São oito anos de espera

Faz tempo que o funcionário público Márcio da Conceição Roque busca sua vaga na Polícia Federal. Um novo concurso se aproxima e ele tem mais desafios a superar

Redação
Publicado em 27/04/2012, às 16h05

Há oito anos, o funcionário público Márcio da Conceição Roque, de 46 anos, começava uma jornada que tinha tudo para ser fácil, aparentemente. Foi o momento em que ele tomou a decisão de dar um passo a mais em sua carreira profissional como policial, buscando alcançar voos mais altos.

Atualmente como escrivão da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Roque confirma que seu atual sonho é o de ingressar na Polícia Federal (PF), por meio do novo concurso promovido pela corporação para ocupar vagas de agente policial federal – popularmente conhecido como “agente da PF”. A seu favor, ele conta com a experiência que já possui como policial, além da extensa vida profissional em outros setores, como bancário e professor, até ingressar na Polícia em 1990.

Apesar da vontade, ele nunca chegou a ser aprovado na PF. Esta é a quarta vez que tenta o concurso e sabe que não será fácil. “Seria maravilhoso (ser aprovado), não nego. Mas ao mesmo tempo, vou com calma. Não quero levantar muita expectativa, uma vez que tenho amigos que até chegaram a ser aprovados, mas não passaram do curso de formação”, explica o policial, de forma consciente.

O que o levou a optar pela mudança foi sua característica pessoal, como uma pessoa que não é tranquila, em suas próprias palavras. “Sou muito ‘intranquilo’. Daqui a cinco anos eu vou poder me aposentar pela Policia Civil do Rio, seja pela idade ou pelo tempo de serviço. Mesmo assim, resolvi que quero entrar (na PF), mesmo sabendo que, para eu me aposentar, precisarei ficar na ativa por pelo menos mais dez anos”, diz. Também chama sua atenção a grande área de atuação dos servidores da PF. “Já conheço a rotina dos policiais de modo geral, mas hoje só trabalho no Rio. Quero conhecer mais, viajar todo o território nacional. Gosto dessa variedade”.

Para isso, nosso entrevistado iniciou a preparação há bastante tempo. “Há dois anos e meio tomei a decisão de me dedicar inteiramente aos estudos. Tive que sacrificar um ‘bico’, que proporcionava melhor situação financeira para mim e minha família, fiz dois cursos preparatórios... enfim, ou trabalhava ou estudava, não tinha como conciliar”, explica. Atualmente ele tem aulas no Curso Maxx. Além da função de agente, ele pretende prestar para delegado da PF e delegado da Polícia Civil do Rio, todos ainda este ano.

A realização do sonho iminente, porém, foi parcialmente interrompida com um acidente de percurso. No início do mês, Roque sofreu uma queda no estacionamento do seu prédio, após um escorregão, e rompeu o tendão do pé direito. Precisou levar 25 pontos. Isso fez com que ele desanimasse de prestar o concurso. “Pensei em desistir, mais uma vez. Nos primeiros dias, fiquei meio apavorado, não via luz no fim do túnel”. Ele explica que, além do pé, o impacto da queda causava dores nas costas e nas pernas. “Me preocupava mais a parte física. Como eu iria fazer, sem estar 100%?”, perguntava. Antes do acidente, ele afirma que já estava apto a cumprir tudo o que é exigido no edital, no que diz respeito à parte física.

Depois de pensar melhor, e receber incentivo dos amigos que trabalham na área, viu que não era preciso se desesperar e tomou a decisão de seguir em frente. Comprou uma mesa pequena para fazer seus estudos e começou a investigar, a fundo, sobre o regulamento do concurso. “Descobri várias jurisprudências, tanto do STJ como do STF, que viabilizam ao concursando que sofrer um acidente, que não o possibilite de realizar o exame físico na data prevista, a possibilidade de fazê-lo depois com as mesmas características do primeiro”, explica. Para tanto, esclarece que será necessário que ele entre com um Mandado de Segurança (MS), para viabilizar a situação.

Ainda com relação ao seu acidente, Roque deixa a dica. “O médico me falou que a alta dose de exercícios pode ter facilitado a ruptura do tendão, durante o escorregão. Então, para aqueles que forem treinar, é aconselhável fazer muita musculação para criar um ‘ambiente favorável’. Depois, exigir mais nos exercícios”, aconselha.

Além deste, nosso entrevistado se prepara para outro desafio. Convencer sua família de que sua decisão é definitiva. “Ainda não estão convencidos (risos). Estão preocupados com as mudanças que virão”. Com a esposa, que trabalha como enfermeira, o policial tem dois filhos: um menino de sete anos e uma menina de cinco. “A priori, se eu for aprovado, terei que ir (ao curso de formação, em Brasília) sozinho nos primeiros meses. Depois, verei como fica”, diz. Ele lembra que os agentes contam com benefícios que permitem fácil deslocamento pelos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB), o que o viabilizaria a visitar a família a cada 15 dias. Para ele, é um sacrifício que será necessário. “Sou persistente, vou passar”, conclui.

George Corrêa

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