Angústia de concurseiro: família, sociedade e desânimo

Artigo de William Douglas, juiz federal.

William Douglas
Publicado em 19/09/2013, às 09h34

“Acho que minhas forças estão indo abaixo, ando meio desmotivado!!!! Não quero desanimar, mas os fatores externos estão superando minha motivação... Cobrança de família, namorada, sociedade... Por que temos que ter um bom emprego ou qualquer emprego assim que nos formamos? Por que criticam os concurseiros alegando que são vagabundos e que vivem às custas dos pais? Sinceramente, isso me desmotiva ainda mais!!!”

Esse foi um relato que recebi, há algum tempo, de um concurseiro em crise e que me interessei por responder por se tratar de uma aflição que atinge a muitos concurseiros por todo o país.

A maior parte das pessoas acredita que o sucesso vem da sorte, do casamento ou da fraude. Há pesquisas mostrando isso! Quem aposta em estudo... é a exceção. E são esses que aparecem na lista de aprovados e nomeados, tenha certeza.

Até entre os que fazem concursos, apenas a minoria se organiza, estuda e treina. Por isso que passar em concurso é uma coisa certa na linha do tempo: os que realmente se dedicam vão passando e abrindo espaço para quem vem atrás, na “fila”.

Se você procurar quem realmente faz sucesso e realiza projetos, tirando um ou outro jogador de futebol, atriz-cantora-modelo, que espero façam economia e investimento para quando o viço e ardor da juventude passarem, só vai encontrar gente que trabalhou duro. O único lugar onde “sucesso” e “dinheiro” vem antes de “trabalho” é no dicionário, como já dizia o velho clichê popular.

Pois bem, vamos por partes:

A cobrança familiar sempre vai existir. Faz parte! O que você pode fazer é administrá-la, mostrando que está fazendo a sua parte, que estudar é um investimento com excelente retorno, que leva um tempo etc. Mostre, se preciso, o capítulo do meu livro “Como passar em provas e concursos” sobre “prazo para a aprovação” para quem está te pressionando. Mas faça a sua parte: eles precisam ver você estudando e treinando.

Quando você estiver no lazer e ouvir críticas, fale sobre a necessidade de um mínimo de lazer para repor as energias... E jogue a culpa em mim! Fale que é orientação do “guru” dos concursos, que foi reprovado seis vezes, foi se consertando e, então, depois de um tempo de ralação, dúvidas e derrotas... foi aprovado em primeiro lugar várias vezes. Mostre aos seus familiares seu quadro horário. Experimente!

Outra coisa importante com família e namorada: dar um tempo para eles, ouvir, curtir, dar atenção. Isso fará bem a eles e a você também. E, claro, temos que aproveitar as coisas boas da vida, pois não sabemos quanto tempo ficaremos por aqui. Tudo com equilíbrio, mas temos que curtir.

Quanto ao relacionamento, se sua namorada não está te dando apoio, me perdoe, mas você devia trocar de namorada! Se no namoro já está assim, imagine casando!!! Relacionamento é parceria, é sonhar junto, é amar, compreender, ajudar. O resto pode ser até legal, mas o que vale à pena ser construído é algo onde existe companheirismo e solidariedade. Se você não está deixando sua namorada na mão, não dando um mínimo de atenção, ela está agindo mal. Se você está sendo negligente com ela, o erro é seu. Apenas seja cuidadoso ao ver qual o ponto de equilíbrio entre dar atenção e cuidar do seu futuro profissional.

Namorada e amigos que não entendem a necessidade de esforço não são tão namoradas nem tão amigos. É meio triste, meio chato, mas é a verdade.

A sociedade. Ela nunca vai facilitar para você. As pessoas são julgadas pela aparência, pela ostentação, pelo que têm e não pelo que são. É assim mesmo. Deixe isso para lá, desfoque da sociedade e foque em você e no seu projeto. A sociedade vai ter que engolir você daqui a algum tempo. Quando eu falei com meus amigos sobre o livro “Como Passar”, riram de mim, desprezaram, criticaram, disseram que eu ia acabar com minha carreira de juiz por lançar livro de “autoajuda” etc. No final, quando os resultados vieram, todos me pediram desculpas e reconheceram que a ideia era boa e útil aos estudantes e concurseiros. Imagine se eu tivesse me comportado para atender quem não acreditava, ou parado por medo ou por causa das críticas?

Quanto ao desemprego. Sim, a gente fica se sentindo “desempregado” mesmo. Passei por isso! É uma dureza lidar com isso. Mas pense certo: não estamos desempregados, mas empregando nossos esforços em um investimento. Isso é uma atitude inteligente. Vejo algumas pessoas pegando emprego para ganhar metade, um quinto, às vezes um décimo do que poderão ganhar se aguentarem firme e estudarem uns poucos anos. É óbvio que esse investimento de tempo, dinheiro e energia são compensadores.

Vagabundo, amigo, é quem não está estudando, nem treinando, nem fazendo as provas. Não será seu caso se você estiver jogando o jogo, seguindo a cartilha da aprovação.

Viver às custas dos pais? Se os seus pais estão topando, apostando, acreditando, quem é que pode falar disso? Que autoridade tem para isso? As únicas pessoas que têm legitimidade para reclamar são os próprios pais. E, para eles, o que vale é mostrar que é um investimento, aproveitar bem a ajuda, não desperdiçar tempo (lazer moderado e atividade física mínima não são desperdícios, lembre-se). Será normal eles reclamarem um pouco (pais sempre reclamam), mas se eles estão bancando:

a) seja grato e manifeste isso – eles merecem;

b) não sinta culpa, mas alegria de ter esse ponto a favor;

c) não desperdice seu tempo, aproveite a situação favorável.

Eu tive que lidar com isso, amigo. Minha opção foi ficar com meus pais o mais que eu pude para investir todo meu tempo em estudo. Valeu a pena.

Pare de se desmotivar com essas coisas. Todo mundo passa por isso. Alguns, que não têm pais para ajudar, passam por uma dificuldade que – acredite – é ainda maior. Você ainda está no lucro.

Vamos em frente, administre as dificuldades, organize os horários, se acerte com os seus pais no que diz respeito a tempo, investimento e agradecimento. Jogue o jogo. O tempo vai premiar todos os seus esforços.

William Douglas é juiz federal, titular da 4ª Vara Federal de Niterói – Rio de Janeiro e professor exclusivo em técnicas de motivação e memorização da rede LFG.

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