Percepções particulares e a produção do conhecimento

Naturalmente que nenhum projeto prospera se nele não contiver a aplicação, e é exatamente esse ponto a destacar, a didática envolvida, aquela que vem sendo realizada na sua rotina.

Redação
Publicado em 24/11/2011, às 16h32

Luiza Ricotta
Certamente você que tem como propósito profissional o ingresso na carreira pública, terá que considerar muitos aspectos. Muitos deles nem mesmo dimensionados, para não dizer conhecidos. Já temos clareza do quanto os processos emocionais, psíquicos e pedagógicos estão envolvidos na atmosfera e órbita do candidato, mas desconhecemos o impacto que tais influências venham a produzir em sua performance. Trata-se de lidar com o imponderável e até mesmo de considerá-los aspectos questionáveis em razão da dificuldade no que tange ao controle das variáveis que vão abrindo caminho para a aprovação.
Naturalmente que nenhum projeto prospera se nele não contiver a aplicação, e é exatamente esse ponto a destacar, a didática envolvida, aquela que vem sendo realizada na sua rotina.
Descartar esse aspecto ou mesmo não valorizá-lo suficientemente é um modo de subestimar as demais implicações que estão inseridas na evolução do aprendizado: - a formação de um pensar coerente e fluído que é capaz de formular novas constatações do mesmo tema, assunto ou disciplina, possibilitando refletir sobre o conteúdo que está sendo absorvido, fazendo associações, agrupando-os e discriminando, como os organizando em categorias. Concluindo e desenvolvendo novas respostas. Isso é perceptível nos casos de profissionais, que, ao se deparar com seus desafios pessoais, confundindo e algumas vezes não tendo a compreensão clara do enunciado da prova, em razão de uma não compreensão anterior, ocorrida no momento do estudo. Fazendo-o concluir erroneamente no caminho do pensamento que foi estabelecido, travando o candidato que quer acertar a questão. Lutam com a certeza de quem estudou, porém encontrando os desafios que as perguntas em provas irão direcioná-lo. Só mesmo com a disposição de identificar as respostas, como quem busca decifrá-lo. Necessitando antes: pensar, reflexionar sobre as questões e mais precisamente com o enunciado apresentado.
Tudo poderá parecer sutil mediante a concretude que os resultados em prova solicitam: o score, a nota de corte, que na verdade não representam um marcador único e específico da eficácia do candidato. Não há como medirmos a competência de alguém pelo código único da nota, até porque muitos destes aspectos envolvidos são implícitos.
O que dizermos das provas dissertativas que em muito apresentam uma forma de pensar do candidato, mas que esbarram na compreensão técnica do avaliador, que lê, reflexiona sobre a resposta apresentada e formula juntamente com o seu conhecimento, aquilo que acaba se tornando no processo do conhecimento, uma nova junção deste saber, considerando suas tendências, formação e conclusões que acaba por fazer mediante a compreensão das respostas que os candidatos formulam mediante sua compreensão e interpretação. No processo do saber, cada qual apresenta uma direção que certamente irá confluir para pontos comuns, o que não corresponde a entender que o candidato tenha errado, mas feito leituras conforme a linha de pensamento estabelecida. São essas múltiplas visões que estão sendo referidas neste processo de avaliação: a junção da compreensão do candidato com a do avaliador, que sobrepostas, produzem novos direcionamentos através das  percepções particulares que circulam no universo do conhecimento. 
Luiza Ricotta é psicóloga. Trabalha com o desenvolvimento pessoal e profissional de candidatos. Formação em Coach - Instituto Holos BR. Mestre – Mackenzie, SP. Pós-graduada em Terapia Familiar PUC/SP.  Profª universitária, de cursos preparatórios e de pós-graduação e também da área Vip JC; autora de livros entre eles “Preparação Emocional em Concursos: equilíbrio e excelência”. SP: Rideel Ed., 2011 entre outros. Email: luizaricotta@hotmail.com. Twitter: @luizaricotta

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