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Empregos Eleições 2010

Entrevista com José Maria de Almeida, do PSTU

A criação de um novo modelo econômico, que prime pela igualdade e valorização dos trabalhadores, jovens e servidores é a proposta do candidato para o Brasil.



Redação
Publicado em 24/09/2010, às 14h56

Nascido em Santa Albertina, interior de São Paulo, Zé Maria foi metalúrgico e líder em movimentos sindicais pelo país, como a onda de greves do ABC paulista, em 78. Ajudou a fundar a CUT e o PT, do qual foi expulso em 92 pela campanha “Fora Collor”.

JC&E - Qual a sua principal plataforma de governo?

José Maria de Almeida - Nossa proposta é criar condições para o pleno emprego, salário digno, saúde, educação para todos, moradia e aposentadoria. No entanto, precisamos mudar radicalmente a estrutura econômica do Brasil.

Os trabalhadores que produzem a riqueza do país pouco usufruem dela, enquanto um punhado de banqueiros e empresários continuam enriquecendo.

É necessário que esses recursos sejam destinados para criar empregos, construir escolas, hospitais e fazer a reforma agrária. Temos condições de fazer essa inversão de prioridades. Falta vontade política.

JC&E - A atual gestão foi marcada pela criação de inúmeros cargos públicos e abertura de concursos. Qual é a sua opinião sobre o assunto? Pretende continuar com essa linha?

JMA - Temos de ter um número maior de servidores para oferecer um serviço de qualidade à população. E os servidores devem ser valorizados.

Infelizmente, o governo Lula não tem como prioridade a valorização do serviço público. Para salvar os empresários da crise econômica, liberou R$ 300 bilhões de dinheiro público. Além disso, no ano passado, pagou aos banqueiros R$ 380 bilhões da dívida (36% do orçamento geral do país). Mas a dívida pública segue aumentando, e atingiu R$ 2 trilhões.

JC&E - O atual governo também procurou trocar funcionários terceirizados por concursados. Qual é a sua posição sobre a terceirização de cargos públicos?

JMA - O governo não teve como prioridade substituir os terceirizados. Prova disso está na Petrobrás, que chegou a ter 62 mil trabalhadores e baixou para 39 mil com a política privatista de FHC. Atualmente, o número de trabalhadores está na casa dos 70 mil. Os terceirizados são mais de 295 mil. Com o pré-sal estima-se que esse número passará de um milhão. O governo faz isso para que a empresa lucre mais. Os terceirizados são contratados na base do menor preço, o que leva à diminuição da massa salarial, benefícios e direitos.

JC&E - O Brasil irá sediar as próximas Copa e Olimpíadas. Quais são seus planos de investimento nesses dois grandes eventos? Quais serão os reflexos disso na geração de empregos?

JMA - É muito importante que esses eventos ocorram no país, mas é preciso ter cuidado. A Copa e as Olimpíadas podem se tornar grande fonte de corrupção. A polêmica em torno dos estádios do Morumbi e Pirutubão, em São Paulo, mostra que tem muito político aliado a construtoras e cartolas querendo faturar. Também há uma ação das autoridades para remover moradores de comunidades próximas de onde serão construídas as obras. É inaceitável. O estado tem responsabilidade de oferecer condições de vida dignas para a população.

JC&E - E quanto ao pré-sal? De que forma o senhor planeja investir no setor? E qual é a previsão de criação de postos de trabalho?

JMA - Em primeiro lugar, é preciso garantir que a Petrobrás volte a ser uma empresa 100% estatal. Hoje, 32,8% das ações estão nas mãos da União e mais de 50% estão negociadas na Bolsa de Nova York.

Com a Petrobras 100% estatal, o preço da gasolina poderá ser reduzido drasticamente. Também poderá ajudar a combater o desemprego no país, com a ampliação de funcionários pela realização de concursos.

JC&E - Quanto à saúde pública, o senhor tem planos específicos para aumentar o número de profissionais – e, consequentemente, melhorar o atendimento à população?

JMA - Os últimos governos são responsáveis pelo caos da saúde. Além de contar com verbas insuficientes, permitiram a abertura do SUS ao setor privado, sabotando o direito universal dos brasileiros à saúde.

Se deixarmos de pagar a dívida e acabarmos com os privilégios do setor privado teremos condições de duplicar as verbas da saúde pública, realizar concurso público para substituir terceirizados e valorizar os salários dos profissionais do setor.

JC&E - Considerações finais

JMA - Vamos defender um governo da classe trabalhadora, que governe o país não com os banqueiros e grande empresários, como faz Lula, mas contra eles. Um governo que implemente as necessárias mudanças na estrutura econômica, política e social, abrindo caminho para uma transição socialista.

Podemos governar o país para transformá-lo se, em vez de acordos com José Sarney, Collor e Renan Calheiros, recorrermos à mobilização dos trabalhadores.

Não temos a ilusão de que esse objetivo possa ser atingido com as eleições como são feitas hoje, mas somos conscientes de que o processo eleitoral é importante para a disputa política pela consciência e pelo voto dos trabalhadores para fortalecer uma perspectiva socialista e transformadora para o Brasil.

+ Resumo Empregos Eleições 2010

Eleições 2010
Vagas: Não definido
Taxa de inscrição: Não definido
Cargos: Não definido
Áreas de Atuação: Não definido
Escolaridade: Não definido
Faixa de salário:
Organizadora: O próprio órgão

+ Agenda

24/09/2011 Divulgação do Resultado Adicionar no Google Agenda

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