Descobrindo a própria riqueza na Petrobras

“O mais difícil foi aguardar sair o edital, estudar sem ter qualquer previsão. Dá um cansaço, uma vontade de desistir”, assumiu Juliana Ribeiro Mol de Oliveira, 27 anos, primeira colocada no concurso da Petrobras para a carreira de engenharia.

Redação
Publicado em 20/05/2011, às 15h44

“O mais difícil foi aguardar sair o edital, estudar sem ter qualquer previsão. Dá um cansaço, uma vontade de desistir”, assumiu Juliana Ribeiro Mol de Oliveira, 27 anos, primeira colocada no concurso da Petrobras para a carreira de engenharia de produção. Ela dispensou um emprego em uma empresa de consultoria para conquistar sua vaga em uma das mais destacadas empresas públicas do país. Em apenas um ano de estudo, ela conseguiu. Com esse desempenho, imediatamente lembrei de uma famosa frase atribuída ao imperador romano Júlio César: “Veni, vidi, vici”, em latim, e em português, “Vim, vi e venci”.

Sabe aquela fantasia de trabalhar na melhor empresa que existir, de fazer sucesso com o quê a gente gosta? Quem faz artes cênicas teatro pode sonhar com Hollywood, quem cursou física ou bioquímica pode imaginar-se em um laboratório da Nasa e assim por diante.  Esse nível quase absoluto de sucesso é difícil, mas pode concretizar-se desde que os sonhos se transfigurem em metas. O insight desta jornalista foi se formando durante a conversa com Juliana ao telefone: ficou claro que ela sabe o que quer e que desde muito nova é bastante focada em seus objetivos, características essenciais para quem almeja uma carreira de destaque. 

A vontade de trabalhar na principal estatal brasileira, que hoje atua em mais de 28 países, surgiu no início da graduação.  “O meu desejo de ir para o setor público era por causa da estabilidade. Sempre fui muito determinada e escolhi a Petrobras porque é uma empresa de grande porte, com uma possibilidade enorme de crescer lá dentro”, avaliou Juliana.

Pouco depois de ter concluído a faculdade, a estatal liberou um edital com 200 vagas em todo Brasil. Ela se inscreveu e tentou conciliar o trabalho com os estudos para a prova, marcada para janeiro de 2010. “Chegava em casa e já não dava pra estudar. Às vezes, me atrasava e não conseguia repassar a matéria. O resultado é que não passei”, contou.

Após analisar seu próprio desempenho, Juliana analisou decidiu se dedicar exclusivamente a concursos da sua área: “Vi que eram muitas matérias para se estudar em cima da hora. Saí da empresa em abril do ano passado e já comecei a estudar sem nenhuma previsão de edital”.

Precavida, durante os quatro anos do curso superior ela economizou dinheiro para pagar um curso preparatório, contando também com o apoio emocional e financeiro dos pais. Descobriu no Rio de Janeiro mesmo o curso Reta da Chegada, especializado em engenharia de produção e administração. “O foco das aulas era fazer muitos exercícios da banca, a Cesgranrio. Desde abril de 2010 fui estudando direto, sem parar, até quando saiu o edital, em dezembro”, lembra Juliana. A rotina de estudos compreendia uma quota de, no mínimo, dez horas diárias, entre cursinho e estudo em casa. O convívio com os amigos, a família, o namorado e o lazer ficou reduzido aos fins de tarde de sábado e às noites de domingo.

“Não saía, mas valeu a pena! Fiz um cronograma de estudos, estudava todos os dias, mesmo aos sábados. Quando o edital abriu, eu já estava muito bem (preparada). Daí foi só dar um gás e fazer mais exercícios. Estudei muito a bibliografia específica”, revelou a jovem concurseira.

Além da motivação dada pelos pais, amigos e o namorado, que sempre falavam para que não desistisse, mesmo sem a previsão do edital, Juliana destacou a importância do apoio recebido da professora e dos colegas de curso: “A Mônica sempre nos estimulava e dava uma atenção especial para cada aluno. Participei de um grupo de estudos com mais duas pessoas e nos encontrávamos duas vezes por semana. Isso dava muita força e ajudava muito porque o quê um não sabia, o outro sabia. Não tinha muito isso de concorrência, de individualismo. As pessoas trocavam material. No nosso grupo, todo mundo passou”.

A entrevista teve que acabar por ali. Naquela manhã de segunda-feira, dia 2 de maio, Juliana se preparava para entregar a documentação do concurso. Ainda não sabia onde iria trabalhar, mas não se importava porque já tinha conseguido o principal. “Para mim é indiferente, mas eu preferia ficar no Rio. Já morei em Portugal, fiz intercâmbio, sou meio independente, consigo me virar sozinha”, disse antes do tchau.

Aline Viana

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