Não só uma mulher de Mogi...

O perfil de uma empreendedora e feminista convicta

Redação
Publicado em 28/10/2011, às 15h53


É de se imaginar que todo profissional que trabalhe com consultoria precise manter afinada a autoestima. Afinal, a imagem - e a percepção que se tem dela - são traços de grande valor no mercado de trabalho. O que poucos atentam é para como se constrói uma autoestima, digamos, pacificada. Fádua Sleiman, uma descendente de libaneses que fala cinco idiomas (árabe, francês, italiano, inglês e português) é um valioso convite à compreensão desse processo intrínseco ao sucesso profissional. Fádua não concilia apenas o domínio de múltiplos idiomas como ostentação de seus talentos. Aos 53 anos, se orgulha de ser empresária e fomentar, entre as mulheres, a sementinha do empresariado. Em 2008 publicou “Marketing do batom”, um livro que até hoje lhe rende convites para palestras, sobre “o mundo corporativo feminino”. 
Dizer que Fádua detectou um nicho com muitas potencialidades a explorar é reconhecer seu bom tato para identificar oportunidades. No início dos anos 90, em plena era Collor, com a abertura econômica brasileira, abriu uma escola de idiomas. “A ajuda da família foi providencial”, recorda enquanto apresenta os fatos como quem tem uma longa linha cronológica a percorrer. Em três anos Fádua tinha três outras unidades. Uma voltada para o ensino infantil (“a primeira especializada em inglês para crianças”) e outra dentro do campus de uma universidade. “Estávamos vivendo o boom do franchise”, contextualiza dividindo os louros de seu sucesso com a expansão econômica nacional.
Foi esse crescimento acelerado que a colocou na mira de alunos que, além de estudantes, eram executivos, empresários e empreendedores. “O pessoal perguntava: como você faz? Aí fui fazendo consultoria gratuitamente”, explica a poliglota empreendedora. “Mas registrando tudo”. O “tudo” a que ela se refere são as dúvidas apresentadas, os anseios externados e demais angústias que chegavam a seus ouvidos. Essas consultorias informais foram semeadoras de seu livro. Mas por que “Marketing do batom”? “Por que em uma escola de idiomas, 90% é mulher”, atesta a paulista de Mogi das Cruzes em franca demonstração de como elas querem dominar o mundo. E por que batom no título? “Porque tem a ver com autoestima”. E novamente nos deparamos com a razão de ser disso tudo. Fádua se incumbe, por puro prazer e devoção, de defender os interesses das mulheres. Integra diversos conselhos empresariais, mas lhe basta falar de um: o Conselho Nacional da Mulher Empresária, do qual é diretora. À frente desse grupo, atua em favor da proliferação das mulheres empresárias. “Fomos responsáveis pela implementação do primeiro curso da mulher empreendedora no Brasil”, destaca em tom que faz lembrar um político em campanha. Política ou não, Fádua se prepara para lançar o segundo livro. “Os homens são de marte e as mulheres são de shopping”. Esmerada em pesquisas, Fádua irá repercutir o fato das mulheres hoje concentrarem cerca de 80% do poder de compras. Uma leitura para incrementar qualquer autoestima. 
A própria reconhece adorar fazer compras, viajar e outras coisas que todos os filhos de Deus certamente adoram. 
Fádua já escreveu em jornal, em revista e quer ter um programa na televisão. “O formato que tenho em mente é caro, mas é algo que gostaria de fazer”. Sempre com a agenda de defender e promover a mulher, Fádua, assim como a ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, se viu contrariada por uma recente propaganda de lingerie estrelada pela modelo brasileira Gisele Bündchen. “Não precisava ser explorado daquele jeito. Foi uma ação contra a mulher”, exclama. E lá foi Fádua pesquisar. “A mulher mais escolarizada não gostou”. A fonte é a própria Fádua. Essa mulher que já viveu no Líbano (“saímos de lá antes da guerra civil”), que acha o francês a língua mais linda do mundo, que é professora, empreendedora e que enxerga no reconhecimento a vazão da vaidade; assim como qualquer filho de Deus em sintonia com sua autoestima. 

Por Reinaldo Matheus Glioche
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Vida em parágrafos: Na defesa do sonho
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