Nunca é tarde para se candidatar

Candidatos acima de 50 anos contam porque resolveram começar a prestar concursos.

Redação
Publicado em 24/07/2009, às 15h35

Depois de trabalhar 26 anos como chefe de setor da Secretaria de Esportes de Piracicaba, interior paulista, Oscar dos Santos decidiu se aposentar. Desde 1979, sua principal responsabilidade era cuidar do estádio de futebol do município. Agora, aos 62, ele resolveu trocar os gramados por um cursinho preparatório com o objetivo de se tornar oficial de justiça do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP). Ele acredita que, assim, pode voltar a exercer um papel na sociedade. “Não quero deixar os neurônios se aposentarem. Não quero ficar parado em casa, só cuidando dos netos e passeando com os cachorros. Acho que ainda tenho muita coisa para fazer”, diz empolgado.

Com a mesma motivação, Engracia Maria de Sá, 55 anos, resolveu voltar a estudar quando o filho ingressou na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), e o salário que recebia não estava sendo suficiente para o sustento dos dois. Ela fez cursinhos para se preparar para as seleções do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE/RJ), Tribunal de Justiça (TJ/RJ), Tribunal Regional do Trabalho (TRT/RJ), Tribunal Regional Federal (TRF) e Ministério Público do Trabalho e Emprego (MTE). Nesse último, Engracia destacou-se entre os 533 candidatos inscritos e foi a 1ª colocada para o cargo de agente administrativo em Nova Friburgo (RJ), em dezembro de 2008.


Durante três anos, ela só se dedicou aos estudos e às tarefas domésticas. Hoje comenta com satisfação a conquista do emprego: “Desde que voltei a trabalhar, me sinto muito satisfeita e realizada. Em qualquer época da vida, devemos lutar por um futuro melhor”.


Assim como Oscar e Engracia, muitas pessoas acima de 50 têm voltado às salas de aula. O professor de processo penal e leis especiais da Academia de Concursos (RJ), Leonardo Barreto Antunes, acredita que a ampla procura por cursinhos tem acontecido por causa do preconceito que pessoas mais velhas enfrentam no mercado de trabalho. “Além de não haver preconceito por causa da idade avançada, as pessoas estão prestando concursos para obter estabilidade”, avalia.


Apesar do interesse, muitos ainda ficam em dúvida se podem ou não se candidatar para cargos públicos. Antunes explica que, na constituição, é vedada a discriminação e a fixação de limite máximo de idade ao ingresso na carreira pública. Segundo a legislação, é aceitável se inscrever para concursos públicos até os 69 ou 70 anos. Na maioria das seleções, o limite de idade é de 69, já que aos 70 a aposentadoria é obrigatória.


Com exceção das seleções da Polícia Militar e Forças Armadas, que restringem a faixa etária por exigirem a prática intensa de atividades físicas, é possível prestar concursos para os demais órgãos sem moderação. 

No dia 15 de julho de 2009 foi aprovado na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) um projeto do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) que reserva 5% das vagas em concursos para idosos. A proposta é válida para todos os cargos com exceção dos que necessitam de esforços físicos.


Andréa Carolina Ferreira/SP

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