Rebeldes com causas

Artigo do professor Edison Andrades

Edison Andrades
Publicado em 30/10/2015, às 10h30

Recentemente, em algumas cidades do Brasil, presenciamos grandes manifestações. E isso é lícito, afinal, nossa liberdade de expressão deve ser exercitada. Entretanto, merece crítica, o modo que alguns escolhem para “exercê-la”.

Quebra-quebra, pequenos incêndios e muita baderna apenas criam um efeito inverso àquele que motiva a legítima manifestação. Nós, cidadãos, que estamos a favor dessa motivação, “da causa”, revoltamo-nos contra ela ao nos depararmos com esses efeitos negativos, que só ferem a legitimidade da causa e a enfraquecem. Mas vandalismo e baderna também existem no mundo corporativo, pois, em minhas palestras e consultorias pelo país afora, tenho presenciado muitas situações que envolvem o vandalismo interno. É claro que, inicialmente, este comportamento indesejável se apresenta de forma sutil e quase imperceptível, por esse motivo, as empresas acabam não dando muita importância a ele e, quando desejam fazer algo, quase sempre é tarde.

Existem organizações preocupadas demais com programas de desenvolvimento tecnológico e outros programas “bacanas” existentes nesse mundo corporativo, mas chamo a atenção para o vandalismo justamente porque todo grande problema começou pequeno. Assim é em nossa vida financeira, afetiva e não poderia ser diferente na carreira profissional. Quando, numa empresa, há portas e paredes de banheiros repletas de insultos e pornografias, significa que temos, associadas aos colaboradores internos, índoles contaminadas. Acompanho organizações investindo em seus colaboradores no que tange a aprimoramento técnico, linguístico e até comportamental. Mas já diz o velho ditado: “Se conhece verdadeiramente uma pessoa, quando está só”. Quem picha banheiros, normalmente, está só.

Há muitas sugestões para a solução desse problema. Conscientizar seus colaboradores pode ser uma boa! E até funciona em médio e longo prazos. Mas sou um pouco mais radical: demita! O vandalismo se aloja dentro do ser humano, não será na empresa que isso será curado, e este nem é o papel da organização. Felizmente, existem entidades especializadas nesse assunto. A empresa deve sempre preservar a integridade da maioria, ou seja, pessoas decentes não precisam presenciar “bandalheiras” alheias (o mesmo vale para palavras de baixo calão, pronunciadas abertamente no ambiente de trabalho). Deve haver punições, advertências e até dispensas.

Aconselho os empregadores a recorrerem aos recursos tecnológicos, além de inaugurarem um disk-denúncia anônimo. Também estimulo os empregados a contribuírem com este processo. Uma empresa é feita por pessoas, portanto trabalhamos e habitamos sobre aquilo que construímos. Somos responsáveis pelos fatores físicos (higiene e segurança) e psicológicos (relacionamentos) de qualquer ambiente. E isso se instala culturalmente a partir das pessoas. Algumas culturas são, automaticamente, doutrinadoras, ao abolir certos comportamentos. Posso citar, por exemplo, a cidade de Porto Alegre - RS. Se você for a Porto Alegre, encontrará, no metrô (Trensurb), ausência de policiamento. Pelas diversas vezes em que frequentei aquela cidade, não me lembro de presenciar seguranças nas plataformas. Os trens são muito antigos e conservados. Você não encontrará pichações e nem sinais de destruição. Isso é cultura! Parabéns aos gaúchos daquele lugar.

Lembre-se: a humanidade começou com apenas um homem; uma cidade com apenas uma ideia. Uma causa se perde com apenas uma atitude. Você pode fazer toda a diferença!

Prof. Edison Andrades é escritor, palestrante e sócio da Reciclare Treinamento. www.facebook.com/professor.edison.andrades

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