Pensando naquilo no ambiente de trabalho

Relacionamentos no trabalho já não representam o tabu de outrora, mas ainda rendem boas discussões. A coluna de cinema do JC&E entra no debate

Redação
Publicado em 12/08/2011, às 16h00

Quem nunca leu uma matéria de comportamento sobre relações amorosas no ambiente de trabalho? “Ficadas”, casos (ou affairs como preferem alguns chiques), distrações ou mesmo paqueras? 

Em um mundo tão “evoluído” o tabu parece ter se afastado do tema, mas algumas empresas ainda apresentam rígidas regras a respeito. Outras dispõem de “cartilhas educativas”, pelas quais os funcionários devem se orientar. Como, por exemplo, pedir transferência de setor no caso de se enamorar com algum colega de seção. No serviço público, o risco de demissão por se envolver com algum colega de trabalho é quase nulo, mas pode – dependendo de algumas especificidades, render uma exoneração. Mas como o mundo anda evoluído, e dispensemos as aspas agora, a questão pode se limitar “apenas” ao mal estar após o fim de um caso amoroso ou uma “ficada” com desfecho unilateral. 

O cinema americano sabe brincar com as expectativas inerentes a essas circunstâncias. Já apresentou versões moralistas, românticas e até cínicas a respeito. A mais recente, e que envereda pelo viés moralista, é “Obsessiva”. No filme, um executivo muito bem casado se envolve com sua secretária (sempre elas), tendo Beyoncé Knowles como mulher em casa. O affair não dura muito. Em parte, pelo desinteresse da parte masculina em custear uma amante. No entanto, a pretensa amante não se dá por satisfeita com a súbita mudança de humor do patrão e passa a infernizar a rotina do casal. Resultado? Acaba aproximando-os. Beyoncé perdoa o marido que percebe que trair é do mal e promete andar na linha. “Obsessiva” é daqueles filmes que funcionam maravilhosamente bem em um sábado à noite para ouvir o cônjuge dizer “Tá vendo?”. 

Mais envolvente é “Íntimo e pessoal”. O romance que une Robert Redford, em um de seus últimos papéis de galã, e Michelle Pfeiffer agrada pelo tom açucarado, mas não se resolve comicamente. É um romance daqueles que não precisam ser comédias para existir. A jornalista em início de carreira vivida por Pfeiffer se apaixona e vive uma linda história de amor com seu editor, vivido por Redford. A prosperidade que se dá na carreira da jornalista nada tem a ver com o fato de namorar seu superior hierárquico, mas sim com a motivação e confiança que ele lhe inspira. Uma mensagem, realmente, apaixonante. O desfecho do filme, propositadamente, reforça essa mensagem. 

Mas nada se compara ao disparate que é “Assédio sexual”. Lançado em uma época em que a justiça americana estava entupida de ações trabalhistas do tipo, o filme subvertia ironicamente os arquétipos dessa construção moderna que é o assédio sexual. Michael Douglas faz um tipo muito bem casado, pai de família e funcionário modelo. À espera de uma promoção que não vem, se surpreende ao ver que uma ex-namorada foi contratada para ser sua chefe – justamente no cargo que esperava ocupar. A ex-namorada, vivida por uma Demi Moore no auge da beleza, dá início a um joguinho de sedução que o personagem de Douglas não faz questão de cortar. Um belo dia ela ataca. Literalmente. Quase nos finalmente, ele a interrompe. Rancorosa, ela decide processá-lo por assédio sexual esmerando-se no clichê de que são os homens os maiores praticantes dessa “luxúria”.

“Assédio sexual” é interessante, também, por brincar com a figura de Michael Douglas. No final dos anos 80 e início da década seguinte, o ator pôde ser visto em diversos filmes de alta voltagem sexual, geralmente na pele de predador. Aqui os fatores se invertem, constituindo um painel interessante. Douglas, o macho alfa, acuado é uma curiosidade a mais; e fica de alerta para aqueles (as) que resolverem se engraçar com o (a) chefe.

Serviço:

Obsessiva

Nome original: Obsessed

País: Estados Unidos

Ano de produção: 2009

Direção: Steve Shill

Disponível em DVD


Íntimo e pessoal

Nome original: Up close and personal

País: Estados Unidos

Ano de produção: 1996

Direção: Jon Avnet

Disponível em DVD


Assédio sexual

Nome original: Disclosure

País: Estados unidos

Ano de produção: 1994

Direção: Barry Levinson

Disponível em DVD

Por Reinaldo Matheus Glioche


Comentários

Mais Lidas