Junior ou sênior: sucesso está na dedicação

A idade não é fator determinante e sim quanto e como a pessoa investe no objetivo de conquistar sua vaga.

Redação
Publicado em 11/11/2008, às 16h30

Em plena ditadura militar, Geraldo Vandré conquistou a platéia do Festival Internacional da Canção de 1968 com “Pra não dizer que não falei das flores”. O refrão famoso diz: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer” – o pensamento descreve com exatidão a realidade dos concursos públicos: a idade não é fator determinante e sim quanto e como a pessoa investe no objetivo de conquistar sua vaga.

Para o diretor de recursos humanos José Luis Romero Baubeta, 45, “toda idade é idade pra mudar de vida, procurar novos horizontes, novos desafios”. Ele recomenda que jovens a partir dos 17 anos comecem a se preparar e a prestar concursos públicos. “A pessoa só precisa ter 18 anos no dia da posse porque o processo não é imediato: até fazer as inscrições, prova e ser convocado pode demorar um ano, talvez até um pouco mais”, avalia Baubeta. Uma vantagem para quem presta concurso nessa fase é adquirir a independência financeira logo no início da carreira, o que permite conquistar outros objetivos.

Os mais experientes não devem se sentir intimidados com a seleção por concurso público. “Vale a pena estudar muito para não ficar velho e pobre. Tem quem trabalhe 15, 20 anos e de repente é mandado embora para enfrentar um mercado acirrado, ainda mais hoje com crise de desemprego global – nessa hora é preciso focar na carreira pública com mais objetivo”, observa Baubeta. O concurso público só não é indicado para maiores de 70 anos, idade da aposentadoria compulsória.

O diretor acredita que aquilo que traz sucesso ao profissional mais experiente nos concursos são características como comprometimento, empreendedorismo e entusiasmo. “Ainda que a pessoa leve de um a três anos para ser aprovada, ela terá conquistado um emprego para toda vida, quem faz faculdade, por exemplo, estuda quatro anos ou mais e sai sem nenhuma garantia”, compara o diretor.

Quando pegar nos livros?

Junior ou sênior, o importante é começar a estudar antes mesmo da publicação do edital, segundo Baubeta. Para isso, pesquise editais e provas anteriores de concursos para o mesmo cargo ou que exijam o mesmo grau de escolaridade. “Quem estuda para concurso público aprende de 80% a 90% do conteúdo exigido para outros concursos com a mesma escolaridade e faixa de salário. Assim, ele, automaticamente está se preparando para vários concursos”, diz Baubeta.

Além de dominar o conteúdo programático, descubra o máximo possível sobre as atribuições e benefícios que a função oferece: assistir a palestras gratuitas oferecidas por cursinhos é um bom caminho para obter essas informações diretamente de pessoas que já atuam na área. Quem pretende prestar concurso em outra cidade também deve informar-se sobre as características principais do lugar, como estrutura, clima, etc.

O primeiro emprego, aos 18 anos, foi na área pública

Antonio Cometti, 22, conseguiu seu primeiro emprego na área pública. Incentivado pelos pais, ele, que já se preparava para prestar vestibular, prestou e foi aprovado no concurso de Agente de Relações Públicas da Prefeitura de Sumaré, cidade localizada na região metropolitana de Campinas.

Na escolha pela carreira, Antonio considerou a formação escolar exigida (nível médio) e renda compatível com suas necessidades à época. “Foi uma experiência muito enriquecedora e me deu a noção que precisava para entrar de vez no mercado. Aprendi a lidar com as hierarquias dentro do ambiente profissional, a me relacionar melhor com o público e sentir o que é a pressão de prazos e superiores”, enumera ele.

Ela tinha 55 anos quando foi aprovada como Professora de Artes

Carmem Lúcia Moscallegra, 60, foi aprovada no concurso aos 55 anos. O resultado foi a coroação de um processo de mudanças que começou na década de 90 quando ela decidiu que queria retomar a carreira profissional, após anos cuidando exclusivamente da casa e dos filhos.

Ela iniciou os estudos de nível médio no antigo Magistério, formada começou a lecionar em escolas da rede pública como professora substituta, cujo caráter de contratação é temporário. Ao longo dos anos, ela prestou vários concursos, estudando com amigas, mas não conseguiu ser efetivada. Até que decidiu fazer o ensino superior em Artes por ter observado que havia carência de profissionais naquela disciplina e ser apaixonada por História da Arte.

Dizem que a sorte chega para quem trabalha e foi esse o caso de Carmem. Pouco depois de concluir a faculdade, o governo estadual de São Paulo rompeu um período de anos sem concurso para efetivação de professores e publicou um edital com vagas para todo o estado. Com o conteúdo do curso ainda fresco na memória, ela foi uma das primeiras profissionais a ser convocada para assumir o cargo

Aline Viana



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