Caso encerrado – parte I

A dificuldade em superar acontecimentos pessoais, profissionais ou financeiros e até em relação a matérias e professores com as quais houve algum trauma influencia a vida cotidiana e, claro, a maratona dos concursos

Redação
Publicado em 04/12/2012, às 14h21

William Douglas

Um livro que li classifica as pessoas em “construtores” e “não construtores”. O primeiro grupo cria coisas, muda futuros, realiza-se. As pessoas “não construtoras” são as que, por alguma razão, acabam não conseguindo ter metas, ou concretizá-las. Razões para isso existem muitas, claro.

Você, concurseiro, por suas escolhas e atitudes, por estar aqui lendo sobre como passar... certamente faz parte do grupo de construtores. Gostaria que fosse, então, um construtor de primeira linha e que não esmorecesse diante dos desafios que vêm naturalmente. É, de fato, não existe um carimbo de “CONSTRUTOR” e outro de “NAO CONSTRUTOR” com o qual alguém bata na testa dos recém-nascidos. As pessoas é que vão escolhendo o que se tornarão através de suas atitudes, pensamentos e comportamentos.

A soma de atitudes e pensamentos define os comportamentos e estes definem os resultados. E, claro, somos nós quem definimos, pela escolha ou pela omissão, quais serão nossas atitudes (posturas diante da vida e dos desafios) , nossos pensamentos (o primeiro “campo de batalha”) e nossos comportamentos (que, no final das contas, são o vetor que muda a realidade material, o mundo externo).

Embora possam existir decisões pontuais, grandes, emblemáticas, em regra o que define os resultados é uma série de milhares de pequenas decisões cotidianas. Colhemos o que plantamos e essa é uma atividade do dia a dia.

Pois bem, um dos pontos a serem observados para sermos bons construtores, bons realizadores de ideias, bons alteradores da realidade, é a capacidade de dar um ponto final em algumas situações. É a ideia do “caso encerrado”.

Segundo o livro Sucesso Feito para Durar - Histórias de pessoas que fazem a diferença (Jerry Porras, Stewart Emery e Mark Thompson. Porto Alegre: Bookman, 2007):

“Os Construtores acabam optando por deixar algo para trás não porque o estejam negando, mas porque devem se manter focados no que estão construindo. Isso não significa que tudo foi perdoado, ou que a dor está completamente curada, ou que todas as injustiças que podem ter sofrido foram ignoradas. Eles tentam reescrever a história ou limpar sua ficha. Tampouco fingem que nada aconteceu. Eles simplesmente decidem encerrar o caso e seguir adiante. Ficar obcecado com os ressentimentos mantém vivos esses mesmos ressentimentos; deixá-los para trás os obriga a morrer enquanto retomamos nossa vida.”

É exatamente sobre este tema que pretendo tratar: encerrar, terminar, finalizar coisas. O trecho acima versa exatamente sobre a capacidade de colocar um ponto final sobre assuntos que incomodam de alguma forma, seja por trauma, injustiça ou revolta. Claro, isso não quer dizer esquecer a lição ou não extrair deles algum aprendizado ou determinação para mudar o estado das coisas. O que não funciona é ficar se martirizando e vivendo no passado.

Muitas pessoas me escrevem relatando dificuldade em superar acontecimentos de suas vidas, sejam pessoais, sejam profissionais ou financeiros e até em relação a matérias e professores com as quais houve algum trauma. Tudo isso influencia a vida cotidiana e, claro, a maratona dos concursos.

Existem vários exemplos, mas no nosso caso específico juntarei o “profissional” ao pessoal e tratarei em separado do campo da preparação para provas e concursos. Contudo, como sempre disse em meus livros, as questões pessoais (autoestima, autoconfiança, família, saúde etc.) influenciam decisivamente a questão profissional.

No campo pessoal: um pai ou mãe que perdem um filho e não são capazes de recomeçar a sua vida, como se fazer isso fosse uma traição ao filho falecido;

No campo dos concursos: as reprovações (especialmente as injustas ou por poucos décimos), o que vai se agravando caso a pessoa comece a demorar a passar  ou a ter reprovações em muitos concursos seguidos. Isso é tanto mais grave quanto menos a pessoa tiver a noção de que os concursos são um projeto de médio a longo prazo.

Ainda há outros casos, como os das pessoas com dificuldade de conciliar estudo e trabalho ou o relacionamento aos estudos etc. É para todas essas pessoas que quero sugerir o carimbo de “CASO ENCERRADO”.

Ele é uma simples e eficiente solução para solucionar seus conflitos dando um “basta” ao sofrimento, encerrando o assunto e abrindo espaço para mudanças e melhorias.

Se você tem algum caso que mereça ser encerrado, pode contá-lo para mim através do meu site ou da comunidade no Orkut. Na próxima coluna falarei mais um pouco sobre o assunto.

Com abraço fraterno,

William Douglas é juiz federal, professor, palestrante, autor de diversas obras. Passou em nove concursos, sendo cinco em 1º lugar: www.williamdouglas.com.br.

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