O que podemos aprender com a seleção brasileira?

O responsável pela aprovação é quem faz a prova. Só o candidato tem poder para mudar tudo.

Redação
Publicado em 16/07/2014, às 10h49

Daniel Sena

No último dia 8, o país inteiro assistiu a seleção brasileira ser eliminada da Copado Mundo em casa. Nesse dia, as redes sociais explodiram de comentários dos mais variados tipos, desde críticas com cunho político até piadas envolvendo os jogadores, outros times e a presidenta da República.

Eu gostaria de fazer uma breve reflexão deste dia com a vida de quem estuda para concurso, pois o que ocorreu foi exatamente o que acontece com quem encara o desafio de se tornar servidor público.

A primeira coisa que eu gostaria de analisar é o jogo em si. Todo jogo tem apenas dois resultados possíveis: ganhar ou perder. Se um time ganha, obviamente o outro perde. E não adianta ficar levantando diversas teorias para a derrota do Brasil. A seleção brasileira perdeu pelo simples fato de ter encontrado pelo caminho um time que jogou melhor. Poderia nem ser um time melhor do que o Brasil, mas que naquele dia jogou melhor. O dia do jogo é o que importa. O Brasil é o maior campeão do mundo em todas as Copas, mas isso não fez diferença. Quem quer ganhar tem que ganhar no dia do jogo. A Copa, por ser no Brasil, fez com que a seleção tivesse a maior torcida em todos os jogos, mas só a torcida não fez diferença. Ganha o jogo quem está no campo.

Fazendo a primeira analogia, quem estuda para concurso vive uma vida idêntica com a desses jogadores, exceto pela remuneração. Quando você encara uma prova, só existem dois resultados possíveis: ser aprovado ou não. Por mais que todos desejem a aprovação, não existe vaga para todos e apenas os melhores passam. E não adianta já ter passado em vários concursos. Cada prova é uma prova! Se quiser passar, terá que ser o melhor naquele concurso. O responsável pela aprovação é quem faz a prova. Só o candidato tem poder para mudar tudo.

Voltando à seleção, no dia do jogo com a Alemanha, dois fatores foram essenciais para a derrota do Brasil. Primeiro, é indiscutível que a Alemanha jogou melhor, até para quem é leigo em análises futebolísticas. Por outro lado, o Brasil jogou muito mal. Mesmo que a Alemanha tivesse jogado bem, mas o Brasil não tivesse cometido tantos erros, ainda haveria chance de vitória. Do jeito que foi, ficou claro que a cada erro cometido pelos jogadores, a seleção alemã aproveitava para fazer o seu gol. E só não fez mais porque o jogo acabou.

Na caminhada de concurseiro, o que mais nos aproxima de um resultado positivo é a capacidade de corrigir os erros. Quanto mais erros você corrige, mais forte você fica. Vejo alunos que rasgam a prova depois de um concurso, outros jogam fora os simulados e não têm a oportunidade de rever onde erraram. É corrigindo os erros que identificamos nossas fraquezas. Quando identificamos os pontos fracos,criamos a possibilidade de melhorar a estratégia de estudo aperfeiçoando o nosso desempenho e crescendo. É assim que construímos uma caminhada de aprovações, corrigindo nossos erros dia após dia.

Ainda relembrando o jogo, o que mais doeu no coração dos brasileiros foi o resultado:sete gols da Alemanha contra um do Brasil. E o pior foi que no primeiro tempo a seleção alemã conseguiu fazer cinco gols em 30 minutos. Imaginem como isso pesou emocionalmente sobre os jogadores. Sem falar na ausência do Neymar, que já havia pesado sobre eles. Se para nós foi angustiante ver aquilo, imagine para quem viveu aqueles 30 minutos essenciais.

Um dos maiores inimigos de quem estuda para concurso é o equilíbrio emocional. Você precisa desenvolvê-lo urgentemente, senão nunca chegará à aprovação. Tem que saber perder, tem que conseguir dar a volta por cima depois de uma derrota, tem que administrar o tempo, tem que ter motivação para continuar sempre e tem queignorar a pressão externa. A motivação é um fator que, por vezes, é mais importante do que o seu conhecimento. De nada adianta saber tudo e ficar nervoso na hora da prova. O resultado não aparecerá.

Para finalizar a análise deste jogo, no final, o técnico teve uma atitude linda,indo de jogador em jogador consolando e tentando trazer ânimo. Na sua entrevista após o jogo, mesmo com toda a pressão da torcida, assumiu o erro pela derrota e já olhou para frente, pois ainda teria o jogo para disputar o terceiro lugar.

Quem estuda para concurso não pode perder tempo se lamentando pelas derrotas. Tem que dar a volta por cima. A resiliência aqui é fundamental, pois você pode perder na maioria das vezes. Então, se você decidir entrar nesse caminho, prepare-separa perder. Ganhar pode ser difícil, mas saber perder é muito mais difícil.

Feitas as minhas considerações sobre a relação desse jogo com o jogo da nossa vida de concurseiro, gostaria de finalizar com uma frase que foi gritada várias vezes nessa Copa e que ilustra o melhor espírito de quem deseja vencer na vida: “Eu sou brasileiro e não desisto nunca!”

Daniel Sena é diretor do AlfaCon São Paulo, professor de direito constitucional e especialista em concursos públicos.

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