Cérebro treinado contribui para conquista da vaga

Para garantir o sucesso em processos seletivos, o candidato deve ficar atento ao desenvolvimento das capacidades cerebrais.

Redação
Publicado em 19/11/2010, às 15h02

Uma massa esponjosa de 1,4 kg e cerca de 1 bilhão de neurônios trabalhando sem parar para organizar informações, criar conexões, inspirar, formar pensamentos. Esse é o cérebro humano, tão necessário para o desempenho das atividades no dia-a-dia.

Só para você ter uma ideia, ao ler esse texto está utilizando, em maior ou menor escala, as cinco habilidades cerebrais, traduzidas na atenção, memória, linguagem, visão espacial e raciocínio lógico.

Agora imagine a importância dessas capacidades ao se preparar para enfrentar provas ou participar de processos seletivos, como concursos públicos ou entrevistas de emprego.

Essas são apenas algumas das razões que justificam o treinamento constante do cérebro, não só para desenvolvê-lo, mas também para afastar doenças degenerativas como o Mal de Alzheimer, segundo afirmou o sócio-fundador do site Cérebro Melhor, Ricardo Marchesan, em entrevista recente à JCTV. Confira.

JC&E - Quais são os melhores exercícios para o aperfeiçoamento cerebral?

Ricardo Marchesan - Não existe um exercício único que treine o cérebro por completo, porque cada um vai estimular áreas específicas. Assim, quanto maior a variedade, melhor. Em outras palavras, você desenvolve estratégias para resolver determinada situação e precisa adaptá-las às novas realidades. Com isso, consegue transferir o aprendizado para o cotidiano. É interessante fazer uma analogia com os exercícios físicos. Se você vai à academia e trabalha só o bíceps, vai ter braços muito fortes, mas a perna vai ficar fraca. Assim é com o cérebro. Quanto mais uma habilidade é utilizada, mais desenvolvida ela fica.

JC&E - Então, não adianta só fazer palavras cruzadas para aprimorar as capacidades do cérebro, como muitos pensam.

RM - Se você for um bom resolvedor de palavras cruzadas vai ter algum ganho cognitivo, mas em áreas específicas. Então, é sempre importante complementar com outros exercícios.

JC&E - Existe uma idade adequada para começar o treinamento cerebral?

RM - Não. Para os exercícios que propomos no site é interessante que a pessoa seja ao menos alfabetizada para entender as instruções. Pessoas a partir dos 7 ou 8 anos conseguem jogar normalmente.

JC&E - Como os concursandos podem utilizar os exercícios do Cérebro Melhor e se prepararem para as seleções?

RM - As cinco habilidades cerebrais (atenção, memória, linguagem, visão espacial e raciocínio lógico) são a base para a resolução de qualquer tipo de desafio, que pode ser a pergunta em um concurso. No portal, os jogos foram classificados de acordo com essas capacidades. Mas isso não significa que em um exercício de memória você vai exercitar apenas essa habilidade. As cinco capacidades cerebrais são treinadas em proporções diferentes. Só citando exemplos, a necessidade da memória é mais que clara para você lembrar do que estudou. A atenção também, porque é necessário concentração na hora da prova. E essas habilidades os candidatos podem treinar por meio dos jogos.

JC&E - Como isso ocorre na prática, em um exercício específico?

RM - No caça-palavras modificado, por exemplo, o internauta é convidado a encontrar uma palavra no emaranhado de letras. É possível ver, claramente, o exercício da linguagem para buscar, na memória, as palavras que utilizam as letras mostradas. A visão espacial também é trabalhada, porque as letras estão dispersas, sendo necessário encontrar o caminho que forma a palavra. O raciocínio lógico, que também pode ser entendido como tomada de decisão, está igualmente presente por você ter de decidir por quais caminhos ir, sendo que alguns podem não levar a nada e outros conduzirem à palavra certa.

JC&E - Como deve ser definido o grau de dificuldade de cada treinamento cerebral?

RM - O exercício precisa estar no limite da zona de conforto. Não adianta fazer aquele que você gosta, sempre em um nível bem fácil, porque sabe que vai conseguir resolvê-lo. Mas se for muito difícil também não é bom, porque você não vai conseguir concluir e vai ficar desmotivado, e a motivação também é um elemento importante para o treinamento continuado.

JC&E – Além dos jogos, que hábitos contribuem para o desenvolvimento do cérebro?

RM - Além do estímulo cognitivo dos jogos, é importante se alimentar corretamente, dormir bem, praticar exercícios físicos e controlar o nível de estresse.

JC&E - Quando o estresse se torna um vilão?

RM - Isso pode ocorrer se você deixar ele fugir do seu controle. Mas o estresse antes de uma prova ou de um concurso até faz bem, porque deixa o cérebro mais atento e, consequentemente, deixa a pessoa mais desperta.

JC&E - Muitos acreditam que o ser humano só utiliza 10% da capacidade cerebral. Esse dado é verdade ou mito?

RM - Esse número é um mito. Todas as áreas do cérebro são usadas ao longo do dia. É claro que, em dados momentos, algumas áreas são mais utilizadas do que outras.

JC&E - Que outros mitos são associados ao cérebro?

RM - A gente ouve algumas coisas como, por exemplo, que o ser humano tem o maior cérebro entre todos os animais. Isso também é um mito, porque a baleia e o elefante, por exemplo, têm cérebros muito maiores do que os humanos. O que nos diferencia, portanto, é o cérebro mais desenvolvido. Outro mito é o aprendizado por osmose. Muita gente pensa: ‘ah, vou dormir em cima do livro’, ‘vou colocar o papel embaixo do travesseiro que vou aprender’ ou ‘vou dormir ouvindo um curso e acordar aprendendo’. Tem muitos estudos científicos que demonstram que isso não ocorre. É preciso estar consciente e dedicado ao assunto para conseguir aprendê-lo.

JC&E - Algumas pesquisas revelam que a partir dos 25 anos, mais ou menos, ocorre um declínio natural do cognitivo. Como os exercícios podem ajudar a reduzir essa perda?

RM - Essa perda do cognitivo significa que, aos poucos, as capacidades de memória e atenção, por exemplo, sofrem redução. No início não é perceptível, porque há uma pequena diminuição, mas quando a pessoa chega a uma idade avançada percebe que a memória já não é como antes, que o raciocínio não está mais tão rápido. A única forma de combater ou reduzir esse declínio natural é estimular o cérebro, treinando-o, mas também tendo uma alimentação saudável, praticando exercício físico, socializando.

JC&E - Quais são os benefícios adquiridos com o desenvolvimento cerebral?

Os benefícios mais imediatos são a melhora das habilidades cognitivas. Então, você vai ter uma memória melhor, vai conseguir se concentrar mais, vai ter um raciocínio mais rápido. Tudo isso é importante para pessoas de todas as idades. Pensando na expectativa de se chegar à terceira idade é importante que a pessoa crie, ao longo da vida, o que os cientistas chamam de reservas funcionais, que são os caminhos alternativos que o cérebro constrói para realizar uma determinada tarefa. É possível imaginar isso como se fosse um seguro contra a velhice, melhorando o declínio cognitivo e reduzindo o surgimento de doenças degenerativas, como o Mal de Alzheimer.

Pâmela Lee Hamer

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