Operação da PF identifica fraudes em 14 concursos

Investigações apontaram que organização utilizava pontos eletrônicos para fraudar processos seletivos em todo o país. Candidatos envolvidos no esquema responderão por crimes de fraude e associação criminosa

Samuel Peressin
Publicado em 19/09/2017, às 10h52

A Polícia Federal (PF) deflagrou na manhã de segunda-feira (18) a operação Afronta II, que combate uma organização criminosa responsável por fraudar ao menos 14 concursos públicos em todo o país com o uso de pontos eletrônicos.

De acordo com a PF, 47 candidatos participaram do esquema. Eles serão indiciados pelos crimes de fraudes em certames de interesse público e por associação criminosa, cujas penas variam de um a quatro anos e de um a três anos, respectivamente.

Agentes federais cumpriram dois mandados de prisão temporária, quatro de condução coercitiva e dez de busca e apreensão, expedidos pela Justiça Federal em São Paulo, nas cidades de Campinas/SP e Maceió/AL. Além disso, alguns candidatos foram intimados para prestar esclarecimentos.

A ação da PF é desdobramento da operação Afronta I, realizada em outubro de 2015, em Sorocaba, no interior paulista. À época, a Polícia Federal apurou indícios de fraude no concurso para técnico e analista judiciários do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.

As investigações resultaram no indiciamento de nove membros do grupo: o líder, um técnico responsável pelos equipamentos eletrônicos usados na fraude, quatro pessoas responsáveis pelos desvios das provas e outras três que corrigiam as questões desviadas.

Na ocasião, também foram indiciados doze candidatos que receberam as respostas das avaliações por meio de ponto eletrônico e duas pessoas que tiveram participação na fraude, embora não fossem membros da organização.

Esquema estruturado

A partir da operação deflagrada em Sorocaba, os investigadores constataram que outros concursos públicos haviam sido fraudados. A PF solicitou, então, à Fundação Carlos Chagas informações sobre quais outros certames os criminosos responsáveis por desviar as provas (chamados de “pilotos”) haviam se inscrito. Os agentes também pediram os gabaritos de respostas de todos os candidatos das seleções sob investigação, dentre um total de 43.

Segundo a Polícia Federal, os gabaritos foram encaminhados à perícia para que fossem submetidos ao Sistema de Prospecção e Análise de Desvios em Exames, software desenvolvido pela PF para aplicação em investigações de fraudes em concursos públicos e exames em geral.

Após a perícia, ficou constatada que a fraude havia sido consumada em 14 processos seletivos e que 47 candidatos haviam participado do crime - alguns, inclusive, foram aprovados e tomaram posse nos cargos públicos. O sistema também encontrou indícios de cópia de respostas entre candidatos (“cola”) em outros 24 certames. Os concursos públicos envolvidos na investigação não foram divulgados pela PF.

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