Ouvi dizer que os concursos acabaram...

Por mais que a notícia pareça assustadora, não há motivos para pânico, até porque, se lembrarmos, nos últimos dois anos essa mesma notícia já foi divulgada diversas vezes

Daniel Sena
Publicado em 22/06/2016, às 15h20

Nos últimos dias o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) anunciou mais uma vez que não haverá mais concursos em 2016 e em 2017, o que causou um alvoroço entre aqueles que veem nessa oportunidade uma grande chance para mudarem de vida. Diante destas informações, recebi centenas de e-mails de alunos desesperados querendo saber o que fazer a partir de agora.  
Por mais que a notícia pareça assustadora, não há motivos para pânico, até porque, se lembrarmos, nos últimos dois anos essa mesma notícia já foi divulgada diversas vezes. Ainda assim, após vários anúncios de suspensão, tivemos inúmeros concursos que ofereceram milhares de vagas em todo o Brasil. Lembrem-se de concursos como o do INSS, IBGE, tribunais, concursos estaduais e municipais. Na própria semana em que o atual ministro do MPOG fez essas declarações, foi publicado o edital do IBGE com 7.500 vagas.
Quando ouço esse tipo de declaração, simplesmente ignoro. A Constituição Federal condicionou à aprovação em concurso público a ocupação dos cargos públicos de provimento efetivo. Desta forma, para que os concursos acabem, precisaríamos de uma nova Constituição.
E porque será que essa notícia sempre vem à tona? Ora, a crise econômica vivida pelo país nos últimos meses é notória e este tipo de notícia acaba funcionando como elemento de um discurso tranquilizador por parte do governo para a sociedade. Apenas uma fatia dos brasileiros se interessa por concurso público, desta forma, a maioria sempre ficará feliz ao receber essa notícia. Certamente, esta aparenta ser uma medida de economia para os cofres públicos o que causa a sensação de segurança para aqueles que estão receosos com a crise econômica pelo qual o Brasil tem passado.
Em contrapartida, esse tipo de notícia deixa o coração do concurseiro agitado pois dá a impressão de que ele não terá mais a chance para mudar sua vida. É aí que eu te pergunto: será mesmo que essa notícia deve ser levada em conta?
Meus queridos, tenho dois excelentes motivos para você não se preocupar com isso. O primeiro motivo, é que se essa notícia de suspensão for real – o que eu não acredito – você terá mais tempo para estudar e desta forma conseguirá se preparar melhor para as oportunidades que surgirão lá na frente. Não tem como, na vigência desta Constituição, acabarem os concursos públicos. Lembre-se que servidores públicos morrem, aposentam-se, trocam de cargo, são demitidos e todas essas situações geram vacâncias em cargos que já existem e precisam ser preenchidos por outros servidores. Ainda que não sejam criados novos cargos por um tempo, as vagas nos cargos que já existem por si só já é uma excelente razão para a realização de novos concursos. Ademais, a notícia de suspensão foi dirigida para o poder executivo da União. E os 27 Estados? E os mais de 5.000 municípios? E os demais poderes e instituições que possuem autonomia orçamentária própria? E os concursos já autorizados? Sinceramente, não vejo nenhum sentido em se preocupar com essa notícia. Os concursos continuarão saindo e você deverá estar preparado para isso.
A outra razão para não se preocupar com a notícia de suspensão é que a maioria dos seus concorrentes acreditarão nessa notícia e pararão de estudar. Esse é o tipo de notícia que realmente não agrega valor à sua preparação. Ao invés de ficar preocupado com o fim dos concursos, por que você não estuda? Estudar enquanto a maioria deixará de estudar em meio à crise criará para você uma oportunidade que a maioria não aproveitará. Como diria Nízan Guanaes, “enquanto uns choram, outros fabricam lenços”.
É no meio da crise que os mais atentos criam suas oportunidades e esse é um excelente momento para você fazer a diferença. De duas uma: ou você estará com a maioria que acreditou nessa notícia e não continuará estudando ou você ignorará as notícias e manter-se-á firme em sua preparação. A escolha é sua! Aí depois, quando sair o edital que você tanto queria, não adiantará reclamar. A oportunidade foi dada. Aproveite para se preparar, pois quando o concurso sair você já deverá estar pronto. 
Então, quando ouvir essa notícia novamente, de que os concursos acabaram, simplesmente coloque seu tapa ouvidos, respire fundo e siga em frente. A cada notícia como essa, maior é a chance daqueles que não param de estudar.
Daniel Sena, coordenador do Focus Concursos, professor de direito constitucional e especialista em concursos públicos. Facebook: /ProfDanielSena. Twitter: @ProfDanielSena. YouTube: ProfDanielSena.

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