Linguagem coloquial e culta nos concursos

A Professora Sandra Ceraldi Carrasco conversa com você nesta semana sobre os dois níveis da fala e a importância de saber usá-los corretatamente, principalmente em provas de concursos

Redação
Publicado em 12/07/2012, às 12h34

Sandra Ceraldi Carrasco

A Professora Sandra Ceraldi Carrasco conversa com você nesta semana sobre outras temáticas importantes da Língua Portuguesa e apresenta algumas dicas para auxiliá-lo em seus estudos. Acompanhe o comentário importante da especialista sobre a linguagem coloquial e a normativa!

Os dois grandes níveis de fala, o coloquial e o culto, são determinados pela cultura e formação escolar dos falantes, pelo grupo social a que eles pertencem e pela situação concreta em que a língua é utilizada. Por isso, um falante adota modos diferentes de expressão dependendo das circunstâncias em que se encontra. É nesse contexto que a língua evolui, transformando-se foneticamente, adquirindo novas palavras, rejeitando outras e a fala do indivíduo modifica-se de acordo com sua história pessoal, suas intenções e sua maior ou menor aquisição de conhecimentos. O nível culto (utilizado em ocasiões formais) vai se distanciando da realidade e as regras e normas já consagradas ficam guardadas nas gramáticas clássicas, sujeitas a críticas de alguns autores modernistas que as nomeiam de “naftalinas”. Mas, em concursos públicos e provas seletivas, as normas são cobradas, então vamos relembrar alguns tópicos interessantes e muito problemáticos no dia-a-dia.

Você se recorda da diferença que existe entre “mau” e “mal”? Então memorize! No lugar de MAU, substitua-o por BOM, que é um adjetivo. Para MAL, troque-o por BEM, que expressão adverbial e veja como é fácil: ”O mau-humor do candidato será mal visto pela banca examinadora, pois está mal-humorado”. Substituindo por seus antônimos teremos: “O bom-humor do candidato será bem visto pela banca examinadora, pois está bem-humorado”. Observe como é fácil e eficaz a substituição dos vocábulos por seus antônimos. Siga sempre essa dica e não erre mais!” 

E o que é correto? Chegou em casa muito estressado ou Chegou a casa muito estressado? Se você não tem habilidade com as preposições que na língua indicam movimento e estaticidade, a dúvida pode surgir e o erro será fatal. Na linguagem cotidiana é comum “Chegou em casa muito estressado”, mas cuidado, o verbo chegar exige a preposição “a” pois indica movimento, deslocamento; ao passo que a preposição “em” indica estaticidade, portanto não posso dizer que chegou no banco, no escritório, pois quem chega, chega a, então o correto é: “Chegou a casa muito estressado”. Não confunda com as situações: “Ele mora na rua José Bonifácio”, “O escritório situa-se no centro de São Paulo” e “Ele reside no bairro da Liberdade”, pois esses verbos em suas expressões adverbiais estáticas exigem a preposição “em”.

As palavras: “tampouco” e “tão pouco”, às vezes, por falta de conhecimento, são escritas e pronunciadas de forma incorreta. Assim, temos de padronizá-las para uma perfeita locução. “Tampouco”, quando utilizado em frases, deverá ser substituído pelo vocábulo “muito menos” ou pela conjunção “nem”, veja: “Não consegui resolver os problemas da reunião passada, tampouco tive tempo para marcar uma nova assembleia”, ou seja, muito menos tive tempo ou nem tive tempo... “Tão Pouco”, em sua utilização rotineira, deverá ser substituído por “muito pouco”, expressão intensificadora: “Temos tão pouco sossego nesta nova moradia!” Ou seja, muito pouco sossego.

Analise as frases a seguir e corrija-as em sua prova!

ü Estamos falando a nível de economia. O correto é falar “em nível” e não “a nível”, pois quem fala, fala sobre algo, ou de algo e não a algo, estamos falando de economia, em nível de economia.

ü As entregas daquela loja são a domicílio. As entregas são no domicílio, circunstância de lugar e estática, a preposição correta é “em” e não “a”.

ü Somos em cinco para o jantar. O verbo ser não exige preposição, não podemos falar expressões do tipo: “somos em”

ü Haja visto todos os problemas. A expressão “haja vista” é feminina e muito cuidado com seu uso.

ü Visamos melhores condições salariais. O verbo visar, obrigatoriamente, exige a preposição “a” no sentido de ter em vista. Não a esqueça nos textos e corrija a frase para: Visamos a melhores condições salariais.

Bons estudos e até as próximas dicas!

Professora Sandra Ceraldi Carrasco, consultora e especialista em Língua Portuguesa, autora de livros e periódicos na área. Há mais de 20 anos ministra cursos e palestras, com índice recorde de aprovação. Seu mais recente trabalho aborda de forma prática o Acordo Ortográfico. Atualmente é coordenadora do curso preparatório IPA. Contato: professora.sandracarrasco@uol.com.br.

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