Sorte e azar em concurso público

Até que ponto a sorte ou o azar influenciam? Na minha opinião, fruto de anos de observação, estes fatores existem e, sim, podem aumentar ou reduzir a nota de alguém.

Redação
Publicado em 16/09/2011, às 16h54

William Douglas Até que ponto a sorte ou o azar influenciam? Na minha opinião, fruto de anos de observação, estes fatores existem e, sim, podem aumentar ou reduzir a nota de alguém. Ou seja, podem representar aprovação ou não em determinado certame. Contudo, a sorte não será o suficiente para alguém mal preparado passar, ou o azar o que impedirá alguém bem preparado de ser aprovado. O azar pode influenciar em um concurso ou outro, mas não acontecerá em todos.
O prazo também tem íntima relação com a sorte e o azar, ou seja, com o imponderável. É possível que estes fatores ajudem ou prejudiquem, residindo a solução em uma preparação que torne menor a sua influência. A sorte consiste em sair-se bem quando a probabilidade maior era contrária, e o azar, em ter algum revés quando as probabilidades eram favoráveis.
Em concursos públicos, assim como na vida, existe uma margem de atuação do imponderável, isto é, de circunstâncias aleatórias que influenciam os acontecimentos. Se a pessoa sabe 100, que é o conhecimento que, em determinada prova, é necessário para acertar metade da prova e passar, as mensuráveis variações do imponderável podem fazer com que sua nota varie de 3,5 a 6,5. Há uma margem de variação de 10 a 30% para cima e para baixo. É possível que alguém saiba 40, dê sorte e passe, e outro saiba 60, dê azar e seja reprovado.
O azar acontece quando, embora preparados, por algum motivo não rendemos o suficiente na hora da prova. Para você não depender do imponderável, da álea (sorte/azar), você precisa saber, por exemplo, o suficiente para tirar 8,0. Mesmo que caia o que você saiba menos, que o examinador seja rigoroso, que você não esteja num dia muito bom etc, você vai passar.
Tirando isso, é certo que você, se já souber 50, não vai dar azar sempre. Eu sempre pedi a Deus que me ajudasse, abençoando-me e protegendo-me do azar, do imponderável. E Deus ajuda a quem pede.A Bíblia também diz para fazermos a nossa parte. Nossa parte é estudar o suficiente para ter conhecimento além da “conta do chá”. Outra coisa a fazer é treinar as técnicas para realizar provas, a fim de evitar queda de desempenho na hora do certame. Existe aquela velha máxima: “treino é treino, jogo é jogo”. Se os jogadores de futebol dizem que no jogo se rende mais, em concursos a tendência é que, no “jogo”, haja uma queda de rendimento. É por isso que existe o “dar um branco”, o ficar nervoso, o se enganar etc. O treino fará com que a queda de rendimento seja cada vez menor. Depois de algum tempo é possível ocorrer até mesmo um ganho de rendimento na hora da prova. Até porque, como todo mundo sabe, o melhor é o jogo.
O acaso tem alguma participação nas listas de aprovados. Quem não sabe nada nem a sorte pode ajudar, mas quem sabe um pouco às vezes dá sorte e passa logo. O que posso recomendar é: se a sorte ajudar, ótimo; se ela não ajudar, vença-a.
Poucos sabem que o outro lado da moeda, o azar, é um termo com conotação técnica. No exame das provas no processo penal, chama-se azar o conjunto de fatores aleatórios que eventualmente indicam como autor de um crime uma pessoa inocente. Para o Aurélio, azar significa “fortuna adversa, revés, fatalidade, infortúnio, casualidade, acaso, má sorte ou infelicidade constante em acontecimentos fortuitos ou em tudo que se intenta”. Claro que eu desejo sorte para meus alunos e amigos, mas o que desejo mais é que estejam bem preparados para a prova, o que abrange a matéria do programa e as técnicas para realizar a prova.
Um infortúnio pode atrapalhar, mas, se você for firme em seus propósitos superará o problema. Este infortúnio pode ser dentro do microcosmo da preparação (mudar a matéria, acidente no dia da prova etc) ou em sua vida pessoal, como doenças ou coisa parecida. Entre esses problemas podemos citar a depressão ou a afasia, um grande desânimo, ou a síndrome de Burnout. Com uma boa administração do tempo, exercícios físicos e disposição, estes problemas podem ser superados.
O fato é que o azar e a sorte fazem parte do jogo, não só dos concursos como também da vida. Para nos prepararmos para eles, não podemos ficar nos preocupando se aparecerão ou não. Devemos, sim, esperar o melhor e nos preparar para o pior, estarmos prevenidos e fazer nossa parte: estudo e persistência. 
Um outro conceito de sorte diz que ela nada mais é do que a oportunidade de encontrar alguém preparado. Esteja preparado que a oportunidade vai achar você.  Nesse passo, os vikings diziam que "a vitória e a derrota pertencem aos deuses, alegremo-nos com a batalha". Sob certo aspecto, é o que nos cabe: não ficar pensando em relação candidato/vaga, em fraude, em problemas... apenas fazer nossa parte, nossa batalha é estudar e treinar. Desejo boa sorte a todos, mas não devemos ficar dependentes dela. Temos que estudar o programa todo, treinar muito e ir para a prova para gabaritá-la. Mirar as estrelas para acertar ao menos a lua, como já foi dito.
Para quem gosta de Bíblia, vale a pena citar Deuteronômio capítulo 18, Provérbios 10:22 e, por fim, Provérbios 21:31, que diz: "prepara-se o cavalo para o dia da batalha, mas do Senhor vem a vitória". Eu não me preocupo se você terá alguns reveses. Felicidade não é o resultado das circunstâncias, mas como você administra as circunstâncias; não é o resultado do que acontece com você, mas o que você faz com o que acontece com você.
Desejando boa sorte e, mais que ela, boas e honradas batalhas, receba o abraço de seu colega concurseiro,William Douglas William Douglas é juiz federal, professor, "guru dos concursos", especialista em políticas públicas, www.williamdouglas.com.br

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