O tempo de superação

"Repito por mil vezes, se precisar, que sou uma grande entusiasta daqueles que venceram a si mesmos e, em pouco tempo, terão realizado o sonho que jamais ousou sonhar antes! Isso me leva a um questionamento: E por que não você também?"

Da Redação
Publicado em 26/07/2013, às 12h44

Um dia desses, encontrei-me com a mãe de uma aluna que me motivou a escrever esse artigo porque, talvez, essa senhora esteja enfrentando a mesma situação que muitas outras pessoas por aí.  Vivemos em um país cercado de preconceito de todo tipo e, invariavelmente, a mulher costuma enfrentar alguns mais. Ser mãe, dona de casa, trabalhar fora e ainda estudar, meu Deus! Há quem ache o acúmulo de tantas tarefas, em pleno século XXI, um absurdo, sobretudo para uma mulher que beira os 60!

Mas tal situação só tende a reforçar a autocensura, aquela que ninguém, a não ser nós mesmos, acabamos nos impondo. A mãe dessa aluna tem 56 anos, foi criada em uma família extremamente tradicional, mas, como os tempos são outros e o dinheiro está mais curto do que nunca para ela, assim como para nós, milhares de brasileiros, decidiu voltar a estudar e fazer concurso público.

Uma das primeiras indagações dela foi se não estaria “velha” para a “façanha”. Ora, concurso, como eu venho dizendo ao longo de minha carreira nesse mercado, é a forma mais democrática de acessibilidade ao emprego público. Aqui, não são questionadas cor, idade, sexo.Naturalmente, há um limite de idade, o que não é o caso dela. Interpreto esse requisito da mesma forma como encaro a necessidade de idade mínima para tirar a carteira de habilitação ou a classificação etária de um filme no cinema.

O candidato sendo aprovado, ninguém vai perguntá-lo se é branco ou negro, homem ou mulher, se tem 20 ou 50 anos. Se você se encaixar nas regras do edital, como em relação à questão da escolaridade – e isso tem em qualquer emprego! –, não há o que temer. 


Pois bem, voltando à mãe da aluna... Depois de uns 30 minutos de conversa, afiz entender que o maior obstáculo para o retorno dela aos estudos poderia ser ela mesma! Ela, sim, apontava entraves que não existiam. Chegou a temer ser excluída de grupos de estudos, ou da própria classe que passaria a frequentar,ou até mesmo se sentir incapaz de aprender qualquer coisa que não fosse uma nova receita culinária.

A vida se apresenta em gotas, eu disse a ela.E creio que tenha surtido efeito nosso curto momento de reflexão. Hoje, para minha surpresa ela já está engrenadíssima nos estudos e, com uma organização surpreendente. Ela tem hora para tudo e todas as atividades dela, sejam pessoais ou relacionadas ao estudo, cabem em sua agenda. Contei essa história,de forma resumida, para mostrar que nossos maiores inimigos não são as disciplinas extensas, a falta de dinheiro para pagar um curso, a falta de tempo para estudar, enfim, a vida atribulada que levamos. Não, não são. 


Precisamos, portanto, nos dedicar de forma apaixonada ao que fazemos e almejamos. Se for o desejo dela passar em um concurso público para ter uma aposentadoria digna e ajudar a família, só posso torcer para que tenha êxito e colaborar como profissional para isso. Para tanto, lá está ela, diariamente,olhos fixos no quadro enquanto o professor da hora já não fala mais uma”língua” estranha, tudo já parece familiar. Agora, ela sabe que não há mais limites para a própria superação!

Gosto de recordar outros exemplos mais perto de mim, alunos que beiram os 60 anos de idade e que “se viram” para estudar com uma determinação tamanha que me faz sentir orgulho em conhecê-los.


Repito por mil vezes, se precisar, que sou uma grande entusiasta daqueles que venceram a si mesmos e, em pouco tempo, terão realizado o sonho que jamais ousou sonhar antes! Isso me leva a um questionamento: E por que não você também? Dificuldades todos nós temos.  No entanto, valerá muito a pena superá-las. A recompensa será um futuro tranquilo, com um bom emprego, e a garantia da estabilidade, seja financeira, profissional ou psicológica. Esse pode ser o seu tempo de superação. Tente!

Bons estudos!

Claudia Jones é jornalista especializada em concursos públicos

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