Desça do muro! Dez certezas sobre a crise

Certeza absoluta nenhum de nós tem. Sobre nada. Tudo é um risco. Acostume-se a lidar com isso. Escolha um caminho, desça do muro e siga com a vida

Gabriela Knoblauch
Publicado em 13/07/2016, às 12h50

Que dúvida, né colega? Estudar para concurso ou arrumar um emprego na iniciativa privada? Estudar para concurso ou ir para o exterior tentar a vida? O Canadá sempre precisa de gente. Será por causa do frio? 
Estudar para concurso ou virar empreendedor? E as notícias sobre o cancelamento dos concursos públicos? “Imagina, estudar em vão!”
O cenário é de incertezas. Entretanto, algumas coisas precisam ficar claras para que você possa tomar a melhor decisão para sua vida:
1 - Esse papo de “apocalipse concursística” não existe. Ainda que aconteçam algumas privatizações, a máquina pública continua existindo e precisando de gente para trabalhar. Quase todas as pessoas concursadas que conheço (e eu sou cercada delas) está em um órgão carente de servidores. Muito carente!
2  -  As vagas estão represadas! Os concursos estão escassos há algum tempo. Por hora, teremos um aqui e outro ali. Em um futuro não tão distante para quem ainda tem muito o que se preparar, as vagas terão que ser preenchidas. Que tal por você? Tenha certeza: se não for por você, será por alguém que foi mais sagaz, disciplinado e esperançoso nesse período de “seca”. Depois não vai adiantar chorar.
3  -  Quanto menos concursos, mais feroz estará a concorrência. A necessidade/desespero é uma fonte inesgotável de motivação.
4  -  Preparar-se depois da publicação do edital é para amadores. E amadores não passam. Mas disso você, lá no fundo, já sabia.
5   -  Não está fácil para ninguém! Mas garanto que está pior para quem não sabe se tem emprego amanhã. O servidor pode estar sobrecarregado, sem reposição da inflação em alguns órgãos, e até com o salário parcelado em outros, mas, mesmo assim, a situação está ótima em comparação com a iniciativa privada. Estou dormindo tranquilamente com a minha suada estabilidade. Só te digo isso.
6  -  Sustentar editoras e cursinhos, mas não estudar com afinco, dando sangue, suor e lágrimas, não adianta nada!
7   -   Estudar “meia-boca” para aliviar consciência e dar satisfação para quem banca seus estudos – além de inútil – é muita falta de consideração com você e com quem te ajuda.
8   -  Sentar no cantinho e reclamar da dureza da vida não rende bom futuro para ninguém.
9  -  Posso desabafar? Organizar material de estudo dia sim e outro também é muita auto-enganação! Organização é importante sim, mas gaste apenas o tempo necessário com essa atividade.
10  -  Ficar sentadinho (a) confortavelmente em cima do muro da dúvida é a maior perda de tempo do mundo. Com a desculpa de precisar pensar bem sobre que rumo tomar, você corre da gigante - e por vezes opressora - responsabilidade de tirar sua vida do chão. Eu conheço muita gente que parou a vida para decidir. E, quando decide, volta atrás milhares de vezes. Anos se passam e a pessoa não fez nada bem feito! Nem o mestrado (que largou), ou o estudo para concursos (que é mais um plano mirabolante do que qualquer outra coisa), ou a mudança de país (que consiste basicamente em ver fotos na internet do lugar dos sonhos). O tempo voa! Cinco anos, dez anos voam! Não se permita estagnar a vida em razão da dúvida. 
Certeza absoluta nenhum de nós tem. Sobre nada. Tudo é um risco. Acostume-se a lidar com isso. Escolha um caminho, desça do muro e siga com a vida. Tempo é artigo de luxo. Não pode ser desperdiçado.
Gabriela Knoblauch é professora e dá aulas de inglês no Ponto dos Concursos

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