Delegado diz que investigações seguem até dezembro

Mais de 200 pessoas envolvidas na fraude responderão judicialmente nas esferas cível e administrativa. Alguns já estão presos

Redação
Publicado em 20/10/2010, às 09h09

A operação Tormenta, realizada pela Polícia Federal para investigar fraudadores de concursos na Grande São Paulo, Rio de Janeiro, região de Campinas e Baixada Santista, será encerrada em dezembro deste ano. O delegado Victor Hugo Rodrigues Alves, responsável pelas investigações, informou que mais de 200 pessoas estão envolvidas no escândalo. Segundo ele, alguns integrantes da quadrilha já estão presos e todos serão responsabilizados pelo envolvimento na fraude.

De acordo com o delegado, os membros da organização criminosa foram indiciados por crime de estelionato e por atos de improbidade administrativa, portanto, responderão judicialmente nas esferas cível e administrativa. Os candidatos e os fraudadores ainda poderão ser indiciados por receptação, corrupção ativa, formação de quadrilha, falsificação de documento público e violação de sigilo funcional, conforme a participação na fraude, já que os casos são analisados individualmente.

A quadrilha atuava em processos seletivos de todo o país, entre eles o da própria Polícia Federal, em que dezenas de aprovados foram eliminados após as investigações, e o da segunda fase do terceiro exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de 2009. Os integrantes atraíam possíveis clientes por meio de aliciamento de pessoas que tinham acesso aos cadernos de questões; transmissão das repostas por ponto eletrônico durante a aplicação da prova; e indicação de uma terceira pessoa mais preparada para fazer o exame no lugar do candidato. Além disso, os interessados podiam obter documentos e diplomas falsos exigidos pelos cargos sem que tivessem a formação requerida. Os gabaritos das provas eram vendidos por até 150 mil dólares, como foi o caso da seleção para auditor fiscal da Receita Federal, de 1994, revelou o delegado.

Como funcionava o esquema – O líder da organização criminosa era o responsável por corromper as pessoas que tinham acesso aos cadernos de prova mediante pagamento de propina. Ele também revendia cópias dos cadernos aos clientes do esquema de forma direta ou por meio de aliciadores e organizava as fraudes por ponto eletrônico quando não conseguia as questões antecipadamente.

Os distribuidores obtinham os exames junto ao líder da quadrilha para revendê-los diretamente aos clientes, ou por meio de atravessadores.  Estes atravessadores mantinham contato com os distribuidores, muitas vezes telefonando a possíveis candidatos e orientado-os a participar do concurso para depois lhes oferecer os demais serviços (gabaritos, documentos etc). Os falsificadores providenciavam diplomas e certificados de forma ilegal ou a documentação para que o candidato fizesse a prova no lugar de outro.

Também havia professores responsáveis pela correção dos testes e, no caso do exame da OAB, por ministrar aulas em cursinho com base no conteúdo da prova.

As investigações sobre o exame da OAB foram encerradas, mas as que analisam fraudes nas provas da Receita Federal, Anac e Abin estão em andamento.

Flávio Fernandes/SP

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