Administradores têm preferência pela carreira pública

Enquete realizada com mais de oito mil estudantes da área apontou que 33,65% têm como objetivo ingressar em órgãos públicos

Redação
Publicado em 20/08/2012, às 15h33

Um levantamento realizado pelo site Administradores.com revelou que a maioria dos estudantes de administração no Brasil pretende ingressar na carreira pública. Das quase nove mil respostas colhidas na enquete que foi disponibilizada no portal, 33,65% optaram pela opção "prestar concurso público", em resposta à seguinte pergunta: "Você, estudante de administração, pretende seguir qual caminho ao concluir o curso?".

A segunda alternativa mais clicada foi "trabalhar para empresas privadas", escolha de 26,52% dos participantes. Logo em seguida aparece a preferência por "abrir seu próprio negócio", com 26,28%.

A opção por "seguir carreira acadêmica" foi apontada por apenas 7,43%. 4,11% disseram ter outras pretensões.

Ao todo, foram 8.895 respostas, colhidas entre 26 de maio e 2 de julho deste ano.

Segundo Leonardo Vieira, mestre em administração e editor do site, “existe uma concorrência desleal entre o Estado e a iniciativa privada quando o assunto é atração de talentos. O Estado pode oferecer inúmeros benefícios para os servidores públicos, além de estabilidade, sem se preocupar com quem irá pagar a conta”.

Para ele, é impossível uma empresa, principalmente de pequeno e médio porte, oferecer algo parecido com os órgãos públicos. O editor ainda acrescenta que “empreender, por sua vez, representa riscos ainda maiores, afinal o Brasil amarga a 126ª posição no ranking mundial que elenca as nações conforme a facilidade de se fazer negócios”.  

Leonardo atribui o resultado ao fato dos candidatos acharem que o concurso é um caminho mais fácil, mas para ele essa pode ser uma escolha tão ou até mais arriscada do que montar um negócio próprio, pois as chances de não passar em um processo seletivo são altas.

Ele frisa também outro motivo: “talvez o resultado represente mais o medo de empreender do que a falta de empreendedorismo em si. Se tivéssemos os estímulos necessários, seríamos realmente um país empreendedor, em vez de um país onde o emprego público é a grande ambição da maioria”. 

E Leonardo deixa um recado para os que pretendem prestar concursos públicos na área da administração: “cada profissional tem que buscar aquilo que realmente gosta de fazer. O prejuízo acontece quando se busca emprego público simplesmente pelo salário e a estabilidade, sem vocação para o trabalho. E aí o prejuízo é não só para o profissional, mas principalmente para a sociedade, que passa a ter um funcionário público que não gosta do que faz”.

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