Quem te representa?

"Seja você o primeiro a se representar bem, cuidando do seu metro quadrado".

Lucas Vasconcellos
Publicado em 15/04/2013, às 15h39

A campanha de “Fulano” ou “Beltrano”, seja quem for, “não me representa” merece reflexão. Pode vir a ser tola ou até beirar a hipocrisia. Deputados e Senadores representam os grupos que os elegeram.

A democracia e o consenso se constroem com as diversas fatias da sociedade respeitosamente debatendo nos fóruns próprios, pelas regras do jogo. Temos representantes de sindicatos, de empresários, latifundiários, ecologistas, atletas, escolas de samba, times de futebol, igrejas, minorias, maiorias e tudo o mais. Por sinal, já que o assunto é quem te representa, você se lembra em quem votou nas últimas eleições para deputado e vereador?

O risco do “não me representa” é isolar a política como algo nefasto e vil que se faz lááááá em Brasília, láááá longe e com a qual as pessoas não têm a menor relação, quando sabemos que a política é o que fazemos todo dia, quando educamos nossos filhos para não jogar papel na rua, quando decidimos não aceitar o “por fora” para liberar algo mais rápido, quando damos passagem para um carro ou quando levantamos no ônibus para alguém sentar. Política é tudo isso, inclusive não desistir de eleger gente séria, mesmo que, às vezes, isso pareça difícil.

Na verdade, creio que devemos misturar um pouco mais de política com educação, e muito dela com a responsabilidade individual. Tem a ver com cada um cuidar do seu metro quadrado, sem esquecer que temos algum poder sobre o metro quadrado do lado. Tem a ver com respeitar as regras, sem prejuízo de querer melhorá-las, e mais ainda com respeitar o diferente, tolerando o outro tanto quanto queremos ser tolerados.

Mas eu começaria sugerindo a você algo bem simplista, mas profundamente poderoso: seja você o primeiro a se representar bem, cuidando do seu metro quadrado. Se puder, influencie o m² do lado, mas que – antes – o seu próprio seja digno, feliz, honesto, correto, que você trate os outros como gostaria de ser tratado (a "Regra de Ouro"). Se você fizer isso, mais do que ser representado por “a” ou por “b”, você representará bem seu país e sua raça, a humana. Como disse Gandhi: “Seja você a mudança que deseja ver no mundo”.

William Douglas é juiz federal, titular da 4ª Vara Federal de Niterói - Rio de Janeiro e professor exclusivo em Técnicas de Motivação e Memorização da rede LFG. www.williamdouglas.com.


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