Exame da OAB: do terror ao controle emocional

A crescente dificuldade em exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) vem sendo motivo de temor, insegurança e terrorismo aos recém-formados e àqueles que já tendo concluído a graduação, adiaram o exame para outro período

Redação
Publicado em 19/07/2012, às 17h09

Luiza Ricotta


A crescente dificuldade em exames da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) vem sendo motivo de temor, insegurança e terrorismo aos recém-formados e àqueles que já tendo concluído a graduação, adiaram o exame para outro período. São candidatos que realizaram de duas a oito provas e que ainda não obtiveram êxito. O terror aumenta nestes casos.


Naturalmente que se sentem desmotivados em dar continuidade, no entanto, é oportunidade para lidar com este desafio e buscar a excelência no decorrer desse processo: a qualidade necessária para o exercício profissional.


O fato é que quando vão se organizar para estudar, realizar algum curso preparatório, estudar com didática apropriada em casa, em cabine, biblioteca ou no local de trabalho, se deparam com um nível de dificuldade que não esperavam. Teria sido a faculdade, que não ofereceu qualidade no ensino e os conteúdos necessários? Teria sido a sua displicência com o curso ou as lacunas de aprendizado? Ou seria, a falta de tempo? Estaria associado ao fato de não ter realizado seu exame logo após ter concluído a faculdade, onde seus conhecimentos teóricos estavam mais frescos e atualizados? Teria sido o fato de no decorrer da faculdade estar trabalhando em outra área que não a jurídica, dividindo seu foco de atenção e disposição? E no caso daqueles que já trabalham na área jurídica, poderíamos pensar numa espécie de contrasenso, pois conhecem a prática, têm experiência, mas ao fazerem tal exame são também alvos de frustração neste rito de passagem da credencial para exercer a profissão. Imaginem como fica a cabeça deste profissional. Desta pessoa que se vê impedida de pertencer a uma classe da qual ele já é parte? Realmente são vivências contraditórias e dialéticas, pois incidem em duas realidades distintas, sendo difícil discernir o quanto basta para se tornar um profissional de qualidade.


De que modo poderá mensurar isso: o quanto lhe falta? Diria que é o que todos nós envolvidos estamos refletindo.


Como se tivessem saído de um redemoinho, ficam atormentados com o resultado. Com as questões, com a interpretação delas e os inúmeros recursos que são feitos em razão de buscarem justificativas para suas questões dissertativas. Não tem sido uma experiência agradável para estes que vêem nesta avaliação, o terror instalado e um cenário obscuro pela frente, em que acabam desistindo e buscando outros meios de exercer a profissão; fazendo parcerias com outros colegas que possuem a carteira profissional, onde estes assinam a autoria de seu trabalho. Outros, por sua vez, se subdividem entre autores das peças, que redigem as petições e para isso precisam elaborar e discernir a respeito de um ordenamento jurídico. Enquanto que os associados fazem a audiência e serviços de fórum necessários e até mesmo o contato com o cliente.


Ele está procurando de algum modo estabelecer meios de trabalhar, ainda que extraoficiais. Digo isso, em razão de uma legião que se autosustenta dando condições para que aqueles que, ainda não adquiriram a carteira, tenham trabalho e participem de escritórios, empresas, instituições e possam garantir subsistência e entrada no mercado de trabalho. Estão em uma posição inferior a que teriam, caso estivessem com a sua carteira profissional. Não como advogados responsáveis e sim como auxiliares. Porém fazem o trabalho. Já estão atuando sob a supervisão de um colega. E é nesta proporção que muitos vão se sentindo rebaixados perante o outro, pois ao realizarem e acompanharem todo o processo acabam tendo que dividir seus custos com quem assina.


Certamente que a OAB visa com os exames a qualidade dos seus membros, tratando de exigir nas provas o que entende ser necessário que os profissionais busquem na sua formação: não meramente o cumprimento de um pré-requisito formal, e sim o esmero, cuidado e zelo por um trabalho ético e de qualidade a fim de atender as demandas da profissão e da clientela. A inclusão das disciplinas de formação humanística apontam isso: a necessidade de formarmos profissionais de qualidade, inclusive pessoal.

Abrir este assunto para um aprofundamento é o objetivo deste texto, de modo que, aqueles que participam deste processo possam se incluir e avaliar tal situação, nós, educadores, professores e formadores de carreira.


Posições como a de Alberto, que escreveu-me dizendo o seguinte após ter realizado duas provas: “Para mim foi um balde de água fria, pois me dediquei e não passei e agora estou desmotivado para continuar a estudar”. (...) “estou em uma fase ruim, estou para baixo, desanimando...”.


Podemos adiantar-lhe: “Não avalie a sua pessoa em razão da frustração obtida. Há alguma razão para o que está passando. A necessidade de gerenciar suas emoções juntamente com a sua forma de pensar será fundamental. Pensamentos são acompanhados de ações, e se estes estão comprometidos, equivocados, certamente que irão afetar o seu resultado: sua capacidade de elaborar o conteúdo e fazer correlações que o auxiliem a pensar respostas.


Um fator a considerar é que o modo como pretendemos atingir determinado resultado não ocorra como esperamos. Reconhecer que é preciso mais, desanimar-se diante de uma frustração e partir para uma observação mais apurada das suas condições.


Devemos compreender que provas envolvem recursos multifatoriais que afetam o seu desempenho e criam resultados não dimensionados anteriormente. Dê continuidade ao seu potencial de execução. É preciso fazer e fazer! Ações que ainda desconhece, mas que existem. O ponto a destacar para uma reflexão é que “nem tudo o que você não sabe, nunca viu ou nunca escutou , não existe!”

Lembre-se de desvendar o que existe e que no momento desconhece, e que com análise, observação e reflexão o levará a um direcionamento.

         

Luiza Ricotta é psicóloga e coach na preparação de candidatos. Professora universitária de cursos de pós-graduação e em escolas preparatórias para concursos. Mestre pela U.P.Mackenzie. Pós-graduada em Terapia Familiar PUC-SP e em Psicodrama como Didata Supervisor – FEBRAP. Autora de livros,  entre eles: "Preparação Emocional em Concursos: equilíbrio e excelência". E-mail: profluizaricotta@hotmail.com Twitter: @luizaricotta

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