Maquininhas de carne e osso

Nesta semana, o professor Edison Andrades fala sobre as três dimensões do ser humano: cabeça, mão e coração.

Redação
Publicado em 02/08/2010, às 11h04

Sempre que um indivíduo menciona a palavra “competência”, ainda que ele seja leigo em administração, estará se referindo aos conhecimentos, habilidades e atitudes que compõem um ser humano. Quando, em qualquer dessas três esferas, falhamos, significa que, provavelmente, não alcançaremos um bom resultado final.


Sabemos também que as pessoas, em sua maioria, não conseguem ser excelentes em tudo. Com isso chamo a sua atenção para que reflita sobre essas esferas e identifique aquela em que você precisa aprimorar-se. E, para isso, pegarei carona na Teoria Johann Heinrich Pestalozzi, que fala sobre as três dimensões do ser humano: cabeça, mão e coração.


Na cabeça está o conhecimento e todas as informações que uma pessoa adquire. Algumas pessoas sabem muito, ainda que não pratiquem. Nas mãos encontram-se as habilidades, a expressão “mão-de-obra” nasceu da necessidade de se expressar as habilidades. Por fim, o coração: nele encontram-se as atitudes e toda a essência de um indivíduo.


Agora o convido a tranportar esse corpo de competências para o mercado de trabalho, onde encontramos profissionais que conhecem bastante sobre seu segmento, estudam e formam-se em ótimas instituições, falam outros idiomas, lêem muito e sempre estão atualizados em relação ao mundo moderno.  Há também aqueles profissionais que possuem uma habilidade fantástica na operação de determinada função. Conseguem produzir de forma rápida e eficaz com naturalidade. Parece até que nasceram para aquela função.


O grande problema é encontrar essas duas características no mesmo profissional. Hoje, encontramos pessoas que sabem, mas não fazem. E pior: pessoas que fazem, mas não pensam. Aprendem um determinado manejo e robotizam sua rotina profissional. Não entendem o resultado, nem tampouco a importância de sua atividade.


Vejo que, em grande parte, as empresas são responsáveis por esse quadro deplorável, pois, ao invés de realizarem treinamentos, preferem “adestrar” seus colaboradores. Mas devo admitir que muitos trabalhadores compartilham dessa responsabilidade, pois há aqueles que se acostumaram a não pensar. Acomodam-se em suas tarefas e posições subalternas, deixam que a vida os leve.


Nem sempre foi assim! No início de uma carreira existe ambição, metas e motivação para o alcance de sonhos. Onde está o problema, então? No coração.


Na cabeça está o conhecimento, que é o saber. Nas mãos, a habilidade, que é o fazer. Portanto, no coração está a atitude, que é o querer. Muita gente pertence ao grupo dos que não querem. Pessoas que iniciam o expediente em contagem regressiva para ver seu término. Detestam o que fazem e não buscam, sequer, valorizar sua tarefa. Isso costuma ocorrer com profissionais que aceitam qualquer emprego que lhes é oferecido (ainda que ilícito). Cumprem grau de instrução mediano e suficiente para serem aceitos pelo mercado de trabalho. Daí, em certa ocasião, olham para sua vida profissional como se ela se resumisse apenas em odiar a segunda-feira e sonhar com a sexta. Preserve sua vida e tome cuidado para não compor esse mal sucedido grupo de profissionais, porque, se você se encontra nesse grupo, sinto em falar: você é uma “maquininha de carne e osso”. Daquelas que a tecnologia facilmente substitui.


Ah! E nunca se esqueça de incluir Deus em todos os seus planos.

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