a quem tem apenas nível médio. Não! Muitos universitários estão indo nessa direção, ou até mesmo graduados. A ideia, me dizem, é começar, entrar na administração pública e depois...crescer.

Cláudia Jones, especialista da Academia do Concurso

Comentários

Mais Lidas