Corte o nó górdio

Pensar fora da caixa é fundamental para a resolução de todo e qualquer problema. Por isso, é importante se distanciar e abrir a mente a todo instante

PUBLIEDITORIAL
Publicado em 15/12/2020, às 10h18 - Atualizado em 16/12/2020, às 11h28

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Alexandre Magno – também conhecido como Alexandre, o Grande, e Alexandre III –, formou um enorme império, que se estendia do sudeste da Europa até a Índia, fazendo dele um dos maiores líderes militares da história, apesar de ter vivido apenas até os 33 anos. Conta-se que, quando estava avançando sobre o reino persa da Lídia, soube de uma carruagem que havia sido amarrada a um pilar do templo de Zeus pelo antigo rei Górdio. Segundo a lenda, quem desatasse o nó se tornaria o senhor da Ásia. Só havia um problema: o laço era tão firme que já estava lá há mais de quinhentos anos sem que ninguém conseguisse soltá-lo. Mas então veio Alexandre, que analisou a situação, refletiu por um instante e foi direto ao ponto: desembainhou a espada e cortou a corda em um único golpe, para o espanto das testemunhas.

Essa narrativa costuma ser usada como metáfora de um problema aparentemente insolúvel, mas que exige um simples pensar “fora da caixa” para ser resolvido. Acredito que você já tenha deparado com situações desse tipo em sua vida, sem, talvez, ter saído delas de forma prática e objetiva como fez Alexandre. Isso precisa mudar, caro leitor. Então, vamos conversar a respeito?

A lenda do nó górdio fala de como é sempre possível resolver um problema, independentemente da complexidade, de forma descomplicada e eficiente. Equações difíceis como a solucionada por Alexandre III não requerem nenhuma resposta mirabolante ou necessariamente trabalhosa. O melhor é refletir o tempo que for preciso até tomar uma decisão que se mostre eficaz. E acredite: na maioria das vezes, ela está bem diante dos nossos olhos.

Qual foi o diferencial do imperador macedônio em comparação às inúmeras pessoas vencidas pelo nó do rei Górdio em meio milênio? Nada de mais: ele simplesmente não se apegou a nenhum roteiro preestabelecido. Em vez de tentar desatar o laço do modo convencional, analisou bem a corda e optou por ser menos previsível. Pensou, como se diz hoje em dia, “fora da caixa”. Consta que, em seguida, proferiu a frase que dá título a este artigo.

Com isso, a expressão “desatar o nó górdio” se tornou sinônimo de eficácia e objetividade. Então, amigo leitor, o que você precisa ter em mente é que, mesmo se a solução para um dado problema não for fácil, será sempre simples. É sério! Para nosso azar, somos apegados ao senso comum, e este muitas vezes é inútil, complicando o que não precisa ser complicado. Acabamos focados demais no problema e míopes quando se trata de enxergar a solução. Pode até parecer que estamos sendo racionais e meticulosos num dado contexto e, ainda assim, estarmos sendo enganados por nossa mente, presa a categorizações precipitadas e rasas, tal como os olhos ao transmitirem ao cérebro somente as características mais evidentes de um objeto.

Pessoas criativas conseguem resistir melhor a esse tipo de condicionamento. São capazes de observar um fenômeno e interpretá-lo sob perspectivas bem diferentes entre si, identificando aspectos que os demais ignoram por estarem fechados em uma visão linear do mundo. Para esses últimos, a boa notícia é que a mente pode ser treinada até se livrar das limitações. De modo geral, isso é feito mantendo-a muito aberta. Permita que o estudo minucioso da situação oriente seus pensamentos e ajude você a formular suas próprias teorias. A imersão nos detalhes combate a tendência do cérebro de generalizar tudo e aproxima o observador da realidade objetiva, na qual reside a solução para todo e qualquer problema.

Já notou como, ao aproximarmos demais o rosto de um texto, não conseguimos ler nada? Funciona assim também com os pensamentos. Os bons, capazes de resultar em ideias eficazes, requerem certo grau de distanciamento do objeto em exame. Em qualquer contexto, existem oportunidades ocultas aguardando serem encontradas, ainda que à custa de um pouco de imaginação. Trata-se de explorar novas maneiras de analisar o problema, deliberadamente de forma diferente da usual. É pensar como se fosse outra pessoa, elaborando um plano que não seria sua primeira opção, entende?

E de nada adianta baixar a cabeça e esperar que o nó desate por si só, como num passe de mágica. A iniciativa terá de ser sempre sua, minha, nossa. A passividade, em vez de evitar riscos, só os potencializa. A omissão serve para adiar as consequências, que – não se engane! – virão com juros no final. A indecisão nada mais é que a decisão de nada decidir. Imagine que você esteja em uma canoa sendo puxada pela correnteza rumo a uma cachoeira. Você tem três opções: ou pula do barco e tenta nadar até a margem, ou se esforça para remar em sentido contrário, ou não faz nada e sofre as consequências de ser engolido pela poderosa força das águas.

No mundo dos negócios, no qual estou imerso há quase uma década, os tais nós górdios surgem o tempo todo. Um que tenho de desatar dia após dia é o da conquista – e manutenção – da liderança no mercado dos cursos preparatórios para concursos e outros exames. Se eu pensasse “dentro da caixa”, tudo que faria seria replicar o que já existe no mercado, talvez melhorando ou barateando um produto ou outro. A abordagem mais eficaz é, porém, pensar diferente, concentrando a atenção nas necessidades dos meus clientes, num eterno movimento de antecipá-las e supri-las. Uma forma interessante de iniciar esse processo, voltado à inovação, é partir de uma tecnologia recente e imaginar como ela poderia ser usada para atender alguma necessidade latente das pessoas. Note bem: essa necessidade não pode ser lá muito óbvia, do contrário outros empreendedores do ramo já estarão trabalhando nela. Cabe a mim ser precursor e, para isso, sempre que surge um novo desafio, reflito um pouco e depois, com o apoio de toda a equipe Gran, é claro, resolvo-o de uma vez só, como Alexandre, o Grande, fez em relação à carruagem amarrada.

Assim deve ser quanto aos problemas que o afligem, leitor amigo. Talvez você esteja olhando muito de perto... Talvez esteja complicando demais as coisas... Será que seu apego a convenções ou métodos antigos não tem impedido você de avançar? Será que já não possui as ferramentas necessárias e precise apenas aprender a usá-las direito? Quem sabe a solução seja simples e esteja à sua frente, bastando dar um passo para trás a fim de enxergá-la?

Reflita o tempo que for necessário, mas ache um meio de desatar os seus nós górdios, expandindo seu potencial e dando resposta àquilo que cabe exclusivamente a você responder. Adivinhe quem vai agradecer um dia...

“Meu filho, guarde consigo a sensatez e o equilíbrio, nunca os perca de vista; trarão vida a você... Então você seguirá o seu caminho em segurança e não tropeçará; quando se deitar, não terá medo, e o seu sono será tranquilo.” – Provérbios 3:21-24

*texto de Gabriel Granjeiro, Diretor-Presidente e Fundador do Gran Cursos Online

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