Estudar para concursos e não trabalhar: é possível?

Educador financeiro ensina como acumular recursos para investir na preparação para a carreira pública sem ficar com o bolso, e a conta, zerados

Redação
Publicado em 24/01/2013, às 10h59

Reflita um pouco, concursando: você teria condições, hoje, de abandonar seu emprego e se dedicar exclusivamente aos estudos para desfrutar da alegria de ser aprovado no cargo público que tanto almeja? Provavelmente, a resposta é não.

Realmente, não é nada fácil somente investir e saber que não poderá contar com o salário no final do mês (mesmo que você considere a quantia muito pouco para o tanto que deseja fazer). Porém, também não é impossível.

Em entrevista ao Jornal dos Concursos & Empregos, o educador financeiro André Massaro explica como organizar as finanças para sobreviver, se manter e passar em um concurso público.

Jornal dos Concursos & Empregos – Qual é a primeira coisa a fazer para ficar um tempo sem trabalhar e se dedicar exclusivamente aos estudos?
André Massaro –
Antes de qualquer coisa, é preciso se planejar. Lembro, por exemplo, que quando eu estava na graduação, isso há 20 anos, as pessoas tinham uma visão diferente com relação a concurso público.
Na minha área, por exemplo, a economia, não se pensava tanto nisso. Eu percebo que o perfil da pessoa que participa de concurso mudou. Hoje é um candidato bastante elitizado e bem preparado.
O mercado me parece ser bastante competitivo, então, o planejamento é fundamental, porque essa pessoa vai ter de se preparar para competir com os melhores. Então, é preciso ter todos os recursos à mão e saber que pode ser preciso bastante tempo de estudo, e o candidato terá de sobreviver de alguma forma.

JC&E – Quanto seria preciso poupar por mês para ficar sem trabalhar por um ano?
AM –
Isso é algo que depende muito da renda. Quem ganha muito e tem poucas despesas pode guardar uma porção maior, que pode chegar a mais da metade, inclusive.
Neste caso, de alguém que está se preparando para algo que é, na verdade, um projeto de longo prazo, quanto mais guardar, melhor. Isso varia muito da renda e dos tipos de gastos que tem.
Alguém que tem uma renda média, mas uma despesa muito alta porque, eventualmente, tem de sustentar a família, geralmente vai estar um pouco mais limitada e talvez não consiga guardar nem 10% da sua renda, mas o quanto mais conseguir guardar, melhor.

JC&E – Considerando a preparação de um ano, o que é preciso incluir no balanço financeiro?
AM –
Esse valor tem que incluir despesas básicas de sobrevivência, a manutenção da pessoa, e, eventualmente, o que ela vai precisar de materiais de estudo, como apostilas. Nesta conta a gente não coloca muito lazer, porque para quem está se preparando para um concurso, o recurso tão ou mais importante que o dinheiro é o tempo. Não se deve fazer nada que disperse ou que faça desperdiçar o tempo.
“Ah, mas a pessoa tem que fazer alguma atividade para aliviar o estresse”. Não sei. Não sei até que ponto isso flui positiva ou negativamente. De qualquer forma, a pessoa que está se preparando para concurso tem de entender que vai ter de focar todos os recursos neste objetivo. Isso inclui recursos financeiros, de tempo e tudo o que estiver à disposição.
Quanto menos dispersão, melhor. E isso também facilita o planejamento e favorece a contenção de gastos para coisas supérfluas.

JC&E – Qual seria a orientação para os concursandos limitar os gastos?
AM –
Controle financeiro é algo que a maioria das pessoas diz que é difícil, complicado. Isso não é verdade. Fazer o controle financeiro não é difícil; é chato. Só que para muita gente, estudar para um concurso público também é chato. Nós fazemos coisas chatas, e essas coisas chatas dependem da nossa motivação. Então, nós temos que buscar a motivação para que controlemos e planejemos as nossas finanças, sabendo que isso é uma coisa importante para que a gente atinja o objetivo maior, que no caso do concursando é passar no concurso.
Planejamento financeiro é uma ferramenta que vai ajudar a passar, aí, quem sabe, ele consegue se motivar e fazer o planejamento completo: usar planilhas, colocar os números no papel. Dá trabalho, é chato, mas tem que ser feito.

JC&E – O planejamento é importante, inclusive, para que o candidato saiba se poderá investir em um curso preparatório ou se terá de enfrentar o estudo individualizado?
AM –
Se ele acha que o curso preparatório é importante para o objetivo dele, ele vai ter que se virar e encaixar dentro do orçamento dele.
Tudo é uma questão de ver qual é a estratégia que ele traçou para si. Se a estratégia passa por ter profissionais ajudando, vai ser preciso incluir o curso no planejamento. O concursando vai ter que fazer acontecer.

JC&E – Qual é o seu conselho para quem ainda está em dúvida se consegue poupar ou não?
AM –
Todo objetivo depende muito do nível de motivação e comprometimento que a gente tem com ele. Se a pessoa, realmente, está determinada a passar no concurso, ela vai arrumar um jeito. Ou seja, vai fazer o planejamento, vai mudar o estilo de vida – é fundamental mudar o estilo para que sobre mais dinheiro -, e sempre lembrando que a grande maioria dos problemas que envolvem as finanças pessoais, na verdade, não são problemas financeiros, são problemas de comportamento.
As pessoas têm certa dificuldade de entender que a gente precisa viver dentro das nossas possibilidades. No caso de quem está se preparando para um concurso e precisa acumular recursos, isso é mais verdadeiro do que tudo. O candidato tem que fazer as mudanças de estilo de vida, tem que fazer sacrifício, tem que fazer corte. Essa é uma má notícia, mas, infelizmente, faz parte da realidade. E adaptar a renda, adaptar os ganhos dele para esta nova realidade. A pessoa vai ter que dar uma abaixada no padrão de vida para sobrar mais dinheiro e, inclusive, sobrar mais tempo para a preparação.

Pâmela Lee Hamer/SP

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