Polêmica sobre o emprego do hífen

Conforme o decreto 7.875/12, que alterou o decreto 6.583/08, o prazo de início de uso oficial da Nova Ortografia será somente em janeiro de 2016, a fim de que a nação brasileira se familiarize com as novas regras gramaticais.

Redação
Publicado em 14/01/2015, às 17h21

Sandra Ceraldi

Conforme o decreto 7.875/12, que alterou o decreto 6.583/08, o prazo de início de uso oficial da Nova Ortografia será somente em janeiro de 2016, a fim de que a nação brasileira se familiarize com as novas regras gramaticais. Em concursos públicos, as duas ortografias coexistirão e de forma direta não serão cobrados assuntos referentes ao tema. Por isso, é o momento de memorizar as novas regras quanto ao emprego do hífen, visto que é a maior polêmica da língua portuguesa.

Segundo o Acordo Ortográfico, o hífen é obrigatório diante de palavras iniciadas por “h” e letras iguais as dos prefixos: extra-hospitalar, pseudo-herói, inter-resistente, micro-ondas, anti-inflação, hiper-revolucionário etc.

Algumas regras permanecem iguais, como é o caso dos seguintes prefixos: além (além-fronteira), aquém (aquém-mar), ex (ex-marido), recém (recém-nascido), sem (sem-vergonha), vice (vice-presidente), pós (pós-graduação), pré (pré-escolar) e pró (pró-britânico), cujo hífen já era obrigatório.

Entretanto, com os prefixos que usávamos o hífen apenas em casos especiais, respeitando-se vogal (“h”, “r” ou “s”), estão modificados para uso somente diante de “h” e da mesma letra do término do prefixo e início da outra palavra. Porém, se as letras forem diferentes, o hífen está descartado: autoescola, infraestrutura, anti-inflamatório.

Atenção aos casos em que o prefixo termina em vogal e a próxima palavra é iniciada por “r” ou “s”. Nesses casos há dobra de consoantes: autorretrato, extrarrevolucionário, antessala, minissaia etc.

À mesma regra, encaixam-se os seguintes radicais e prefixos: aero, agro, alfa, beta, bi, bio, co, di, eletro, entre, foto, gama, geo, giga, hetero, hidro, hipo, homo, ili, ílio, iso, lacto, lipo, macro, maxi, mega, meso, micro, mini, mono, morfo, multi, nefro, neuro, paleo, peri, pluri, poli, psico, retro, tele, tetra e tri.

O texto do Acordo Ortográfico traz as seguintes obrigatoriedades quanto ao emprego do hífen:

1. Espécies zoológicas. Ex.: peixe-boi, couve-flor, erva-doce;

2. Compostos iniciados pelos advérbios bem e mal seguidos de palavras começadas por vogal ou “h”. Ex.: bem-estar, mal-estar, bem-humorado, mal-humorado. Entretanto, benfeito, benfeitor, malnascido;

3. Na união de duas ou mais palavras contextualmente combinadas. Ex.: Liberdade-Igualdade-Fraternidade, ponte Rio-Niterói. Nas combinações históricas ou ocasionais de topônimos. Ex.:Áustria-Hungria, Tóquio-Rio de Janeiro.

O uso do hífen permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação e constituem unidade sintagmática e semântica, mantendo o acento próprio: ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, mal-me-quer, bem-te-vi etc. Alteração: mandachuva, paraquedas, paraquedista, paralama, parabrisa, paravento.

Está descartado o emprego do hífen nas locuções substantivas: cão de guarda, fim de semana, sala de jantar; adjetivas: cor de vinho, cor de mel; pronominais: cada um, quem quer que seja; adverbiais: à vontade, à vista, às pressas; prepositivas: abaixo de, a fim de, apesar de; e conjuntivas: afim de que, ao passo que.  Porém, há algumas exceções: água-de-colônia, ao-deus-dará, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito e pé-de-meia.

Bons estudos!

Professora Sandra Ceraldi Carrasco éconsultora,especialista em língua portuguesa e autora de livros e periódicos na área. Há mais de 20 anos ministra cursos e palestras com índice recorde de aprovação.Seu mais recente trabalho aborda de forma prática o Acordo Ortográfico. Atualmente é coordenadora de cursos e professora de redação oficial da Academia de Polícia de São Paulo. Contato: professora.sandracarrasco@uol.com.br.

Comentários

Mais Lidas