Inimigo íntimo: fabricação própria

Existe uma proporcionalidade da carência de emprego com a carência de vagas a serem supridas

Redação
Publicado em 28/09/2009, às 09h45

* Profº. Edison Andrades

Veja o que o Ford falou!

Henry Ford, o inventor da fábrica moderna, reclamava: “por que toda vez que solicito um par de braços, vocês me trazem um ser humano junto?”. Naquela época, Ford queria apenas mão de obra. O mundo mudou. (Chiavenato, 2004)


Existe uma proporcionalidade da carência de emprego com a carência de vagas a serem supridas, pois muitas empresas, ao contrário da época de Ford, precisam muito mais que apenas mão de obra, mas competência no que fazem.

Algumas organizações buscam seus novos colaboradores no Mercado de Trabalho (MT), pois julgam que trabalhadores na ativa (empregados) terão melhores condições para desempenhar as funções exigidas pela empresa. Com esse comportamento acabam trabalhando seu banco de candidatos dentro da empresa dos outros (que feio!). Não julgamos um procedimento ilegal, mas isso dificulta o ingresso de muitos profissionais qualificados que se encontram no Mercado de RH (MRH), que, simultaneamente, sofrem uma dificuldade imensa em se projetar no MT.

Existem pessoas que não acompanham o desenvolvimento organizacional, pois não saem do trivial em suas habilidades e conhecimentos. Isso dificultará de forma imensurável o ingresso ao MT, pois o mercado de uma forma geral está cada vez mais exigente, não somente em relação às competências das pessoas, mas também no grau de instrução.

Por que será que muitas organizações não têm competência para reter talentos?

Sabemos que, por mais aquecido que o mercado esteja, e hoje é o que vivemos, principalmente em países emergentes como o nosso, a dificuldade em descobrir profissionais perdura. O mais preocupante é que na mesma proporção em que não se encontram profissionais qualificados, as organizações não conseguem reter seus talentos internos.

Acompanhamos casos em que por detalhes perdemos bons profissionais. Obviamente podemos ter um excelente profissional, mas que não se encaixa na cultura daquela empresa, e isso é extremamente normal. Mas chama a atenção, quando analisamos e constatamos que aquela organização tem tudo a ver com aquele profissional, e ainda assim o perde para o mercado.

Existe um esforço enorme, nas organizações, em relação às contratações. Muitas empresas gastam muito dinheiro em busca do tão “utópico” funcionário ideal. Contratam agências especializadas, buscam as melhores dinâmicas de grupo, estudam as mais competentes metodologias de entrevistas, aplicam formas alternativas de seleção, então, inserem o candidato nesses contextos e, enfim, elegem um formato quase perfeito na captação do melhor funcionário.

Tudo isso acho válido, creio, e não poderia ter outra opinião, que um bom processo seletivo garante a diminuição dos riscos em cairmos nas emboscadas dos “veteranos de seleção”, que são os experts em entrevistas, dinâmicas etc. Mas quando o colaborador chega à organização, deve ser muito bem recepcionado, pois assim como precisou causar uma ótima impressão à empresa, em sua entrevista, a recíproca deve ser verdadeira por parte da empresa. Muitos desistem da empresa já no primeiro dia de trabalho e acabam se tornando um “inimigo íntimo”, fabricado pela própria empresa.

“As empresas perdem a grande oportunidade de fazer o melhor marketing interno (endomarketing) e tornar seu principal cliente (colaborador interno) um verdadeiro fã. Depois não adianta reclamar, hein?”

Ah! E nunca esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

Envie sua mensagem para nosso blog:  blog.jcconcursos.uol.com.br/professoredison,

ou para o e-mail:  edison.andrades@terra.com.br. Terei imenso prazer em recebê-la.

Grande abraço

* Profº Edison Andrades é Psicólogo - Especialista em desenvolvimento profissional e aconselhamento de carreira (Counseling); MBA; Escritor (autor do livro: Como Perder o Emprego (com competência)- Giz editorial); ex-Diretor de RH. É professor universitário atuando nas áreas de Administração e Marketing. Como consultor e palestrante atua em algumas das principais empresas nacionais e multinacionais do país. É palestrante e instrutor organizacional há mais de dez anos, onde destaca-se devido sua performance teatral, motivacional e irreverente ao transmitir conhecimentos. Marque uma consulta e conheça sua metodologia. contatos:  e-mail: edison.andrades@terra.com.br;  site: www.edisonandrades.com.br.


Veja também:

Artigo: banco de horas: estratégia ou “jeitinho”?

Artigo: desmotivação & Irresponsabilidade

Artigo: lá fora é uma coisa, aqui dentro, outra

Artigo: como você trata seus colegas de trabalho?


Artigo: portador de deficiência ou doente?

Comentários

Mais Lidas