Nem pressão de mais... nem de menos

Existe um outro preparo que não pode ser ignorado ou deixado para depois: o psicológico do candidato. E hoje, falarei um pouco mais sobre esse assunto, o lado psicológico do candidato durante sua jornada.

Redação
Publicado em 12/08/2011, às 17h05

William Douglas
Quase sempre, quando se fala em concursos públicos se dá maior enfoque às técnicas de estudo e ao investimento contínuo na preparação para os certames. Estes são, sem dúvida, assuntos essenciais para o concurseiro, mas não se pode esquecer que, do outro lado da jornada para o cargo público, existe um outro preparo que não pode ser ignorado ou deixado para depois: o psicológico do candidato. E hoje, falarei um pouco mais sobre esse assunto, o lado psicológico do candidato durante sua jornada.
A preparação para concursos pode ser, em muitos aspectos, comparada à criação dos filhos ou ao uso do sabonete durante o banho: se você não segura bem firme, escorrega da mão, no entanto, caso aperte com força demais, sai voando para longe o que torna difícil prosseguir. A metáfora pode parecer inusitada e engraçada a princípio, mas expressa uma realidade bastante séria: no preparo para concursos é preciso ter cuidado para, por um lado, não deixar que o estudo seja substituído por distração, festas e procrastinação e, por outro, não deixar que se torne um fator a mais de estresse que tire o proveito do estudo.
O estudo e a dedicação são necessários, são prioritários, mas é preciso, também, estudar de maneira eficiente, levando em conta alguns cuidados fundamentais como atenção para não perder o foco ou, pior, ter uma estafa, surtar; afinal, a qualidade do estudo é, na grande maioria dos casos, mais importante que a quantidade de horas passadas em frente ao material de leitura/didático, se forem horas passadas sem proveito.
Em meu livro Como Passar em Provas e Concursos, apresento as diferenças de um estudo com qualidade e a quantidade de horas de estudo, muitas vezes confundidas, e quebro alguns mitos como, por exemplo, aquele de que quem não estuda em média oito horas por dia não será aprovado. A preparação vai variar de pessoa para pessoa, assim como as horas de estudo e a melhor técnica.
Se você está se preparando, agora, para concursos já deve estar experimentando a pressão das cobranças externas e até mesmo pessoais, dos prazos, do pouco tempo, do desestímulo que muitas vezes bate à porta... caso contrário, deve estar fazendo algo errado e é preciso mudar. Essa pressão é benéfica, é um termômetro para verificar o nível de comprometimento com o seu sonho e com a sua preparação, com seu futuro cargo. No entanto, se essa pressão está se tornando insustentável e angustiante e tem transformado seu sonho em um verdadeiro pesadelo, talvez seja o momento de diminuir um pouco o ritmo, a hora de ir com um pouco mais de calma nos estudos porque tem algo sendo feito de forma errada.
Para que o estudo seja produtivo (com qualidade além de quantidade) é necessário ter equilíbrio na vida e nas atitudes. Não se pode esquecer que um bom quadro-horário sempre prevê muitas horas de leitura e de estudo, mas também indica tempo de descanso, de lazer, de convívio familiar, de atividade física e de alimentação – saudável, se possível – itens indispensáveis para a boa preparação, posto que são as fontes de sua motivação e aqueles nos quais você irá procurar o apoio nas horas mais tensas.
Passar um tempo com os filhos e com os pais pode ajudar bastante na medida em que traz a tranquilidade necessária para seguir em frente. Sair com amigos ou pegar um cinema com a namorada também tem esse efeito. Tudo com a medida correta, não se pode esquecer totalmente do estudo, apenas relaxar nas horas em que a pressão se tornar insustentável. Conheço casos de concurseiros que sempre estavam em período de relaxamento e ficavam insatisfeitos com os resultados obtidos nas provas. Não se pode esquecer que para passar, deve se pagar o preço.
É de extrema importância que o candidato cuide de sua saúde e bem-estar para conseguir o equilíbrio necessário para atingir sua meta. Ter em mente o ditado “mente sã, corpo são”, que sempre repito em minhas palestras e uso em minha vida, pode ser um bom pontapé inicial na hora de estabelecer suas prioridades no caminho para alcançar a almejada estabilidade do cargo. Lembre-se de alternar momentos de uma boa pressão com momentos de relaxamento, um bom indicativo de que você está tomando as rédeas do seu preparo e a melhor dica nessa hora é: segure firme! Não deixe seu momento escapar.
William Douglas é juiz federal, professor universitário, palestrante e autor de mais de 30 obras, dentre elas o best-seller “Como passar em provas e concursos” – www.williamdouglas.com.br

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