Presidente ou Presidenta?

Artigo da professora Sandra Ceraldi Carrasco.

Sandra Ceraldi Carrasco
Publicado em 16/08/2013, às 11h31

Para aquelas pessoas que acham que somente existe "presidente" e questionam regularmente para chamar atenção de que não existe "presidenta", eis uma a explicação.

Nas gramáticas de Celso Cunha, clássico da Língua Portuguesa, consta o feminino (presidenta). Nos estudos de Evanildo Bechara e Luís Antônio Sacconi também informam estar corretas as duas formas: “presidente” e “presidenta”. João Ribeiro afirma que "o uso de formar femininos em “enta” dos nomes em “ente”, como presidenta, almiranta, infanta, tem-se pouco generalizado", mas existem. Domingos Paschoal Cegalla revela que “presidenta” é a forma correta e dicionarizada, ao lado de presidente. O Vocabulário da Língua Portuguesa – VOLP, em sua 5ª edição, registra tanto “presidente” como comum de dois gêneros (o presidente, a presidente) e também “presidenta” como feminino de “presidente”, substantivo biforme.

Então, agora você sabe se for questionado em concursos públicos que as duas formas são aceitas na língua e o termo “presidenta”, substantivo feminino, está correto e poderá ser assinado em sua prova de concurso.

Como as duas formas existem, há gramáticos e estudiosos, além de manuais internos de uso padrão em jornais, revistas, entre outros, que preferem grafar somente “a presidente”. É errado? Lógico que não, já que as formas mencionadas estão consagradas no nosso vocabulário. Então, se é opcional, tanto faz!

Uma dica importante para dirimir problemáticas análogas diante de expressões e vocábulos polêmicos é sempre pesquisar em fontes seguras que trarão conhecimento formal e adequado do padrão culto da língua, já que as bancas organizadoras prezam o bom português. O site da Academia Brasileira de Letras, em busca de vocabulário, resolve na hora a sua dúvida, por isso sempre acesse: http://www.academia.org.br.

O cuidado deve ser redobrado quando determinados assunto veiculam na internet, da forma: “No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte...  Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos “-ante”, “-ente” ou “-inte”. Portanto, a pessoa que preside é “presidente” e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha...” O candidato que  já leu esse texto na íntegra nas redes sociais deve verificar os erros gramaticais e perceber que não foi um estudioso da área que o escreveu. Pura blasfêmia!

Bons Estudos!

Professora Sandra Ceraldi Carrasco, consultora e especialista em língua portuguesa, autora de livros e periódicos na área. Há mais de 20 anos ministra cursos e palestras, com índice recorde de aprovação. Seu mais recente trabalho aborda de forma prática o Acordo Ortográfico. Atualmente é coordenadora do curso preparatório IPA. Contato: professora.sandracarrasco@uol.com.br.

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