Qual a melhor forma de estudar?

A melhor forma de estudar é aquela que funciona para você! Sim, a forma que mais funciona é a que te gera o melhor resultado, e isso varia de pessoa para pessoa

Redação
Publicado em 13/05/2015, às 14h56

Daniel Sena

Um dia desses, ao acordar, li uma reportagem muito motivadora do ex-borracheiro Rolando Valcir Spanholo, que se tornou juiz federal aos 38 anos de idade. A parte mais interessante da reportagem é que ao longo de quatro anos de estudo, Spanholo acumulou 200 quilos de resumos. Sim, para se tornar juiz federal ele estudou quatro anos e fez resumos que pudessem ajudá-lo nos estudos. Esse caso me remete à principal pergunta que me fazem ao longo dos vários anos trabalhando com concurso público: qual a melhor forma de estudar?

Quando me fazem essa pergunta o único interesse que existe é em saber qual a melhor técnica de estudo, aquela que trará a aprovação mais rápida. Quando alguém me questiona sobre isso é porque deve ter percebido que a sua forma não está dando certo. A pessoa quer, na verdade, o resultado.

A melhor forma de estudar é aquela que funciona para você! Sim, a forma que mais funciona é a que te gera o melhor resultado, e isso varia de pessoa para pessoa.

A pedagogia poderia falar melhor sobre as diversas formas de aprendizagem. Como não sou pedagogo (ainda), não entrarei nessa seara, mas compartilharei minha experiência de aprendizagem no universo dos concursos públicos. Como eu acredito que a melhor forma de estudar é a que funciona para você, não trabalharei aqui em um modelo único e correto de estudar, pois isso contraria o que eu acredito, mas compartilharei as coisas que aprendi ao longo da minha caminhada e que servirão de proposta para o seu projeto de estudo.

Eu poderia resumir a minha experiência de estudo em um teorema: CONHECER >PRATICAR > REPETIR. Isso funciona para mim e tem funcionado bem para meus alunos. E não é porque eu tenha descoberto uma forma poderosa e revolucionária de estudar. Simplesmente eu adaptei uma metodologia que está ligada à neurologia humana. Toda forma de conhecimento se aperfeiçoa com esse processo, em qualquer área. Pense em você, quando aprendeu a dirigir ou a cozinhar. Agora pense na primeira vez em que entrou em um carro e o instrutor lhe explicou para que serviam aqueles pedais. Essa foi a fase do conhecimento. Você deve se lembrar que o simples conhecer não foi suficiente para aprender a dirigir e sua primeira experiência deve ter sido desastrosa. Mas aí você partiu para o segundo passo, que era praticar. E quando você praticou, o conhecimento começou a fazer mais sentido. Mas o que o tornou um motorista melhor certamente foi a repetição desse processo. O que te fez aprender a dirigir foi a repetição do conhecimento e da prática. Esse processo não é privilégio seu. Como já falei anteriormente, isso está atrelado à neurologia humana e todos reagimos da mesma forma.

Saber disso é algo fantástico quando se estuda para concurso público, pois você começa a perceber que a aprovação não é algo que dependa da sorte ou de uma escolha divina. A aprovação depende de um simples processo neurológico constituído de três fases: CONHECER > PRATICAR > REPETIR.

Mas como conhecer a informação que você precisa para ser aprovado? Estudando! Não existe outra forma de conhecer sem estudar. Aqui, o trabalho requer esforço, concentração, gasto de energia, foco e determinação. É a parte mais difícil,não porque estudar seja difícil, mas porque requer disciplina. Somente um estudo disciplinado produz um resultado positivo.

Mas como estudar? Sugiro que o conhecimento seja adquirido de algumas formas. Primeiro considero fundamental ter aulas em um cursinho preparatório. E por que um cursinho pode ajudá-lo? Porque é lá que os professores especializados dirão o que importa conhecer de verdade. Se você pegar um edital e o conteúdo de língua portuguesa, por exemplo, o que é importante ser estudado? Como você não sabe, provavelmente comprará uma gramática para lê-la do início ao fim, como fez a vida toda, e provavelmente você não entenderá nada, como aconteceu a vida toda. Aí, se você não entender nada, achará que passar em concurso público é algo muito difícil e desistirá. É isso que acontece com a maioria das pessoas que presta concurso no Brasil. Elas veem um edital com remuneração atrativa, compram uma apostila na banca de revista e vão para a prova. Levam uma surra, erram tudo e desistem porque acham aquilo difícil. E o que ocorreu, na verdade, é que a pessoa precisava de orientação para estudar. Só isso! Então sugiro que você faça um bom cursinho, com bons professores e que tenha um bom material didático. Assim, o conhecer será mais eficiente e encurtará o seu caminho rumo à aprovação.

Uma vez conhecendo a informação, será preciso praticá-la. Como fazer isso? Só tem uma forma de praticar a informação adquirida nos estudos: fazendo muitos exercícios. Você deve fazer exercícios das provas anteriores. De preferência, faça exercícios da mesma banca organizadora que fará a prova para a qual você está se preparando.

Também existem vários livros e apostilas com questões comentadas que podem ajudá-lo nesse processo. Mas acima de tudo, faça muitos exercícios! Quanto mais exercícios você praticar, mais forte você ficará, pois é a prática que aperfeiçoa qualquer área de conhecimento.

Depois que você fizer tudo isso, repita todo o processo. A repetição gera uma coisa que chamo de sobreposição de conteúdo. É como uma pintura de parede: se você der uma demão de tinta, a parede será pintada, mas a pintura não ficará boa, ficará com falhas; se pintar uma segunda vez, a pintura ficará melhor. Quanto mais tinta você passar, melhor ficará a pintura. Quanto mais vezes você repetir o conhecimento e a prática, melhor ficará essa informação em sua mente.

E é assim que eu estudei, é assim que aconselho meus alunos a estudarem e é assim que compartilho com você o que considero a melhor forma de estudar.  

Daniel Sena é diretor do AlfaConSão Paulo, professor de direito constitucional e especialista em concursospúblicos.

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