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Concurso Camboja

As entranhas de Angkor

O Camboja atravessou séculos em absoluto isolamento, vivendo apenas da sua agricultura. A revolução maoísta do



Redação
Publicado em 27/04/2007, às 15h17

* por Arthur Veríssimo


O Camboja atravessou séculos em absoluto isolamento, vivendo apenas da sua agricultura. A revolução maoísta dos anos 1970, liderada pelo sanguinário Pol Pot, foi um tsunami devastador que interrompeu temporariamente mais de 2 mil anos de história. Quando o Khmer Vermelho invadiu a capital Phnom Penh, em abril de 1975, a nação foi seqüestrada, e o país, transformado em um grande campo de concentração. Os 8 milhões de habitantes se tornaram escravos, trabalhando pesado e sofrendo humilhações terríveis. Cerca de 2 milhões morreram de fome ou foram torturados até a morte.

Minha estadia no Camboja se arrastava pelos campos de genocídio, passeios pelo rio Mekong e baladas em Phnom Penh quando decidi conhecer o complexo das ruínas de Angkor. Peguei uma embarcação no porto da capital e desci o Mekong em direção a Siem Rep.

Até 1431, Angkor era a capital do Império Khmer. Com a invasão do exército do Sião (atual Tailândia), a cidade foi abandonada pela população. Suas construções, templos, monumentos e estátuas foram encobertos pela floresta até que, em 1860, foram encontrados pelo francês Henri Mouhot.

Apesar das muitas minas espalhadas ao redor dos edifícios e estradas, o cidadão se sente em uma dimensão interplanetária na cidade. No topo do famoso templo de Angkor Wat, um dos maiores monumentos erguidos pelo homem, temos uma visão alucinante de 360 graus. A selva transbordante e a arquitetura divina do lugar - com portais, corredores labirínticos, piscinas e a longa plataforma de acesso repleta de esculturas de nagas (serpentes sagradas) - deixam qualquer um em estado nirvânico. A experiência é um mergulho no tutano da civilização Khmer.

Angkor é impecável em composição, balanço, relevos e harmonia. O templo principal, dedicado ao deus Vishnu, tem suas torres impressas na bandeira cambojana. Durante o genocídio e domínio do Khmer Vermelho, Angkor transformou-se em um grande depósito de armas. Nesse período, cabeças de divindades, portais e outras relíquias viraram objetos de rapinagem dos caçadores de tesouro que as vendiam no mercado negro. Atualmente, arqueólogos e restauradores estão catalogando cada pedrinha e cascalho solto.

Penetrar as entranhas de Angkor deslizando pela suntuosa rodovia que cerca o complexo é um sonho. O templo de Bayon, em forma de pirâmide, é fascinante e nos arrasta a lembranças arquetípicas. A religiosidade budista amanteigada com o hinduísmo enlouquece qualquer estudioso - imagine nós, simples mortais. Do outro lado do complexo encontra-se o espetacular templo de Ta Prohm. Raízes de árvores o envolvem, conservando-o e destruindo-o. Um mistério para a alma. Vasculhei a imensidão de Angkor durante três dias. Me senti como o próprio Mogli perdido no coração da floresta.

Mas entrei em real estado de choque quando voltei à capital Phnom Penh e li o letreiro da escola-prisão-centro de tortura de Tuol Sleng: "Enquanto você é vergastado e eletrocutado, não deve gritar de maneira alguma". Assim Pol Pot tratava seus conterrâneos.


* Arthur Veríssimo, repórter de 47 anos, acumula milhas aéreas e histórias para contar sobre os lugares e pessoas mais incríveis do mundo.

* Artigo extraído, na íntegra, do site da Revista Galileu (www.revistagalileu.com.br).

+ Resumo do Concurso Camboja

Camboja
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