Estudar sozinho é possível: basta querer!

Especialista dá dicas de como não desanimar e conseguir alcançar o cargo desejado.

Redação
Publicado em 06/11/2008, às 16h02

A busca por um emprego estável no funcionalismo público vem, muitas vezes, acompanhada da idéia de que apenas os candidatos que se preparam em cursinhos conseguem a vaga desejada. No entanto, a falta de recursos financeiros e tempo, principalmente, são fatores que afastam muitas pessoas das salas de aula e fazem possíveis candidatos desistirem de prestar o concurso por terem que estudar por conta própria.

Mas é possível conquistar uma vaga em concursos tão concorridos estudando sozinho? O juiz federal, professor e escritor, William Douglas, garante que sim. Expert na área de concursos públicos, ele afirma que basta observar o número de inscritos em cursinhos e dos aprovados nos processos seletivos para confirmar sua tese. “Muita gente que passa não fez o cursinho”, diz.

Douglas explica que freqüentar um curso preparatório é sempre válido, mas, se não for possível, a dica é não desanimar e buscar outras formas de estudo. “Ninguém desanime se não tiver tempo ou dinheiro para fazer os cursos. Se puder fazer, vale a pena, mas se não puder, estude em casa, usando os programas dos editais, a internet e o extenso material disponível atualmente em livros e apostilas. O que faz alguém passar é o esforço e dedicação; o cursinho é bom, mas não é um requisito totalmente indispensável”, comenta.

Para ele, a principal característica que essas pessoas devem ter para alcançar os objetivos é a força de vontade. “O ideal é somar motivação com preparação. Só motivação não resolve, mas só disposição, sem força de vontade, também não resolve. A pessoa que tiver força de vontade e disposição para estudar e treinar até estar preparado vai passar, com certeza. Costumo dizer que a diferença entre o sonho e a realidade é a quantidade certa de tempo e trabalho”.

Como estudar

Mas, segundo Douglas, estudar sozinho requer algumas características do candidato, como organização e empenho na busca de ferramentas que colaborarão com o estudo. “Aprender a se organizar e a estudar, ver todo o programa do edital e fazer muitos exercícios e simulados. É importante estudar a teoria e também fazer questões, onde se aprende a transmitir a teoria para o papel”, salienta.

Ele afirma que, nessa hora, é importante que a pessoa acredite em si mesma e que vale a pena estudar. “O futuro irá premiar quem se esforçar”, diz.

Para aqueles que buscam uma dose de motivação, Douglas recomenda que visitem seu site (www.williamdouglas.com.br) e vejam, gratuitamente, as dicas, aulas, vídeos e artigos sobre cada uma das fases de preparação.

Exemplo de sucesso

O professor de Educação Física, Cauê La Scala Teixeira é um exemplo de que, com determinação e disciplina, passar em um concurso sem ter freqüentado curso preparatório é possível.

Funcionário da Prefeitura Municipal de Santos, para onde foi aprovado através de concurso, em 2006,ele conta que nunca freqüentou cursinhos.

Seu gosto pelos estudos surgiu quando começou a cursar pós-graduação em sua área, assim que se formou em Educação Física. “Este curso de pós-graduação exigiu muito empenho, pois foi um curso bastante ‘puxado’. Desde então, comecei a estudar e peguei gosto pelos livros. Este fato esteve associado a minha busca por um emprego fixo, tendo em vista a grande instabilidade de emprego que se tem na educação física. Passei a prestar todos os concursos que abriam para a minha área na região da Baixada Santista. Todos os concursos nos quais não fui classificado também serviram como uma forma de estudo, o que também contribuiu para a minha aprovação posterior”, diz.

Teixeira afirma que desde o início da pós-graduação, quando realmente começou a se dedicar aos estudos, até a sua aprovação, um ano se passou. “No entanto, peguei tanto gosto pelos estudos que não parei mais”, comenta.

Ele explica que nunca seguiu uma rotina de estudos e considera que estabelecer horários para estudar pode prejudicar o candidato. “Estudava em minha casa sempre que tinha algum tempo disponível. Atualmente, estudo porque gosto, e continuo seguindo basicamente o mesmo esquema de estudo. No meu ponto de vista, todo sistema de rotina é cansativo e desestimulante, portanto, procurei não deixar o estudo se tornar rotina (horário determinado, quantidade de dias na semana, etc.), estudando assim que sentia vontade, até que, naturalmente, tornou-se uma ‘rotina’ saudável e estimulante”.

Como base de estudos, Teixeira usou livros específicos e artigos científicos da área de Educação Física. Também contou com a colaboração de professores e colegas do curso de pós-graduação para solucionar dúvidas.

Disciplina e prazer

Teixeira afirma que, para estudar sozinho, é fundamental que o candidato tenha disciplina. Mas não apenas isso. Deve também gostar daquilo que está fazendo. “Acho que para tudo na vida é necessário ter disciplina. A disciplina caminha junto com o sucesso. No entanto, mesmo sendo disciplinado, é necessário sentir prazer em estudar, gostar daquilo que se estuda, pois a disciplina é perdida quando se estuda por obrigação e não por gosto”.

Para ele, o ponto positivo de não freqüentar cursinhos é que o candidato pode determinar suas regras, como quanto e como estudar, mas por outro lado, não há, também, a cobrança e o incentivo dos professores e da equipe dos cursos, o que, para aqueles que não têm disciplina, pode ser prejudicial. “Para mim deu certo, mas acho que esta não é uma maneira aplicável a todas as pessoas”, confirma.

Teixeira finaliza dizendo que o ponto fundamental para o sucesso dos estudos é a escolha de uma área que agrade. “Quando nos interessamos por algum assunto específico, geralmente temos curiosidade em pesquisá-lo, e esta curiosidade é que motiva a continuidade dos estudos”, complementa.

Juliana Pronunciati

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