Questão de vocação

A coluna desta semana é baseada nos filmes: Maré vermelha, Homens de honra e Annapolis. Confira!

Redação
Publicado em 04/03/2011, às 15h54

A Marinha do Brasil promove atualmente um concurso para soldado fuzileiro naval. São 1.275 oportunidades para ingresso em um curso de formação que irá preparar jovens brasileiros para a atividade de patrulha naval. É comum, muitos desgostosos do serviço militar sentirem-se atraídos pela Aeronáutica ou pela Marinha. No limiar, não há tantas diferenças assim. Um bom indicador tanto da preparação quanto da rotina de um oficial da Marinha, reside no cinema hollywoodiano. A mais patriótica das cinematografias mundiais avalia a Marinha com o devido espetáculo, sem abdicar do conservadorismo e da sisudez. Se há um componente heróico que ajude a mistificar a atividade, ele é um estimulante bem vindo para quem já considera nela ingressar.

Em “Annapolis”, um legítimo filme B, Jake Huard (James Franco, que está em cartaz nos cinemas com o filme “127 horas”), é um prodígio da portentosa Academia Naval de Annapolis (escola equivalente ao curso de formação aqui no Brasil), mas seu temperamento forte lhe coloca em choque com seus superiores e com o pai conservador. A graça de “Annapolis” está mais em mostrar o deslocamento de jovens  atuais em uma instituição tão rigorosa e tradicional do que em qualquer outra coisa. O filme envereda por soluções fáceis e se resolve mais como fita de ação do que drama.

Já o forte de “Homens de honra” é mesmo o drama. Baseado em fatos reais, o filme narra a trajetória de Carl Brashear (Cuba Gooding Jr.), primeiro afroamericano e, também, o primeiro amputado a integrar o corpo de mergulhadores da Marinha americana.

O grande atrativo do filme reside mesmo no confronto de atuações entre os dois vencedores do Oscar Cuba Gooding Jr., como o homem destemido que supera limitações físicas, culturais e sociais para alcançar seu intento, e Robert De Niro, como um comandante da Marinha que se permite cativar pelo espírito bravo de Carl Brashear. O fato de a fita ser inspirada em fatos reais faz com que o interesse nela se renove. Atualmente, as forças armadas americanas discutem, por exemplo, a respeito do ingresso de homossexuais assumidos no serviço militar. Embora no Brasil a questão não seja tão midiática, é prudente atentar a ela.

Menos insidioso e tão convencional quanto “Homens de honra” é “Maré vermelha”, que traz como protagonista o sempre competente Denzel Washington. No filme, o ator dá vida a um primeiro oficial de um submarino americano que se choca com o capitão da embarcação (interpretado por Gene Hackman) sobre a necessidade ou não de bombardear russos rebeldes que roubaram um míssil nuclear que pode ser usado contra os Estados Unidos. O clima de Guerra Fria impera na produção de Tony Scott que, também, evidencia as diferenças entre oficiais mais tradicionais e outros mais modernos.

Situações tão limítrofes como essa dificilmente envolvem embarcações brasileiras, mas vale lembrar que os conflitos no mundo Árabe fizeram o governo brasileiro considerar um resgate marítimo de brasileiros que se encontram na Líbia (país em que ferve uma revolução política violenta).

O que esses três filmes demonstram, ainda que de maneira variadas, é a importância do aspecto vocacional. É preciso disciplina, força de vontade e comprometimento para vingar na Marinha. Ser heróico, atesta o cinema, é manter a simplicidade desses adjetivos em voga.   

Por Reinaldo Matheus Glioche

Serviço:

Maré vermelha

Nome original: Crimson tide

País: Estados Unidos

Ano de produção: 1995

Direção: Tony Scott

Disponível em DVD

Homens de honra

Nome original: Men of honor

País: Estados Unidos

Ano de produção: 2000

Direção: George Tillman Jr.

Disponível em DVD

Annapolis

País: Estados Unidos

Ano de produção: 2006

Direção: Justin Lin

Disponível em DVD

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