Conhecimento e um pouquinho de estudo...

Nossa entrevista foi aprovada em dois concursos, somente no último semestre de 2011, e afirma raramente pegar no livro para estudar

Redação
Publicado em 03/02/2012, às 16h20

“Eu nunca me preocupo com prova, seja faculdade, concurso, o que for. As pessoas se deixam pressionar demais pela ‘prova’”. Esta afirmação, que aparentemente é de alguém que não se importa em estudar e, muito menos, se dedicar a um concurso, na verdade vem de uma pessoa que foi aprovada em dois processos seletivos diferentes, somente no último semestre de 2011. A curiosidade é que ela nem precisou pegar nos livros para se preparar.

É a estudante Patrícia Louise Affonso Guimarães, de 34 anos, que atualmente cursa o quarto semestre de Sistemas para a Internet, na unidade da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), localizada em Santos, no litoral do estado de São Paulo. É bom destacar que ela foi aprovada em primeiro lugar no vestibulinho da instituição.

Patrícia já foi retratada em outra edição da coluna A Vida em Parágrafos, quando contou que chegou a prestar – e ser aprovada – em um concurso para o Banco do Brasil, com umas doses a mais de tequila na cabeça depois de sair com os amigos na noite anterior. Mas tanto isso, como o que contaremos agora, apontam para uma mesma direção: ela já estava anteriormente preparada para as provas, com a experiência que teve ao longo de sua vida.

Atualmente, a estudante aguarda ser chamada nos concursos para as prefeituras de Santos – onde está habilitada ao cargo de técnico de informática, após pegar o sétimo lugar – e de São Vicente, como assistente administrativo. Em ambos os casos, nossa entrevistada diz que não estudou. No de São Vicente, inclusive, ela chegou de viagem pouco antes do concurso e ainda teve semana de provas na faculdade.

Mas não foi a sorte que a fez chegar onde chegou. “O concurso de Santos foi específico, com duas matérias (sistemas operacionais e redes e T.I.) que eu já estou tendo na Fatec. Essas disciplinas serviram como base do meu conhecimento. Em São Vicente, o bom senso prevaleceu. Caiu muito sobre almoxarifado, expurgo de documentos e outros processos burocráticos, os quais eu vivenciei em minha experiência profissional”, lembra Patrícia.

Para ela, o gosto por aprender é algo natural, gostoso, que deveria fazer parte do dia a dia de todos. Quando passou no Banco do Brasil, também não fez cursinho preparatório, mas tinha um hobby que certamente a ajudou muito: exercícios de matemática. “Antes do meu primeiro vestibular, minha família tinha uma pastelaria no shopping. Quando eu tinha folga no meu trabalho lá, fazia os exercícios de um livro que eu tinha. Adoro matemática”, contou.

O fato de estar relaxada no dia das avaliações também foi outro ponto a favor. “Por conta do nervosismo, muita gente tem ‘branco’ na hora da prova. Essa pressão tem um peso muito grande e atrapalha”. Ainda segundo ela, quando o conhecimento já está adquirido e você sabe que ele está ali, tudo o que resta fazer é acessar e utilizar. “Sempre tive essa filosofia. O que eu aprendi está sempre comigo. Se não me auto-sabotar ficando nervosa, consigo utilizar esse conhecimento. Não tenho paciência de pegar livros, textos e estudar repetidamente, a mesma coisa”.

Fazer o que realmente gosta é mais uma dica da estudante. “É menos cansativo e mais produtivo. Tem concursos que eu nunca vou passar se não estudar, como os da área de direito, por exemplo, com coisas específicas que, simplesmente, não tenho o conhecimento”. Isso foi o que aconteceu no concurso que ela prestou para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT), onde não passou. “Em informática, mesmo as coisas que não aprendi, eu consigo deduzir e usar analogias”.

Mas o objetivo de Patrícia ainda está longe de ser alcançado. Atualmente, ela mora em São Vicente, mas como o salário oferecido em Santos é melhor, além de oferecer maior campo de atuação, ela optará por assumir a função na prefeitura santista. As chances de crescer internamente também serão maiores, por meio dos concursos de titulação.

Depois de se formar, ela afirma que vai entrar em programas de trainee em grandes empresas como Google, Microsoft, IBM e outras. “São ótimas para trabalhar, além de oferecerem bons salários”, reforça.

George Corrêa

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