Lições de prosperidade

O sucesso profissional e intelectual não significa necessariamente sucesso financeiro. Para quem escolheu o serviço público, por exemplo, há bastante segurança e estabilidade, mas vencimentos que possuem um teto

Redação
Publicado em 24/08/2012, às 15h40

Para muitos, os vencimentos não são a coisa mais importante, apenas um detalhe ou uma consequência. Para outros, é o objetivo principal de seus esforços, de sua dedicação. Não se engane, não há culpa em desejar ter uma melhor condição de vida, rendimentos mais confortáveis; dinheiro, desde que obtido de maneira honesta e no cumprimento de seus deveres, é uma coisa boa e pode ajudar muito. Mas, qualquer que seja o seu caso, de nada adianta passar em um concurso e pouco tempo depois (em geral um a dois anos) estar apertado, novamente se afundando em dívidas, no limite do cheque especial ou pagando o mínimo no cartão de crédito.

Algumas pessoas acham que quando passarem no concurso estarão com seus problemas financeiros totalmente resolvidos. Mas o que a experiência dita é que, se não houver muito cuidado, não será bem assim. O concurseiro recém-aprovado tende a mudar seus padrões de consumo, às vezes, radicalmente. Isto faz com que, em algum tempo, ela possa estar tão ou mais apertado do que antes de passar, afinal, nunca vai faltar alguém querendo dar crédito e empréstimos para você, principalmente agora, que sua remuneração é fixa e certa. Não raro encontramos servidores que têm boa parte do salário comprometida nos famosos “empréstimos consignados em folha”.

Não me interessa que você apenas passe nas provas e concursos, claro que esse é um grande desejo e para o qual faço torcida sempre, mas espero contribuir com minha experiência para que você tenha uma vida abundante, plena e completa após a aprovação. Espero que você tenha sucesso financeiro, seja rico e próspero. E isso é possível!

Primeiro ponto sobre o dinheiro, que deve ficar bem claro, é que se trata de uma das formas mais toscas de riqueza. Afinal, como diz o Talmude, “rico é quem está satisfeito com o que tem” (confira também, I Timóteo 6:8). Do mesmo modo, prosperidade envolve saúde, família, trabalho, dinheiro, respeito próprio e pela comunidade etc. Para mim, prosperidade é um conceito muito parecido com o de felicidade e que, em grande parte das vezes, não está ligado ao seu extrato bancário.

O sucesso profissional e intelectual não significa necessariamente sucesso financeiro. Para quem escolheu o serviço público, por exemplo, há bastante segurança e estabilidade, mas vencimentos que possuem um teto. Não há milionários no serviço público. Na iniciativa privada, por sua vez, não há limites para ganhos, mas os riscos são exponencialmente maiores. Cada um escolhe o que quer para sua carreira, o que mais agradar. Mas, ao fazer a opção pelo serviço público, a pessoa precisa:
(1) aprender a administrar seus ganhos; e
(2) entender que se quiser aumentar seus ganhos além dos vencimentos precisará fazer um novo concurso ou trabalhar mais, em uma atividade extra.

Ao passar no concurso, faça uma coisa sábia e bem simples: se você vivia com 1.000 reais e passou a ganhar 5.000, depois dos primeiros meses de curtição (e que não sejam muitos), por favor: passe a viver apenas com 2.000, no máximo. Gaste menos do que ganha, não compre o que não precisa e evite fazer dívidas.

Lembre-se que o bem material não deve ser o motivo pelo qual você tem amigos, ou pelo qual você é respeitado/temido. Tenho constatado um grave problema entre alguns servidores, sejam eles novos ou de carreira. Passam a adquirir coisas e perdem o foco. As posses começam a ser encaradas não como o que são, produtos, objetos, mas como troféus, provas de capacidade, como demonstrações de poder. Muitos começam a amar as coisas, a preocupar-se demasiadamente com elas, a tê-las não pela sua utilidade, mas pela volúpia de conquistá-las.

Ao invés de repetir esse cenário, use o excedente de forma inteligente e consciente: separe uma parte para investir em você e em sua família (educação, lazer etc.) e outra para fazer investimentos. Invista em imóveis – realize o tão falado sonho da casa própria –, ações de empresas estáveis, poupança, aposentadoria privada, fundo de investimentos etc. Procure seu gerente no banco e peça conselhos sobre os melhores investimentos. Faça isso pensando no longo prazo. Se quiser ir além, sugiro separar uma parte do seu excedente e ajudar um orfanato, ou asilo, ou a dar educação e oportunidade para alguém que realmente precise. Além de ser admirável, pela lei do retorno (que é universalmente aceita), o bem que você fizer voltará multiplicado para você e para sua família. O que é, no final das contas, sua verdadeira prosperidade.

William Douglas é juiz federal, professor universitário, professor exclusivo da Rede LFG, palestrante e autor de mais de 40 obras, dentre elas o best-seller “Como Passar em Provas e Concursos”
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