Quanto vale um “sapo”?

Artigo do professor Edison Andrades

Edison Andrades
Publicado em 05/06/2015, às 11h00

A expressão “engolir sapos” é antiga e se refere aos desacordos e conflitos que enfrentamos, principalmente, durante jornadas profissionais. Mas o que o anfíbio tem a ver com tais situações organizacionais? Vamos às comparações:

Para começar, existem mais de 4.800 espécies de sapos; formas de desgaste, nas empresas, creio que existam bem mais. Outra característica dos sapos é a necessidade de viver em lugares úmidos para a disseminação de ovos, pois estes não possuem casca. A umidade também serve para manter sua pele úmida, condição imprescindível, já que, com uma respiração pulmonar incipiente, dependem também da respiração cutânea, na qual a troca de gases é feita pela pele. Paremos aqui, por enquanto, com nossa pequena aula de biologia e partamos para as empresas. Nas empresas, os lagos de oportunidades são muito cobiçados, pois todos desejamos nos banhar em promoções e nos refrigerar nas recompensas que uma carreira bem-sucedida pode proporcionar, mas não esqueça que, nessas águas, encontram-se os sapos e seus ovos.

Diferente do que aconteceria em um mergulho literal, mergulhar em lagos organizacionais exigirá habilidade para eliminar os anfíbios de seu caminho. Uma das formas mais comuns de desempenhar essa tarefa, em sua vida profissional, é “engolir os famigerados sapos” (metáfora da resiliência). Percebo o nível precário de resiliência das pessoas, ou seja, falta, nelas, autocontrole e capacidade de suportar os percalços, dando a volta por cima e restaurando sua trajetória inicial, ao invés de desviar-se dela. Engolir sapos, metaforicamente falando, significa superar as forças que vão de encontro a seus dogmas e, principalmente, a seu ego. Engolir sapos pode significar, ainda, um exercício à humildade que, consequentemente, ampliará sua capacidade de controle emocional e psicológico, rendendo ganhos, inclusive, para sua vida pessoal.

Sapo é um bicho, considerado por muitos, estranho e nojento. Ao contrário da rã, não é servido com frequência em restaurantes finos e de boa qualidade. Mesmo para os ambientalistas, o sapo não é o animal mais apropriado para ser engolido. Mas você pode imaginar quanto valerá engolir cada um desses animais indigestos que atravessarem seu caminho profissional e pessoal? Talvez valha todo o sucesso que encontrará no final. Pessoas que passam por situações adversas, em suas vidas, adquirem, geralmente, uma invejável sensatez ao resolver problemas.

Saiba que sempre teremos “sapos” servidos em nossa mesa. É o prato mais oferecido pelas organizações. Eles são servidos antes do prato principal e, em muitos casos, funcionam como uma forma de selecionar aqueles que merecem degustar o melhor prato, sobremesas e outras delícias vindouras. Alguns o deixam de lado, preferindo postergar a indesejada refeição. Cuidado, pois esses sapos podem se reproduzir! Alguns colaboradores saem da mesa e buscam outras lagoas (ou seja, outras empresas), com a esperança de deixar os anfíbios para trás, ilusão! Todas as lagoas (empresas) cultivam sapos. Os profissionais mais sábios os engolem na primeira oportunidade, pois sabem que esse é o caminho para chegar ao prato principal e deste não se deve abrir mão! Pense que resistir aos sapos valerá muito e que eles se tornarão apenas uma lembrança irrisória diante do grande banquete que você degustará!

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

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