O chamado

Marcos Fellipe começou como ator, passou a comunicador e hoje é jornalista. Para ele, sucesso é a união de talento e sorte

Redação
Publicado em 11/10/2012, às 16h17

Era o ano de 1994. Em São Paulo, entrava em cartaz a peça “Hematóphagos e Adorata”, dos diretores Lúcia Pacheco e Dedé Pettini, cujo elenco incluía o então desconhecido ator Marcos Pereira, que pouco tempo depois veio a se tornar o Marcos Fellipe, nosso entrevistado desta semana.

Natural de Guarulhos, na Grande São Paulo, Fellipe tem 36 anos e entrou no meio das comunicações de surpresa, meio sem querer, pois queria trabalhar com artes, mas não sabia como. “Sempre quis trabalhar em TV, mas era muito jovem e não sabia o que fazer. Fui estudar teatro para me descobrir”, lembra.

E descobriu. Mas não do jeito que esperava. Para divulgar a peça, Fellipe deu entrevista para a rádio Líder FM, na capital, e foi surpreendido fora do ar pelo então apresentador, que lhe perguntou se já havia pensado em fazer rádio. “Ele disse que eu deveria pensar nisso, por conta da minha voz e dicção. E fui para a casa com aquilo na cabeça”.

Então, nosso personagem se dedicou ao aprimoramento. Quando finalmente achou que estava pronto, procurou o diretor da rádio e pediu um teste. “Nunca havia escrito nada, mas ele me deu a oportunidade”, recorda. E a frase que todos esperam nesta situação apareceu: “Você pode começar na semana que vem?”.

Estava dado o primeiro passo. Felippe começou a se profissionalizar e, pouco tempo depois, estava no ar apresentando um programa de entretenimento, já como locutor. Não demorou muito e foi contratado para trabalhar como produtor e locutor nas rádios Globo e CBN. Com quatro meses de casa, teve o privilégio que poucos têm, ao ser convidado pelo jornalista Heródoto Barbeiro – então âncora do principal jornal da casa – a atuar como repórter. Mas, para isso, ele deveria se formar jornalista e foi o que Fellipe fez.

E a porta se abriu. Vieram TV Manchete, Rede TV, rádio Eldorado/Estadão, Band, Globo e Record. Também atuou no programa Domingo Legal, com Gugu Liberato, e na campanha de 2008 do prefeito Gilberto Kassab. Hoje é sócio da empresa de assessoria de imprensa Maximídia, que presta serviços à Federação dos Sindicatos dos Servidores Públicos de São Paulo (FESSP-ESP), entre outros.

Apesar do dom artístico, Fellipe teve problemas para dizer à família o que realmente queria fazer. “Tive uma infância normal, porém, com muita pressão do meu pai. Ele sempre foi contra minha escolha por essa área e fez de tudo para eu desistir. Mas não abri mão”, relata. Sua primeira experiência nos palcos foi aos 11 anos de idade, na escola Clarice Lispector, em Guarulhos, onde cantou em um concurso e ganhou a premiação.

Na adolescência, sempre se envolveu com a arte, seja no teatro, desenho, pintura etc. Sem contar com o apoio do pai, começou a trabalhar como office-boy para pagar seus cursos.

O investimento deu resultados. A exposição na TV, por conta de sua atuação como jornalista, abriu caminho para novas oportunidades na área das artes. Fez campanhas publicitárias e foi chamado para atuar em duas novelas: Pícara Sonhadora, em 2001, no SBT, e Cidadão Brasileiro, em 2006, na Rede Record. Também participou do humorístico Fala Dercy, em 2000, no SBT. “Foi nessa época que minha formação em teatro me ajudou muito”, destaca Fellipe.

Ao observar a lista de trabalhos desempenhados pelo nosso entrevistado, pode parecer que sorte é a única e fundamental condição para ter sucesso no ramo em que se deseja atuar. Mas nada do que vimos seria possível se não houvesse uma preparação. “Atualmente, faço um curso de marketing, como forma de atualização e de agregar mais conhecimento sobre o setor”, reforça Marcos, que não se lembra de uma única ocasião em que tenha ficado parado, esperando as coisas caírem do céu.

Há três anos, ele integra uma equipe de mídia-training para executivos de grandes companhias. “Digo, para quem está começando, que o primeiro passo para chegar ao sucesso profissional é identificar a sua vocação. Acredito que quando se faz algo com amor, tudo flui”. Ele lembra que nunca pensou em ser jornalista, mas que ao receber uma proposta, como a do Heródoto, o fez se sentir privilegiado. “Acho que sucesso é a união de talento e sorte”.

George Corrêa

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