Uma vida e seis aprovações

Thiago Lins nasceu na Paraíba, mora no Espírito Santo e está a um passo de morar em Brasília, onde realizará seu manhor sonho: atuar como procurador do Ministério Público Federal (MPF)

Redação
Publicado em 10/08/2012, às 16h02

Banhada pelo Oceano Atlântico e contornada por cinco rios, a capital paraibana de João Pessoa - carinhosamente chamada pelos seus habitantes como a “Porta do Sol”, por estar no extremo oriente das Américas - é o berço de um concurseiro que se orgulha em falar de sua origem e do caminho que percorreu até chegar à sonhada conquista no concurso para procurador da República, cargo que ocupará em 2013.

Aprovado este ano e atualmente morando em Colatina (ES), Thiago Henrique Viegas Lins, de 29 anos, não esconde a felicidade ao dizer que vai atuar no Ministério Público Federal (MPF), em Brasília. De lá, afirma que não pretende mais sair. “O MPF sempre foi meu objetivo”, diz, mesmo sabendo da possibilidade em ser aprovado em outro concurso, onde participa atualmente, para a magistratura federal nos Tribunais Regionais Federais da 5ª, 2ª e 1ª regiões. A seleção se encontra na fase de sentença. “Vou terminar o concurso (magistratura), mas não pretendo tomar posse. Quero ficar no MPF”. Caso a nova aprovação aconteça, ele acredita que ela será muito importante para ajudá-lo a realizar outro sonho: ministrar aulas para concursos.

A primeira aprovação aconteceu em 2004, também para o MPF, enquanto ainda cursava direito na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Naquela ocasião, prestou para a carreira de técnico. Perguntado sobre o porquê de tantos concursos, ele explica que algumas das principais vantagens são a estabilidade e a independência. “(Minha vida) melhorou bastante. Desta vez (MPF), além da estabilidade eu vou retornar como procurador, o que é a realização de um sonho”.

Assim se apresenta nosso personagem. Um batalhador, com muitas conquistas, mas que não quer se acomodar. Talvez pelo incentivo da família, que teve peso importante até aqui. “Minha mãe era professora, então a educação já era rotina lá em casa. Sempre tive para mim que o estudo podia ser um fator de transformação e poderia melhorar e mudar minha vida”, afirma o paraibano, destacando que foi bom aluno no período do colégio e sempre tirou notas boas. “Ganhei bolsa para os colégios onde minha mãe dava aula, então sempre estudei somente em escolas particulares. No 2º grau, fui para uma escola técnica, mas no 3º ano optei por voltar ao particular, para me preparar para o vestibular de direito”, relata.

Ele lembra também que seus tios já tinham o hábito de se preparar para concursos, devido às poucas ofertas de trabalho existentes na Paraíba, servindo como exemplo a ser seguido. “Como no lugar onde eu nasci o setor privado não é muito desenvolvido, o emprego público é a melhor oportunidade. Tive essa influência dos meus tios”, recorda.

Lins se formou em julho de 2006, ocasião em que começou a se preparar somente para concursos de analista. A recompensa veio no ano seguinte, com a aprovação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Paraíba. Mas, para ele, não foi suficiente. “Logo comecei a me preparar para as carreiras de procuradoria e da Advocacia-Geral da União (AGU)”. O resultado: em 2009 passou em 1º lugar nacional do concurso da AGU e foi trabalhar em Brasília. No mesmo ano, também obteve segundo lugar para procurador, desta vez no estado do Alagoas.

Pouco depois deu início aos estudos para o concurso da magistratura federal e de procurador do MPF. A partir daí, a história você já conhece. “Neste momento, estou na correria para tomar a posse no dia 23 de abril (de 2013)”.

Além da graduação, Lins também fez pós-graduação em ciências penais e Direito do Estado, na LFG. “Entrei em 2007, achei um curso excelente. Eles conseguem sistematizar o conteúdo e organizar o conhecimento, coisas que muita gente nem sempre consegue fazer”, declara. “Isso ajuda bastante”.

Para os que consideram a história do paraibano como uma mistura de sorte e inteligência, nosso personagem diz que para a aprovação não há outro caminho. “Disciplina e perseverança são essenciais. Deve-se acreditar que é possível, pois assim tomamos decisões que nos ajudam a atingir o resultado”. Ele reforça que o estudo disciplinado, perdendo vários fins de semana e estudando noite e dia, não será em vão e os benefícios no final serão muitos. “Percebi uma mudança profunda no que diz respeito à independência financeira. O exercício do cargo público permite aplicar na prática todos aqueles conhecimentos adquiridos nas horas de estudo”, termina.

George Corrêa

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